terça-feira, março 25, 2008

Aí você me pergunta: _ E a expectativa, correspondeu?
E eu respondo, com um sorrriso largo e os olhos marejados: _ Sim! Demais!
Chorei feito criança abandonada no aeroporto no final desta manhã. Vi você passar pelo corredor de acesso à aeronave e não consegui segurar a água que brotava dos olhos. O aperto no peito roubou meu ar, levou meu chão, me pôs em desespero.
Mas agora estou tranqüila. Tenho convicção de que nossos caminhos se encontraram por algum motivo muito especial. Ninguém aparece assim, de uma forma tão improvável, se não for pra valer. E não vão ser alguns milhares de quilômetros que me farão desistir de viver esse amor.
Tanto eu como você nos surpreendemos com a química de cheiros, gostos, de pele, de calor e de gozo, muito gozo. E não é algo que se encontra assim, à revelia. É providencial, divinamente providencial!
Queria dizer eu te amo, mas contive o impulso. Ia brotar naturalmente da boca. Mas seria prematuro. Por enquanto, é paixão, eu sei.
Mais uma vez, a expectativa.

segunda-feira, março 17, 2008

Família

Fez uma semana, ontem.
Ainda bem que essas coisas se resolvem com o tempo.
Assisti a uma briga em família. Minha mãe e minha avó, mãe do meu pai. Foi surreal. Todos à mesa se calaram. Ficou apenas o som do choro e dos gritos delas. Eu, pra variar, chorei copiosamente. Não queria acreditar que estava assistindo àquilo.
Mas todos sempre souberam que elas viviam às rusgas. Mas a antipatia sempre foi velada. Quando minha mãe dirigia a palavra a ela, sempre sentia um frio na barriga. A dona Myrna teimava em interpretar os ditos da mãe como ofensas à sua ilustre pessoa.
Nervos à flor da pele. E não há ser, por mais germânico, hitleriano, estóico, senhor de si, frio e calculista que seja, que um dia não estoure. E quando o estouro acontece depois de aaannoooosss de ressentimentos acumulados, a coisa tende a ser feia.
E foi. Não sei se elas voltarão a se falar.
O mais doido de tudo é que ninguém sabia a quem amparar. Meu pai, tadinho, ficou no meio do caminho entre uma e outra, até decidir pela mulher, que chorava em bicas.
Dona Myrna sempre foi a tradução do termo dona. Quer ser dona da situação, saber da vida de todos, comandar os rumos familiares. É isso que sobra quando os filhos já estão criados: saber da vida alheia e, claro, dar pitaco. Mais ainda agora, que estão ela e seus botões morando a sós desde a morte do meu avô.
Mais do que ninguém, eu me dividi. Primeiro, veio a raiva da minha mãe. O aperto no peito quando abria a boca e a direcionava a minha avó não era gratuito. Ela, de fato, não sabia medir as palavras... falava num jeito ríspido, enquanto os outros falavam o mesmo, mas com um sentido irônico, leve. Eis que dona Susi resolve mostrar um pote de sobremesa sujo enquanto a vó servia o doce. É verdade, a vó anda muito desleixada com a limpeza... com o intuito de, porcamente, poupar água quente, detergente... e a merda voou no ventilador.
Por conta desse comentário ácido de Susana, acabei tomando as dores da vó. Fui apartá-la, ampará-la, mostrar solidariedade. E senti o ressentimento da mãe arder em minhas costas. Sei lá, ela é mãe do meu pai, está viúva, confusa, perdida. É compreensível que estoure. Embora saiba que ela se aproveita dessas situações para se vitimizar.
Triste, muito triste. Somos poucos, somos bravos, mas guardamos muito ressentimento no peito. E isso não faz bem. Por isso eu choro, xingo, esbravejo.
Família...

domingo, março 16, 2008

Expectativas

Não lembro de algum período da minha vida em que tivesse experimentado tantas expectativas espetaculares como agora.
Uma áura de positivismo me preenche por conta delas. Pode rolar a merda que for, minha mente está preparada pra superar as adversidades, pensando justamente no que vem pela frente.
Pra mim, expectativas são a cereja do bolo. O bolo pode não ser muito bom, mas a cereja compensa a decepção, caso ela aconteça.
Quando rola um convite pra festa, por exemplo, fico em êxtase. Ligo o rádio, ponho um som legal (Madonna, algo dos 80´s), tomo um banho prolongado, separo as opções de roupa, fumo um cigarrinho, bebo uma ceva ou algo do tipo, escolho os acessórios e, então, entro numa das melhores partes da festa. Os preparativos.
Me esbaldo na hora da maquiagem. Amo maquiagem. Desde que me conheço por gente, quando fuçava na necessàire da minha mãe, em busca de batons, blushs, sombras e derivados. Depois de anos encarando a maquiagem como algo essencial para esconder espinhas e poder encarar o mundo sem medo de ver os olhares desviarem pros vulcões brotando na testa, hoje posso usá-la quando a ocasião merece. Graças a Deus, acho que, enfim, sobrevivi aos percalços da adolescência. Aliás, já vai tarde!
Buenas, nessa fase gasto uns 30 minutos. Intercalo com outro crivo, mais uns goles etílicos, e aciono na minha cabeça um botãozinho mágico, que me leva a curtir muito esses preparativos. Muitas vezes, mais do que a própria festa.
Mas as expectativas que experimento hoje são infinitamente mais significativas e importantes que festas. Estou prestes a conviver por seis longos e deliciosos dias com uma pessoa fantástica e, não bastasse isso, em breve embarco para a viagem da minha vida.
Acho difícil que a expectativa, nesses casos, seja melhor do que a experiência. Mas é sempre um risco. Afinal, nessa fase ansiosa a gente viaja no pensamento, cria situações fantasiosas e espera que elas se cumpram. O encontro no aeroporto, o abraço apertado que a gente quer que nunca termine, o beijo mais apaixonado que já se deu, o olhar penetrante que, por si só, já é uma declaração de amor. É claro que espero tudo isso. E muito mais!
Mas só vivendo pra saber...