E você, tem medo de quê?
De perder as pessoas que amo.
De acompanhar o sofrimento dessas pessoas e não poder fazer nada.
Do tempo que, depois dos 15 anos, começou a passar muito rápido.
Da solidão compartilhada. Explico: de estar acompanhada mas estar sozinha, no meu mundo, impenetrável, indecifrável, inintendível.
De amar de mais.
De sofrer por amor.
De não ser capaz de guardar na memória pessoas amadas que um dia vão me abandonar/já me abandonaram.
De não conseguir pagar as contas e precisar usar o cheque especial.
Dos tantos crimes que andam acontecendo indiscriminadamente ao meu redor e de que eles se tornem banais.
De que essa crise da qual tanto se fala não passe nunca.
De que os cupins voltem a consumir móveis e esquadrias ao meu redor.
De atrasar o fechamento do jornal.
Da crítica do dia seguinte.
De parecer insegura.
De perder a ternura.
De ficar sedentária por muito tempo.
De voltar a fumar.
De beber de mais.
De pirar e não voltar à realidade.
De morrer? Não. Desde que seja uma morte rápida, sem rodeios, sem sofrimento. Embora a ideia de deixar para trás pessoas que sofreriam com isso não me agradar nem um pouco.
De morrer.




