segunda-feira, novembro 20, 2006

Eu e Eliane; Eliane e eu

Fazia tempo que não deglutia um livro. Que sensação espetacular. Minto, não fazia tanto tempo assim, mas com tamanha intensidade... depois de A Casa dos Budas Ditosos... ok, não há como terminar aquele livro e não sentir o corpo quente, a cabeça perdida em pensamentos deliciosamente pecaminosos. Mas A Vida que Ninguém Vê emociona, empolga, mostra uma vertente da profissão jornalística que me encanta e que, lá no princípio, quando ainda uma espinhenta e insegura estudante do ensino médio, me motivava a escolher o caminho das letras. Mas daquelas que nos dão. Falo das letras pronunciadas pelas fontes, confiadas por elas a nós, por meio de um pacto de confiança mútua. Você me conta sua história da maneira mais fiel, emotiva, visceral, e eu prometo transcrevê-la com meu coração na ponta dos dedos.
Mas o jornalismo não é isso. O que move as grandes empresas jornalísticas, e mesmo a imprensa nanica, são os escândalos, os grandes furos, matérias que envolvem pessoas importantes, dinheiro, poder. Só um editor chefe com um parafuso a menos para dar voz aos anônimos.
Muito me identifiquei com a Eliane Brum, autora do livro. Quando diz que sempre que sai para uma pauta sente medo. Esse medo, se não paralisa, motiva a encarar qualquer que seja a história que terá de ser contada. Outra máxima que ela diz ter aprendido com um professor de faculdade que lhe encaminhou na profissão foi a que não podemos ser ingênuos. E, de fato, jornalista ingênuo é jornalista fraco, fácil de enganar. A gente perde a ingenuidade na prática, levando na cabeça, abrindo o jornal do concorrente e descobrindo que a história que lhe contaram era só a ponta de um iceberg. Mas, no alto da nossa ingenuidade de foca, insegurança de principiante, os tubarões nos trucidaram. E o editor, o editor-chefe, o dono do jornal, farão o mesmo.
Hoje as idéias estão muito embaralhadas. Muita coisa na cabeça.
Vontade de dar uma guinada profissional, mas compromissos assumidos tornam a idéia distante do possível.
Fui.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Relaxei e gozei

Enfeitei minha casa para o Natal. Não me pergunte o motivo da antecipação. Andava pelo shopping dia desse e não me contive. Guirlandas, bolinhas, pinheiros, lantejoulas, velas, bonecos de neve, tudo gerou encantamento. O enfeite da porta já está lá. O único em todo o prédio. Mais uma arvorezinha dourada, com purpurinas furtacor, e um enfeite com a cara de um boneco de neve.
Ando de bem com a vida, vai ver é isso. Os probleminhas corriqueiros já não me incomodam mais tanto assim. Diante disso, ainda consegui vencer meu pão-durismo e chamar a faxineira pra dar uma boa limpa lá em casa e mandei fazer uma cortina para a sala. Ah, também troquei o celular, criei vergonha na cara e passei de cartão pra conta, porque agora confio mais no meu orçamento.
Ok, ok. Confesso. O coração é o grande motivador de tudo isso. E o inédito do contexto é que não há nada concreto, preto no branco, às claras. Quando dá vontade, nos juntamos. E o irônico da coisa é que o cerco vem apertando. Saudades estão sendo expressas. Legal, é o que tenho a dizer. Porque estou bem, muito bem. A situação não me incomoda mais. Deixei a afobação da vida certinha de lado. Se vc me perguntar se gostaria de ter algo mais convencional, titubearia pra responder. Acho que vivo agora todo o conceito de mulher independente. Sempre fui emocionalmente MUITO dependente. Precisava da bengala do sentimento do outro, devidamente expresso e sacramentado. Nos últimos tempos, não mais. Pelo menos não tanto mais a ponto de me sufocar, gerar encucações gigantescas, questionamentos filosóficos beirando a neura. Talvez porque a empolgação não seja tanta. Paixão, não sei. Amor, não, com certeza. Tesão, muito. Mais alguma coisa? Pouco. Evito intimidades. Falar de coisas minhas, frustrações, anseios. Não sei se é bom, mas foi a forma que encontrei pra me auto-preservar, pra me proteger de frustrações. No que vai dar, deixa os próximos dias mostrarem.