segunda-feira, abril 27, 2009

E você, tem medo de quê?

De muita coisa e de tudo ao mesmo tempo. Por ordem de importância.
De perder as pessoas que amo.
De acompanhar o sofrimento dessas pessoas e não poder fazer nada.
Do tempo que, depois dos 15 anos, começou a passar muito rápido.
Da solidão compartilhada. Explico: de estar acompanhada mas estar sozinha, no meu mundo, impenetrável, indecifrável, inintendível.
De amar de mais.
De sofrer por amor.
De não ser capaz de guardar na memória pessoas amadas que um dia vão me abandonar/já me abandonaram.
De não conseguir pagar as contas e precisar usar o cheque especial.
Dos tantos crimes que andam acontecendo indiscriminadamente ao meu redor e de que eles se tornem banais.
De que essa crise da qual tanto se fala não passe nunca.
De que os cupins voltem a consumir móveis e esquadrias ao meu redor.
De atrasar o fechamento do jornal.
Da crítica do dia seguinte.
De parecer insegura.
De perder a ternura.
De ficar sedentária por muito tempo.
De voltar a fumar.
De beber de mais.
De pirar e não voltar à realidade.
De morrer? Não. Desde que seja uma morte rápida, sem rodeios, sem sofrimento. Embora a ideia de deixar para trás pessoas que sofreriam com isso não me agradar nem um pouco.
De morrer.

quinta-feira, abril 23, 2009

Ufa, sexta na espreita.
Sabe aquele lance de viver na expectativa? Um dia enfarto por causa disso.
Mas é inegavelmente gostoso projetar, e projetar, e projetar. Imaginar como vai ser, criar reações, cenários, gestos, palavras... para depois colocar tudo em prática, não necessariamente nessa ordem.
Muito bom!
Um viva aos imaginativos!
Vai ver isso é coisa da minha avó, que vivia lendo historinhas antes de eu dormir.
Minha preferida? A gata borralheira.

quarta-feira, abril 22, 2009

Bad mood

Bad mood today. May be the weather, may be my hair, maybe.
What a pity. Well, I got the cure. But it's far from me (smart ones would say "it's inside you". not really). Nothing to do.
Let's eat chocolate! And become a big fat lasy lady.
Life is a bitch!

domingo, abril 19, 2009

23 horas e meia

Foram exatas 23 horas e meia. Ela cronometrou. Foi a primeira vez que o sentira inteiro, todo dela. Uma entrega mágica, que ela precisava experimentar para saber que ambos têm sentimentos e vontades em comum. Receios, culpas, medos, dúvidas, inquietações, tudo isso foi esquecido para dar espaço ao que brota naturalmente quando estão juntos.
Ainda há o silêncio, mas ele não mais constrange, abre espaço para carícias e beijos.
A ausência, agora, começa a angustiar. E as lembranças causam calafrios, arrepios, e borboletas passeiam por seu estômago.
Ela reza, agora, para que o roteirista do filme seja um otimista, da classe dos apaixonados, que conduza com maestria as cenas dos próximos capítulos.

Antes do pôr-do-sol


"Você vai perder o avião", diz Celine.
"Eu sei", responde Jesse, enquanto escutam Nina Simone no apartamento de Celine, em Paris.
Assim termina Antes do pôr-do-sol. Jesse e Celine reencontram-se, nove anos depois de Antes do amanhecer.
Vi, revi e re-revi ontem. Diálogo, muito diálogo. E nenhum beijo, nenhum carinho, nada. Apenas palavras nervosas. Houve momentos em que Celine chegou a erguer a mão e desejar repousá-la nos cabelos (agora muito mais ralos do que em Antes do amanhecer) do amado. Mas Jesse é casado e, até que mencionasse viver com a mulher só por conveniência, Celine supunha que ele fosse feliz.
O final aberto para mim é bastante óbvio. Jesse perdeu o voo de volta à vida monótona vivida em Nova Iorque, para, enfim, entregar-se à romântica Paris de Celine. Quisera que houvesse um terceiro filme, em que ambos estivessem, enfim, juntos. Mas seria muito lugar-comum. O que encanta em Antes do pôr-do-sol e também em seu antecessor é justamente a incerteza e, ao mesmo tempo, a convicção de que os dois se amam e vão, sim, acabar juntos em algum momento de suas vidas.
Outro ingrediente apaixonante é o curto espaço de tempo que os protagonistas têm para se descobrir. Ao invés do silêncio aberto optado pela grande maioria dos apaixonados, ali tudo é dito. Não há sentimento não verbalizado, insegurança não compartilhada, dúvida não exposta. Tudo é dito e tudo sufoca. Em Antes do amanhecer há beijos, abraços, uma transa inesquecível regada a vinho e céu estrelado em um parque em Paris. E a gente espera por isso no segundo, mas são obviedades desnecessárias. A paixão brota dos olhos dos protagonistas. E o tempo sempre correndo contra eles.
Mas agora não mais. Jesse quis perder o voo de volta à vida seca e de aparências.
E nós, agora, temos todo o tempo do mundo.

quarta-feira, abril 08, 2009

Era uma vez

Era uma vez uma menina que tinha medo de se ver na tevê, adorava pescar sozinha na beira do rio, jogar taco com os vizinhos da praia, bater bafo com os guris no colégio, andar de bicicleta por caminhos inexplorados, tomar banho de mar ou de lagoa até os dedos murcharem, mergulhar muito, até o ouvido latejar, comer negrinho de panela, ouvir a avó ler fábulas do Esopo, escrever bilhetinhos fofos, redações para os colegas, ficar com a vassoura nas reuniões dançantes.
Era uma vez uma menina que cantarolava músicas em imbromation quando viajava de carro com os pais, detestava estar menstruada e saber que toda a vizinhança sabia disso, colocar as redes na lagoa em fim de tarde e buscá-las atrolhadas de peixes na manhã do dia seguinte, jogar vôlei mesmo sabendo que não dava pra coisa, brincar de esconde-esconde e cabra-cega só pra beijar o vizinho da praia, meu primeiro amor, ouvir o pai dele me chamar de norinha e repetir o bordão "o cara pode não prestar, mas o sogrão...", invadir o prédio do engenho e roubar saquinhos de arroz vazios, beijar o mesmo primeiro amor embaixo d´água pra que nossas mães não vissem.
Tanta coisa. Lembranças boas, tempo de esperança.
Olho no espelho e vejo um pouco dessa guria que cantava imbromation desde a tenra idade e que até hoje não perdeu a mania. Não jogo mais taco, já não bato bafo e meu primeiro amor virou bagulho e maconheiro. É... tempo malvado!
Ainda amo ficar submersa, comer negrinho de panela, e o pai do cara ainda me chama de norinha. O prédio do engenho virou ruína e andar de bicicleta, só se não tiver vento. Pescar perdeu a graça porque não tem mais lambari como antigamente e meu pai aposentou as redes. Hoje eu já sei disfarçar quando estou menstruada e, às vezes, deixo bilhetinhos fofos.
Olhando assim, até não mudei muito. Ah, não choro mais quando me olho na tevê, apenas lamento.

Back to Canada



Foram mais de dois anos de preparação, economias, pesquisa, receios, tratativas... para um mês.
Mas não um mês qualquer, o mês que mudou minha vida e pirou meu cabeção!
Dia 10 eu partia para a experiência única de explorar um lugar diferente sozinha, eu comigo mesma. Queria poder fazer isso todo ano. É um exercício de maturidade gigante. E de solidão também. Mas, acima de tudo, de valorização da família, das pessoas queridas que sentem a sua falta como nunca quando a gente tá milhares de quilômetros distante. A sensação de falar ao telefone com meu pai e minha mãe, a gente estando tão distantes, era algo inexplicável! Sentia a emoção na voz deles, a saudade incomensurável. Afinal, eu não estava a poucas horas de ônibus deles, estava a muitas horas de avião!
Mas uma coisa embolou muito o meio de campo: viajar apaixonada. Se tem uma dica magna pra dar, é essa. Porque a gente não aproveita a viagem. Pra todo lugar que se olhe, vem a lembrança da criatura. E a ânsia de voltar atrapalha de mais. Eu fui, curti e projetei uma volta ainda melhor, de virada geral. E dei com os burros n´água. E fiz terapia, e até hoje tenho fantasmas a me rondar.
Mas um dia eu faço uma viagem dessas de novo. Aí vai ser para aproveitar ainda mais, porque eu vou saber como curtir mais.
Canadá, dia 10, aí vou eu de novo, mesmo que em pensamento!

terça-feira, abril 07, 2009

Ele não está tão a fim de você, e eu sei!

Seria muito mais fácil esquecer se não soubesse que para você também é difícil.
Sabe qual a minha vontade? Ignorar a decisão tomada e partir pro ataque. Mas eu sou racional, apesar de toda coração. Não vou engolir a gota de juízo e o outro pingo de amor próprio que me sobraram. Vou fazer valer sua decisão e deixar que seja feliz ou sofra com ela. Sofrimento por sofrimento, todos o sentimos. Pena que a mim não resta perspectiva. Vida que segue.
Mas eu queria falar de Ele não está tão a fim de você. Nome de filme perfeito pro momento vivido. Ele, realmente, não está tão a fim de mim. Hahaha.
Tem uma coisa única no cinema. Dura poucos minutos, mas é uma viagem muito gostosa. É aquela hora em que a gente sai da sala com o filme ainda fresquinho na cabeça, e se sente o próprio protagonista. No caso, há vários personagens pra se identificar. Tem a principal, a guria desesperada pra conhecer um cara legal, mas que vive dando mancada. Até que o moço que a aconselhava vira seu grande amor e eles vivem felizes para sempre. Tem a gostosona (e põe gostosona, simplesmente a Scarlet Jonhanson) que conhece um cara casado e pira o cabeção dele. Aí ele conta pra mulher e eles se separam. E a gostosona fica só, assim como o cara casado e a mulher do cara casado. Tem ainda a guria que está há sete anos com um moço tri bacana, mas que tem urticária só de pensar em casamento, o sonho da vida dela. Aí ela decide terminar, porque julga não ser suficientemente amada por ele. Mas ele volta atrás e os dois reatam. Ele explica pra ela os motivos pelos quais jamais casaria e ela entende. Como grand finale, claro, ele pede a mão dela e eu deixo o cinema chorando.
Filmes...

sábado, abril 04, 2009

Em memória a nós

Quando você sorri, a boca se abre feito criança em êxtase. Como se fosse engolir toda a alegria do ambiente. É um riso gostoso, cheio. Cheio como seus lábios carnudos, que beijam macio. E eu sempre quero mais e mais e mais. Como resistir a dois pedaços do céu a tocar sua boca, roubar o ar. E a língua sempre na medida. Ronda minha boca e eu quero roubá-la, tomá-la para mim.
Quando você dorme é como se anjos guardassem seu sono. Não há sons, apenas o ar entrando e saindo dos seus pulmões. E a paz mais profunda brotando de seus poros. É quando a mais sublime serenidade toma conta de você, e me sinto pequena, menor, diante da grandeza do sono dos justos, dos puros de coração. Não consegui te observar muito enquanto dormia. Assim como eu, você também tem sono leve. A culpa, ela, a mesma que nos apartou, não permitia sequer que dormisse profundamente.
Há muito o que lembrar, mas as lembraças ainda doem, latejam como feridas abertas de um tombo no asfalto. Não, não, não deixe a culpa voltar. Mantenha ela à distância. A culpa cristã que nos acompanha desde o nascimento é mãe do sofrimento, da frustração, do arrependimento. Eu não me arrependo de beijar sua boca e entregar meu coração nas mãos de um anjo tão encantador, e puro, e inocente. Ele esteve sob a tutela do melhor dos guardiões.
Indescritível a sensação de paz e plenitude de deitar no gramado e fitar a copa das árvores, sentir o sabor do vento ao seu lado. Minutos preciosos de vida simples, de prazeres que há tempos não vivia. Aprendi isso com você. E nunca mais vou esquecer ou deixar de fazer, embora pareça sem sentido repetir isso sem você. Mas eu o farei. Em memória a nós.

quinta-feira, abril 02, 2009

I´m sensitive

Pobres vizinhos. Tem de aguentar Jewel tocando o dia todo. Jewel e seus gritos desesperados, seguidos dos meus, desafinados. Jewel cura!

"I'm Sensitive"


I was thinking that I might fly today
Just to disprove all the things you say
It doesn't take a talent to be mean
Your words can crush things that are unseen
So please be careful with me, I'm sensitive
And I'd like to stay that way.
You always tell me that is impossible
To be respected and be a girl
Why's it gotta be so complicated?
Why you gotta tell me if I'm hated?
So please be careful with me, I'm sensitive
And I'd like to stay that way.
I was thinking that it might do some good
If we robbed the cynics and took all their food
That way what they believe will have taken place
And we can give it to people who have some faith
So please be careful with me, I'm sensitive
And I'd like to stay that way.
I have this theory that if we're told we're bad
Then that's the only idea we'll ever have
But maybe if we are surrounded in beauty
Someday we will become what we see
'Cause anyone can start a conflict
it's harder yet to disregard it
I'd rather see the world from another angle
We are everyday angels
Be careful with me 'cause I'd like to stay that way

quarta-feira, abril 01, 2009

Piece of meat


Todos me usam. Usam meu corpo, usam minha mente, usam meu coração.
Todos, sem exceções. É impressionante a sensação de abuso, de aproveitamento. Como se eu fosse um pedaço de carne suculento, exposto no açougue, a preço bem baratinho, só um pouco de carinho e atenção.
Eu também quero usar, tirar proveito, abusar, molestar, abduzir, carnear. Quero sair do gancho do açougue, da câmara fria que me protege, e andar por aí a perturbar pessoas, tirar de seu sossego, transformar suas vidas num parque de diversões. Montanha russa, roda gigante, carro choque, passar por todos os brinquedos. E depois largar num canto do parque, afinal, pedaço de carne nem tem cérebro, muito menos sentimentos.
Tão fácil brincar com o pedaço de carne. Ele não reclama, não tem vontade própria, só espera acontecer. E o que prevê sempre acontece. A velha lógica do usar, abusar, comer tudo e jogar fora. Como se fosse possível se auto-regenerar em 30 segundos.
O pedaço de carne tá ficando gasto, sem gosto, sem suco, sem graça.
Porra, eu não sou um pedaço de carne qualquer. Nem uma picanha, um filé mignon, uma costela. Sou gente, bicho-homem, mulher. Sofro quando me fazem sentir pedaço de carne.
Mas sempre me fazem sentir assim. Seja o cara one night only, seja o bom moço. Todos vocês me usar.
Mas há de chegar o dia, como George Orwell previu, que os bichos vão se revoltar contra os homens. E eu, a vaca lider do bando, vou avançar sobre os homens com a fúria de manadas de búfalos, e não vai sobrar costela pra contar a história.
"Who will save your souls", canta Jewel no meu toca-CD.
I won´t.