segunda-feira, novembro 14, 2011

Sem mais para o momento

Queria falar das tantas coisas boas que me aconteceram desde que o conheci. Queria confabular a respeito dos tantos planos, das tantas conquistas e do tanto mais que há por acontecer. Mas a última fagulha de energia que restava em meu corpo se foi. E agora é oficial: desisto. Desisto de lutar contra essa vontade absurda que me toma de mudar. Cansei de ouvir conversas que me desagradam. Cansei de papos que não me interessam. Cansei, especialmente, de abrir mão do meu bem estar em benefício dos outros. Cansei de me deixar em terceiro, quatro plano. Cansei, cansei, cansei. Mas por favor não pense que nada disso é culpa sua. Não! Nunca! Você é tudo de mais maravilhosos que existe em minha vida. Você é o motivo de todas as minhas alegrias, simplesmente não há do que reclamar. Você entrou em minha vida com lanternas e velas acesas, pronto para iluminar meu ser, me encher de luz.
Mas eu cheguei no meu limite. Não há mais motivos para sair de casa, abrir mão da sua companhia, e encarar o monstro que se apresenta diante de mim diariamente.
A culpa é toda minha. Eu deixei chegar nesse ponto. Eu cultivei essa erva daninha que tomou conta do meu pensamento e hoje não há mais frutos para colher, a não ser os que você me dá.
Deve ser a tal crise dos 30, só pode. É a encruzilhada da vida que se arma diante de mim, impondo atitudes, exigindo escolhas, querendo que eu seja adulta e não mais uma jovem saltitante.
Meu Deus, a vontade que tenho é de sumir! Sumir pra que não me peçam pra fazer nada, resolver nada, quebrar galho nenhum, refazer trabalhos mal feitos de ninguém...
Tenho noção de que somos o resultado de nossas escolhas e há momentos em que me arrependo das minhas. Por que marquei jornalismo no vestibular? Por que não encarei com seriedade o concurso para o Banco do Brasil, por que viajei e quis voltar? É claro que, muito possivelmente, caso eu não tivesse tomado essas decisões, não teria o conhecido. Aí não valeria a pena.
Mas eu preciso esperar. Só mais alguns meses. É para o plano seguir seu curso e as melancias se acomodarem no andar do caminhão.
Me odeio revoltada. Não me reconheço. Não me encontro.
A parte boa disso tudo é que uma hora passa, e aí é rir do próprio beiço.

segunda-feira, julho 11, 2011

A geração que parou de pensar

Dia desses me convidaram pra dar uma palestra pra alunos do terceiro ano do segundo grau. Tá bem, seria o último ano do ensino médio? Já nem sei mais. Mas o fato é que me empolguei, afinal, uns 15 anos atrás era eu quem participava da tal feira de profissões. Lá fui eu, então, encarar a horda de adolescentes espinhentos e, supunha eu, cheia de questionamentos e curiosidades insaciáveis. Bah, se arrependimento matasse... Experimentei o que os professores vivenciam diariamente. Entrei numa sala com uns 20 e poucos alunos, a turma barulhenta do fundão, as nerds das classes da frente, os hightechs com seus celulares. Pensei que faltaria tempo pra tanta coisa que queria falar. Que nada! A falta de interesse das pintas me fez brochar. Fora uma ou outra guria que sonha em ser cronista (aff!), o resto estava lá de corpo presente. Foram 20 minutos de total sofrimento. Minha voz enfraqueceu. Meu cérebro parou de funcionar. Acho que aquela turma me passou a falta de interesse por osmose e eu emburreci.
Terminado o purgatório, voltei pra casa como quem havia perdido uma guerra. Também levei na bagagem a sensação de desesperança de quem vislumbra um futuro pouco animador.
Afinal, o que querem nossos jovens?
Me sinto um pouco rebelde quando penso nisso. Parece que pertenço a uma geração que lutou por seus direitos, peleou para ter o que tem. Que nada, eu não passei pelo perrengue da ditadura, meus direitos já estavam garantidos desde o nascimento. Vivi a fase fodida da inflação estratosférica, vi meus pais contarem os trocados para nos garantir a melhor educação e as sagradas férias em Santa no verão. Quando nasci computador ainda era coisa estranha, pra poucos e muito ricos. Tinha aula de computação em que o desafio era fazer uma tartaruga andar na tela. Meus trabalhos cheguei a fazer em máquina de escrever, com pesquisas na Barsa, na biblioteca do colégio. Aí, mais perto de me formar, tínhamos o Word, o Internet Explorer. Gravei na memória as fotos dos pedaços de corpos dos Mamonas Assassinas que vi no computador de uma colega.
Eu apredi a pensar. A Internet não nasceu comigo, não corre no meu sangue. Eu corri atrás das novas tecnologias.
E essa turma que nasceu de um download?
O que será deles?
Olha... muito me preocupa essa galera que tem o cérebro atrelado à máquina. Que raciocina à base de pesquisas no Google, que tem o conhecimento tão vasto quando os caracteres de um tweet. Eles não têm iniciativa, dependem de alguém que lhes diga o que fazer o tempo inteiro. É como se precisassem de "enters" pra funcionar, saca?
Bah, tomara que eu esteja errada, mas que essa gurizada parece meio acéfala, ah parece!

Relaxar é preciso

Querido diário, este é meu primeiro dia de férias. Pergunta se eu passeio o dia atirada no sofá, de pijama e meias listradas, de pernas pro ar, enrolada num cobertor, zapeando freneticamente? Que nada. Tá, um pouco sim. Bem pouco, menos que deveria, talvez. Essa fase é meio estranha, indefinida. Estou aqui, no aconchego do lar, enquanto os colegas estão lá, na labuta. E há dois dias eu também estava lá. O que quero dizer é que não deu pra desligar, desapegar, relaxar, descansar, desencanar, descansar, desanuviar, espairecer... O ócio não tomou conta. A cada instante, me pego a pensar no que fazer daqui a pouco e amanhã, e depois de amanhã, e depois de depois de amanhã. Sabe o que é isso? É coisa de quem, parefraseando um colega, vive na conectividade, na interatividade, nesse mundão virtual e real que deixa nossa cabeça piradinha, funcionando sem parar, até que todas nossas forças se esgotem, até que a conexão desconecte, que o digital volte ao analógico, que os pés sintam o chão e o papel imprima as notícias velhas do dia que já passou.
Buenas, mas voltando ao primeiro dia oficial de férias... acessei minha caixa de e-mails da firma cinco vezes e li o site mais do que quando estou no serviço. Pra tentar despistar a mente que ainda está lá na redação, fiz um bolo, caminhei uns três quarteirões para pagar contas, fiz compras com muita calma, passeando pelos corredores como quem tem tempo de sobra pra pesquisar preços, comparar produtos, escolher a fruta mais bonita... enfim, brinquei de dona de casa.
Diferentemente dos outros dias, hoje o tempo está demorando a passar. Sei o porquê. É só porque estou de olho nele, tentando negociar que passe mais de vagar, quase congele.
Tomara que tenha conseguido enrolar o dito.
Cenas dos próximos capítulos....

domingo, fevereiro 13, 2011

Sobre irmãos

Diz minha mãe que quando meu irmão nasceu eu, do alto dos meus quatro anos, quis voltar a mamar no peito dela. Nojento, hein? Mas argumentam os especialistas que é puro ciúme. Claro que eu provei, detestei e voltei pra boa e velha dedeira de Nescau.

Ocorre que esse guri entrou na minha vida pra esculhambar. Primeiro, porque até então eu era a dona absoluta do meu quarto, o que deixei de ser a partir daquele 6 de outubro de 1984. Não bastasse a invasão total de privacidade, o guri ainda passou os longos 16 anos de convivência mútua dividindo parco espaço de 18 metros quadrados roncando. Quer mais? E tem... o pentelho não dormia sem que a luz do corredor não estivesse ligada. Pergunta nos olhos de quem a maldita luz refletia? Claro que nos meus.

Mas a pior parte de dividir quarto com o irmão era querer ficar sozinha curtindo um som e pensando no gatinho e a peste não colaborar. Bah... passei poucas e boas! Sem contar que quando a gente divide quarto não pode convidar coleguinha pra dormir em casa... a única visita que dormia entre nossas camas era a vó Hilde. E essa hóspede era das mais aguardadas. Na hora de dormir, era lei ela nos ler fábulas do Esopo, e, obviamente, meu irmão tinha preferência na escolha... sempre tinha que começar com a dos Sete Cabritinhos. Essa lembrança ficou tão marcada que nem lembro das fábulas que eu mais gostava.

Sabe de uma coisa boa de ter passado esses anos no mesmo quarto do Vitor? Ele não curtia tomar mamadeira todos os dias antes de dormir. O que eu fazia? Tomava a minha e depois a dele, claro.

Não sei se aquele tempo nos marcou tanto que, depois de 16 anos sob o mesmo teto expremido, enjoamos de nossas caras. Ocorre que lamento muito nosso atual distanciamento. Do guri xarope daquela época, super elétrico e sempre arteiro, sobrou um rapaz casado, trabalhador nota 10, de poucas palavras e super tranquilo.

Quando visito minha avó e minhas tias, a pergunta é recorrente: "Como tá o Vitor?" A resposta, sempre a mesma: "Não sei". Que vergonha.... moramos na mesma cidade, não quebramos os pratos ou coisa do tipo... simplesmente não cultivamos o hábito de trocar telefonemas, promover rodas de chimarrão em nossas casas, aquela coisa de cumadre e cumpadre.

Embora tenha passado grande parte da minha vida querendo ver o pirralho longe, para que eu pudesse voltar a reinar absoluta, hoje sinto como se não tivesse irmão. Coisa feita de se dizer. Um pecado até! Mas minha família tem essas esquisitices.

Tira um tempo com a minha mãe. Ela pode passar meses na praia e não me ligar uma vez sequer pra saber como anda a vida.

Tosco, eu sei. Mas a dona Susana é meio arisca pra telefones...

Ademais, cada um vai tomando seu rumo na vida e, de repente, nossos caminhos já não se interligam mais. A gente já não vai pra escola juntos, não estuda inglês juntos, não dorme no mesmo quarto. E o que nos identifica são traços semelhantes e o sobrenome igual. Nem os interessesm se assemelham. E de pensar que naquele tempo a gente respirava o mesmo ar, eu sabia dos cacuetes dele, ele manjada todos meus podres. Só sei que ele continua com um péssimo hábito. Constatei isso esses tempos na praia: continua assoando o nariz na pia, em alto e bom som, pra toda casa ouvir.

Quem sabe as coisas mudam, a necessidade de participar da vida um do outro volte e a gente até promova um revival das brigas, como nos tempos do apartamento da Gomes Jardim.

Saudades do Vitor.

domingo, outubro 24, 2010

A meus mestres, com carinho

Dia 15 foi Dia do Professor. A data já passou, mas encasquetei que precisava escrever algo em homenagem aos responsáveis por ser quem e como sou. A tia Vanda, do prezinho. A profe Célia, da 1.ª série, que deve ter passado o maior perrengue pra me ensinar a escrever o sobrenome mais cheio de consoantes que conheço. A profe Leonor, que numa dessas coisas inexplicáveis da vida, entrou pra família. A profe Márcia, 1,80 e tantos de muita disposição. Teve também a Verinha, o Alfredo, as Cátias, a Luciana, a Vera Lúcia, a Ana Maria, o Dário, a Poliana, a Cleci, a Rosa, a Silmara, o Tailor... Um capítulo à parte são os mestres da Matemática. Putz, como sofri tentando resolver cálculos e equações. Um alo para a Andréia, o João e, um muito especial abraço ao professor Alípio. Nem acredito que sobrevivi à hipotenusa e seus catetos. Sem falar nas tangentes, cotangentes... cruzes! Tem uma turma de professoras, no entanto, que merece minha mais especial consideração. Se eu tinha pesadelos com as contas da Matemática, era no Português que me esbaldava. Grandes mestras a Carmem, a Jussara e a Juliana. Guardo com o maior carinho as redações daquele tempo, escritas com palavras escolhidas a dedo no Aurélio. Por culpa delas, a classe jornalística ganhou mais uma integrante. E que coisa boa descobrir-se com talento para a escrita ainda nos bancos escolares. Está certo que o sonho era mesmo virar escritora, mas readaptei a aspiração e virei escrivinhadora do cotidiano mesmo. Mas tem uma mestra, também professora, que tenho o prazer de ter em minha vida para sempre. É a profe Susana, minha mãe. O negócio dela era Educação Física. E que ginástica fazia para carretear eu e meu irmão para as aulas de futebol, vôlei, inglês, dança... ufa! A todos os professores que passaram, ficaram e hão de passar na minha vida, meus mais sinceros agradecimentos. Vocês são formadores de caráteres, de cidadãos, de futuros profissionais comprometidos em dar o melhor de si pelo bem comum. Parabéns, queridos professores!

domingo, setembro 05, 2010

Eu dancei lambada

Você, que está na casa dos 30 anos, deve sentir uma nostalgia (ou seria vergonha?) quando passa na tevê a propaganda de certa cerveja que resolveu ressucitar Beto Barbosa e sua indefectível Adocica. Talvez eu pague um mico danado, mas vou abrir meu coração pra contar que sim, eu tinha fitinha (s) cassete do Beto Barbosa. Eu também tinha uma saia especial para dançar o ritmo que marcou minha infância: a lambada. Sim, eu dancei lambada ao som de Beto Barbosa, e também do Grupo Kaoma. Minha parceira de dança era a Luciana, vizinha da minha avó, lá no bairro Ouro Branco. E como a gente se divertia! Além de treinar horrores na frente do espelho para acertar os passos ao ritmo da música, à tarde, depois de terminar os temas, eu pegava o micro system da sala, levava pro quarto, fechava a porta e sintonizava na rádio que costumava tocar lambadas. Preparava a fita virgem e ficava naquela tensão, esperando o refrão "Chorando se foi quem um dia só me fez chorar..." Pior era quando a gente acertava o tempo da música e o radialista largava no meio do som o nome da rádio. Mas não dava nada, o importante era poder reproduzir o sucesso do Kaoma à exaustão e bailar até gastar o carpete.
Depois da lambada veio New Kids on The Block (quem não lembra de Step by Step uhhh baby). E bem depois teve Spice Girls e Back Street Boys. Nessa fase era barbada. Já existia o CD, e não era preciso acertar o tempo da fitinha para garantir a gravação.
Pensando melhor, seja qual for a geração, o mico é garantido. Acho que a última leva a se salvar foi a dos anos 70, quando o lixo fonográfico era mínimo. Certamente, meus pais não têm do que se envergonhar. Curtiram a adolescência ouvindo James Taylor e Joe Cocker.
Mas convenhamos que venerar Calypso, Fiuk, Luan Santana e dançar Rebolation, daqui a uns anos, vai ser vexatório para o currículo de qualquer um. Ah, se eu tivesse sido apresentada ao bom e velho rock and roll antes disso... certamente, me salvaria da lambada.

domingo, agosto 01, 2010

Vida de casada

Faz tempo que não passo por aqui.
Não sei se por falta de tempo, falta de assunto, perda de interesse.
Acho que um pouco de cada.
Nesse meio tempo, superei a perda da vó, comecei efetivamente a brincar de casinha com meu namorado, demos o pontapé inicial na procura de um cantinho pra chamar de nosso, fiz uma nega maluca espetacular, "acho" que consertamos um vazamento no banheiro, fiquei mais loira, tive uma coluna sobre a visão feminina da Copa do Mundo. Ah, o Brasil não ganhou a Copa... aliás, quem ganhou mesmo? Opa, a Espanha.
Enfim... bastante coisa, até.
Em outros tempos, assunto pra post eram festas, novos affairs, velhas decepções, aquela choradeira da solteirice. Porque por mais que a gente queira se autoenganar que é a pessoa mais feliz do mundo, dona de si, senhora do destino, dona da festa, dormir sozinha no inverno é uma merda!
Meus assuntos agora são outros. Aliás, meus interesses mudaram. Meu horizonte não tem mais a nuvem de fumaça do cigarro da balada. Muito menos o gosto de guarda-chuva molhado depois da esbórnia.
Agora eu quero ter meu canto. Ups, melhor: queremos ter nosso canto.
E como é difícil encontrar algo que agrade aos olhos e ao orçamento!
Estamos engatinhando ainda... é preciso olhar muita coisa pra ter uma opinião formada, tomar a grande decisão de assumir um financiamento que vai te acompanhar pelos próximos 20, 30 anos.
De uma coisa a gente tem certeza: queremos viver esse lance.
Brincar de casinha é tri! Mas só é tri quando é com a pessoa certa. Precisa ser um desejo mútuo, em que ambos estejam dispostos a cooperar.
Esses dias paramos pra pensar e constatamos que, em quase nove meses de "gestação", a gente não brigou uma vez sequer. E olha que, quando emburro, nem eu me aguento.
Mas sabe porque a coisa tá funcionando? Porque a gente fala. Tudo. Se um não tá bem, o outro logo pergunta o que tá rolando. Aí não há espaço para minhocas na cabeça. E por mais que o que seja dito incomode, pelo menos foi dito e pode ser resolvido.
Tá muito legal. De verdade. Se eu armo o beiço, ele vem com palhaçadas pra me fazer rir. Se ele tá de baixo astral, eu vou lá fazer cosquinha.
E quando cozinho – sim, eu encaro as panelas –, me esforço pra agradar. E aí rola todo aquele elogio e tal e coisa.
Engraçado tudo isso.
Meses atrás minha programação era ir almoçar todos os dias com meus pais. Afinal, fazer comida só pra mim era pedir pra desperdiçar, ou então encarar o mesmo rango dias a fio. Meu dia era pautado pela hidro, pela Ana Maria Braga, pelo banho às 11 horas, uma espiada nos e-mails e o almoço com os progenitores.
Agora, preciso de doses extrar de motivação para sair do conforto da cama quentinha, com meu amor do lado, pra encarar as aulas de hidro. Não fosse o aquecedor humano, finalmente me livrei da cama de faquir, criei vergonha na cara e comprei uma baita duma box queen... e que noites de sono bem dormidas! Pior que ainda não tão bem dormidas.... esse negócio de dividir o leito não me pertence... qualquer movimento é o suficiente para que eu desperte, é um saco! Mas acho que uma hora passa... porque dormir acompanhada é beeemmm melhor do que sozinha, vamos combinar.
Estamos nos descobrindo diariamente. Eu, um pouco inquieta com o jeito dele de tocar a vida, ele também desconfiado dessa minha certeza de querer, sim, ter uma vida a dois com tudo que se tem direito.
A gente tem passados diferentes, mas muito afins. A gente pintou e bordou, experimentou (quase) tudo que podia, farreou a valer, beijou, transou, dançou de monte, mas agora quer sossegar o faixo e acertar. Não há mais tempo para errar. Os 10 anos que nos separam, para mim, inexistem. Não entrei nessa pra perder, muito menos pra ficar na brincadeira. Meu negócio é sério, pra vida toda, e não é qualquer um que tem as qualidades necessárias e os defeitos igualmente preponderantes pra que a vida a dois seja tolerável.
Buenas, deu pra ver que a vida vai indo, me levando.
Hora de dar tchau.

sábado, maio 22, 2010

Foi-se a infância

Nossos avós são a ligação que temos com a infância. Perdê-los é como soltar a mão na brincadeira de roda e cair no chão. O tombo dói, nos faz chorar, e a gente jura que nunca mais vai brincar de novo.
Essa semana perdi minha avó Myrna. Nossa dama de ferro, nosso porto seguro, nossa fortaleza. Doeu mais que tombo. Mas ao mesmo tempo entendi que assim tinha de ser. Fosse eu, talvez não tivesse aguentado os três anos que segurou sem a companhia de meu avô Cip. Que sentido teria uma vida quando se perde o companheiro de 53 anos? Na real 58, porque ela o conheceu com 15 anos. Mas ela segurou por três anos, talvez para poder ver um dos netos casar. Eu, neta mais velha, não consegui lhe dar essa felicidade. Mas onde quer que esteja agora, é claro que vai iluminar meus passos, de algum jeito olhar por mim. Assim como o faziam antes o vô Cip e a Milha.
Acho que agora ficamos todos adultos. Mesmo minha prima mais nova, a Laura. Aos 10 anos, acompanhou os rituais de sepultamento. Ora com sorriso no rosto, ora com lágrimas insistentes. Meu primeiro velório foi da bisa Tony. Tinha 9 anos e essa avó que se foi terça passada, dia 18, pegou minha mão e a colocou sobre a da bisa, dizendo que deveria rezar e me despedir dela. Desde então, virou incômodo colocar a mão sobre as mãos de quem já se foi. Mas tudo bem, fiz o que ela me ensinou.
Há cenas que me marcam muito nesses momentos de despedida. Uma delas foi ver meu irmão entrar aos prantos na capela. Já tinha visto isso quando do velório da Milha. É de cortar o coração. Ver os olhos do meu pai marejados e tímidas lágrimas escorrerem deles também foi forte. A última vez que isso tinha acontecido foi quando nos revimos depois da viagem que fiz pro Canadá. Mas foi um choro de felicidade, de saudade.
O que mais me conforta nessa situação é poder ter feito pra minha avó Myrna uma última homenagem, e bem do meu jeito. Ela foi assunto de um artigo lido por milhares de pessoas. E o artigo virou assunto do casamento do meu irmão no dia 8 e também do velório, 10 dias depois. Escrever, afinal, é o melhor jeito que encontrei de expressar o que sinto. Se for falar, não vai sair.
Também vai ficar na minha memória, para carregar para as próximas gerações de Pschichholz a tarde das bolachas de Natal. Eu, ela e a Laura passamos esse dia juntas, fazendo bolachinhas cujas receitas ela aprendeu com a mãe dela. Inclusive, com forminhas que foram dela. Pura nostalgia! Quem, nesse corre-corre dos dias, tira tempo para fazer bolachinhas de Natal com a vó? Eu. E me arrependo amargamente de não ter passado mais tempo com ela, de ter feito mais cafuné, ter lhe escrito mais textos, presenteado com mais flores.
É por isso que, a partir de agora, vou me agarrar à última guardiã da minha infância: a vó Hilde. Meu anjinho vai ter de me aturar com mais frequência. E vai ter de segurar as pontas até o dia do meu casamento, do nascimento dos meus filhos. Quero poder estar presente no dia em que ela ler as fábulas de Esopo para os meus pequenos.
Ciclos da vida... uns morrem para que outros nasçam ou mesmo renasçam depois de uma perda.
É hora de fazer uma nova tattoo... e vai ser o Santo Anjo.