segunda-feira, julho 11, 2011

A geração que parou de pensar

Dia desses me convidaram pra dar uma palestra pra alunos do terceiro ano do segundo grau. Tá bem, seria o último ano do ensino médio? Já nem sei mais. Mas o fato é que me empolguei, afinal, uns 15 anos atrás era eu quem participava da tal feira de profissões. Lá fui eu, então, encarar a horda de adolescentes espinhentos e, supunha eu, cheia de questionamentos e curiosidades insaciáveis. Bah, se arrependimento matasse... Experimentei o que os professores vivenciam diariamente. Entrei numa sala com uns 20 e poucos alunos, a turma barulhenta do fundão, as nerds das classes da frente, os hightechs com seus celulares. Pensei que faltaria tempo pra tanta coisa que queria falar. Que nada! A falta de interesse das pintas me fez brochar. Fora uma ou outra guria que sonha em ser cronista (aff!), o resto estava lá de corpo presente. Foram 20 minutos de total sofrimento. Minha voz enfraqueceu. Meu cérebro parou de funcionar. Acho que aquela turma me passou a falta de interesse por osmose e eu emburreci.
Terminado o purgatório, voltei pra casa como quem havia perdido uma guerra. Também levei na bagagem a sensação de desesperança de quem vislumbra um futuro pouco animador.
Afinal, o que querem nossos jovens?
Me sinto um pouco rebelde quando penso nisso. Parece que pertenço a uma geração que lutou por seus direitos, peleou para ter o que tem. Que nada, eu não passei pelo perrengue da ditadura, meus direitos já estavam garantidos desde o nascimento. Vivi a fase fodida da inflação estratosférica, vi meus pais contarem os trocados para nos garantir a melhor educação e as sagradas férias em Santa no verão. Quando nasci computador ainda era coisa estranha, pra poucos e muito ricos. Tinha aula de computação em que o desafio era fazer uma tartaruga andar na tela. Meus trabalhos cheguei a fazer em máquina de escrever, com pesquisas na Barsa, na biblioteca do colégio. Aí, mais perto de me formar, tínhamos o Word, o Internet Explorer. Gravei na memória as fotos dos pedaços de corpos dos Mamonas Assassinas que vi no computador de uma colega.
Eu apredi a pensar. A Internet não nasceu comigo, não corre no meu sangue. Eu corri atrás das novas tecnologias.
E essa turma que nasceu de um download?
O que será deles?
Olha... muito me preocupa essa galera que tem o cérebro atrelado à máquina. Que raciocina à base de pesquisas no Google, que tem o conhecimento tão vasto quando os caracteres de um tweet. Eles não têm iniciativa, dependem de alguém que lhes diga o que fazer o tempo inteiro. É como se precisassem de "enters" pra funcionar, saca?
Bah, tomara que eu esteja errada, mas que essa gurizada parece meio acéfala, ah parece!