Domingo, Julho 19, 2009

Findi em família

Vi parte do domingo passar na sala do apartamento dos meus pais.
Fazia muito tempo que isso não acontecia.
Almoçamos juntos e me joguei no sofá para jiboiar.
Assisti a Lendas da Paixão (pela oitava vez na vida, talvez) e mais alguns pedaços de outros filmes e séries.
Fragmentos que tento juntar pra reaprender a conviver com eles mais intensamente.
Mas de pronto confesso: eu não sei mais estar em família por muito tempo. Digo isso porque desaprendi a interagir, a fazer comentários vazios pra preencher o silêncio aberto pela intimidade perdida.
Eu sou silenciosa, confesso. Talvez fale mais com as paredes e espelhos do meu apartamento.
E meu silêncio incomoda minha mãe, incomoda meu pai. Os leva a pensar que estou triste, chateada.
Não é bem esse o sentimento. Pelo menos não o dominante, entre tantos que passeiam pelo meu cérebro em momentos de ócio nada produtivo.
O final de semana foi de vazio. Lacunas imensas a preencher.
Mas, muito providencialmente, minha dinda surgiu para ocupar alguns metros quadrados do meu ap e da minha folga dupla sem grandes planos.
Como sempre, foi ótimo. Pena passar tão rápido! Ela é, sem sombra de dúvida, a mais lúcida de todas as mulheres da família. Juntas, ninguém pode com a gente!
Mas eu ainda tenho muito chão pra percorrer até alcançar o nível de sabedoria dela!
Tamo no caminho!

Segunda-feira, Julho 13, 2009

Dia de celebridade

Queria entender porque lembro tão pouco da minha infância. Já perguntei pra minha dinda se passei por alguma situação traumática que pudesse ter bloqueado as lembranças do tempo em que ainda falava Obeita porque não conseguia pronunciar o R. Ou um pouco mais adiante, quando minha mãe foi correndo pro hospital dar à luz meu irmão. Desse episódio eu tenho uma vaga lembrança. A imagem é da minha mãe saindo pela porta do apartamento meio magra, quase sem barriga, e voltando pra casa com um ser muito parecido com minha boneca nos braços. Depois disso, só me lembro das duas dedeira de Nescau que eu tomava antes de dormir (porque ele não gostava muito e me cedia cordialmente a sua), das brigas homéricas, da luz do corredor acesa à noite pro guri não morrer de medo do escuro.
Buenas, tudo isso pra dizer que eu voltei no tempo ontem. Estudei no mesmo colégio a vida toda. Sempre fui uma aluna mais ou menos, tirando as matérias humanas. Nessas, volta e meia eu me puxava e tirava uns 10. Pois nessa segunda eu percorri os mesmos corredores onde eu parava para fazer fila pra entrar na sala de aula (no fim da fila, aliás, porque o jerivá aqui sempre foi mastodonte). Retornei ao colégio para ser metralhada por perguntas de 90 doces alunos de 3.ª série. Foi muito louco. Nunca fiz isso na vida, embora sempre tenha sonhado com essa experiência. Afinal, eu era a timidez em pessoa na escola. E agora, depois de muito levar na cabeça, acho que superei a vergonha de falar em público. Pelo menos para um público menor do que eu (hehehe).
Posso dizer que foi muito legal. Passei duas horas explicando como é ser jornalista. Duas horas falando sobre algo que julgo saber de cor e salteado. Jurava saber, né. Porque criança sempre consegue desarmar a gente.
Foi muito legal encontrar no meio daqueles rostinhos curiosos, pequenos com pinta de jornalistas. Adultos mirins comentando notícias com senso crítico, cobrando informações que não leram no jornal, mas que ouviram no rádio, viram na rua. E a tia aqui ficou meio sem jeito, claro.
No fim da coisa toda, ficou o carinho dos alunos mais fofos que vieram me dar beijos, abraços e fazer perguntas em particular.
E ficou a sensação de que eu sou alguém, afinal de contas.
Por duas horas, eu fui celebridade para aqueles pequenos fãs.

Domingo, Julho 12, 2009

Em novo ciclo

Acredito que nossas vidas funcionam em ciclos evolutivos. Acontecimentos nos levam a viver experiências que nos tiram o chão. Aí vem a reação, que pode ser de choque, de frustração, de desespero, mas que sempre resulta em crescimento e aprendizado.
Em se tratando de vida pessoal, eu sempre me senti uma fraca. Confesso ter dificuldade para tomar decisões que possam me sacar fora da zona de conforto. Morro de medo, pra ser mais exata. Se no profissional eu mato no peito, no pessoal eu chuto pra longe.
Mas é preciso encarar o monstro de frente. Se não tá bom, porque disperdiçar o hoje e talvez o amanhã vivendo mais ou menos? Ontem, no meio de uma experiência antropológica intensa e desafiadora, ouvi da boca de um cara uma frase muito verdadeira: "A gente tem que se sentir feliz e completo consigo mesmo. Dá pra não ser sozinho estando sozinho." Tá bem!
Desde sempre eu nutri um naco de solidão considerável dentro do peito. Vem de antes da adolescência. Vem duma maturidade precoce da época em que ainda tinha melenas naturalmente loiras. E essa maturidade juvenil teve seu auge no dia em que eu fitei uma tesoura com ímpetos de cravá-la no peito. Mas calma, o instinto suicida passou. Seria muito cruel com aqueles que me consideram. E o motivo torpe era por demais tosco. Há causas muito mais nobres que levam pessoas a dar cabo de suas vidas.
Mas volta e meia eu choro movida por um pensamento egoísta de abandono, de vazio. Eu choro de raiva dos outros e de mim mesma. Eu esbravejo como criança que ficou sem presente no Natal, como adolescente que passou o aniversário sem que ninguém lembrasse da data. É quando eu deixo falar aquela criança que eu calei na infância. É meu lado infantil, de carência de mimo e atenção, se manifestando tardiamente.
Mas já não dá mais pra pedir colo. Passei da idade. A infância ficou pra trás, assim como a adolescência e tantas outras fases que preparam para a idade adulta.
Eu me julgava muito madura, quase passada de mais. Mas vivi sintuações que me mostraram ter ainda muito o que aprender.
Agora tentei puxar na memória alguma coisa que me levasse de volta à infância. Lembrei que estou fazendo exatamente o que fazia quando me sentia confusa e perdida. Eu escrevia. Eu escrevo para clarear ideias, visualizar saídas, encontrar respostas. Pois elas estão bem diante de mim. Melhor, bem dentro de mim.
Se às vezes eu choro feito criança, é porque preciso desabafar, preciso deixar sair. Pra depois lavar o rosto, passar a maquiagem e encarar o mundo com toda a segurança que a carapuça me proporciona.
Experimentei situações de perda fortes nos últimos dias, mas também encontrei algo de muito valioso: me encontrei. Foi como acordar de um sono profundo, como despertar para mim e enxergar uma mulher forte e plena, que pode sim se bastar.
Não há atitude mais egoísta do que procurar no outro alguém para preencher vazios desconhecidos.
Os vazios preencho eu. E quando eles estiverem lotados de serenidade, paz e amor próprio, aí sim eu vou querer dividir.
Um ciclo de vazio se fecha, para dar espaço a outro transbordante de segurança e auto-conhecimento.
Hoje eu sei que vou amar de verdade quando me amar por completo.
Um dia eu chego lá e esse dia não tardará.

Segunda-feira, Julho 06, 2009

Lost in translation

A cabeça e o coração entraram em colapso. Não sei bem se foi um colapso, acho que foi uma conjunção astral, misturada a um daqueles momentos, "putz, como eu não tinha me dado conta disso ainda!"
Eu me esforço pra fingir, mas sou transparente. Se não tá bom, amarro os burros. Se tá ótimo, falo feito matraca trica. Problema é que esses dois estados podem acontecer muito próximo um do outro. E aí em posso parecer doida aos olhos de quem não me conhece direito.
O fato é que a aritmética da questão já apresentou seu resultado. Mas eu não curto lógica, não concordo que dois mais dois sejam quatro. Existem variantes, existem fatores externos e internos que influenciam no resultado, oras!
Ok, isso se chama auto-sabotagem. Isso é ver a coisa muito clara e óbvia na tua frente e negar o que se apresenta.
Não dá mais, eu sei.
Não vai mudar, eu sei.
Mas lá no fundinho eu penso diferente.
Lá no fundinho eu sou feliz com o resultado torto da equação.
Mas lá no fundinho é muito pouco, é muito mais ou menos, é muito distante.
Tem que trazer à tona, tem que ser bom na superfície.
Não precisa ser maremoto. Mas marolinha também não dá!
Quero onda pra fazer tubo, surfar legal, na crista. Quero o mar de Bombas, aquele mar meio instável, com altas ondas numa ponta e calmaria na outra. O mar de Bombinhas não rola.

Terça-feira, Junho 23, 2009

Na contramão

Que meeerddaaa! Escrevo esse texto pela segunda vez. Vai ver é pra fazer uma auto-análise mais profunda.
Basicamente, o conteúdo se referia à minha incansável jornada na contramão do fluxo, remando no sentido oposto da multidão, correndo contra o vento.
Porque todo mundo quer um emprego melhor, com salário melhor, pra poder comprar carro melhor, moradia melhor, ter tevê a cabo, chuveiro a gás, elevador. Eu não.
Eu fiz tudo errado. Atingi o limiar das péssimas escolhas. Hoje ganho mal, trabalho feito égua que puxa carroça de papeleiro e não ganho nem um muito obrigado.
Tô puta mesmo. Muito. Não é uma frustração com o emprego. A coisa é comigo. Eu ando na contramão porque, até certo ponto, fazer isso era reconfortante. Agora deu, né! Até porque, as figurinhas do jogo mudaram quase todas. Só sobraram os canastrões e os coitados. E aí, olhando sob essa ótica, eu faço parte desse bando de loosers.
Eu sou aquele bicho que cisca pra trás e passa a vida catando minhoquinha no chão pra sobreviver.
Cruzes, como me odeio por isso! É decadente de mais chegar a essa altura do campeonato e ver que sou o resultado das minhas escolhas e que o score é vergonhoso. Queria estar lá do comecinho de tudo, quando cada novo emprego era uma conquista. Agora, cada velho emprego é uma derrota!
Sair da cama pra quê? Voltar pra casa pra quê? Pra dar de cara com a janela da sala podre e cheia de vazamentos, com a janela do quarto prestes a alçar voo, com o parquet se auto-destruindo, os móveis sendo consumidos por cupins. Sem falar na geladeira vazia, no leite que terminou, no gás do fogão quase no fim e no tanque do carro (financiado) na reserva.
É uma vida maravilhosa ou não? Sonho de consumo do jornalista fracassado!
Por isso, crianças, façam uma faculdade que ao menos exija diploma pro exercício da profissão.

Quinta-feira, Junho 18, 2009

Show must go on

Não sei mais de onde tirar motivação pra sair da cama todo dia de manhã. De repente, da esperança de um dia as coisas melhorarem. Ou talvez do otimisto que me é nato. Não, não sou mais uma otimista nata. Me transformei numa pessimista ocasional.
Ontem, meu time foi desclassificado da Libertadores e meu diploma passou a não valer nada.
Em que mundo vivemos? Que democracia é essa? Tenho medo do que vem pela frente. Tenho medo de ser subtituída por auto-didatas ditos jornalistas por vocação, que aprenderam a fazer jornalismo na lida. Ok, eu confesso que aprendi assim também. Mas descobri minha vocação e fui atrás de formação, como faz o cara que quer ser médico, engenheiro, psicólogo etc.
Que geração de jornalista teremos nos próximos anos? Do tipo que tá pouco se lixando pra vida do cara que vai expôr no jornal? Do tipo que tem preguiça ou nem sabe que precisa ouvir as 20 versões do fato?
Enfim, perdi o tesão pela coisa. Não quero mais ganhar pouco e ver minha profissão poder ser exercida por qualquer babaca. Ok, sei que não vai perder emprego o cara que continuar se qualificando, seja nos bancos universitários, seja na vivência diária. Mas que dá nojo de ver um bando de ministros irresponsáveis decidir o futuro do jornalismo dá!

The Show must go on! (Queen)
Inside my heart is breaking,
My make-up may be flaking,
But my smile, still, stays on!
Whatever happens, I'll leave it all to chance.
Another heartache - another failed romance.
On and on!
Does anybody know what we are living for?
I guess i'm learning
I must be warmer now..
I'll soon be turning round the corner now.
Outside the dawn is breaking,
But inside in the dark I'm aching to be free!

Quarta-feira, Junho 17, 2009

The show must go on

Empty spaces - what are we living for Abandoned places - I guess we know the score On and on, does anybody know what we are looking for... Another hero, another mindless crime Behind the curtain, in the pantomime Hold the line, does anybody want to take it anymore The show must go on, The show must go on Inside my heart is breaking My make-up may be flaking But my smile still stays on. Whatever happens, I'll leave it all to chance Another heartache, another failed romance On and on, does anybody know what we are living for? I guess I'm learning, I must be warmer now I'll soon be turning, round the corner now Outside the dawn is breaking But inside in the dark I'm aching to be free The show must go on The show must go on Inside my heart is breaking My make-up may be flaking But my smile still stays on My soul is painted like the wings of butterflies Fairytales of yesterday will grow but never die I can fly - my friends The show must go on The show must go on I'll face it with a grin I'm never giving in On - with the show - I'll top the bill, I'll overkill I have to find the will to carry on On with the - On with the show - The show must go on...