domingo, agosto 01, 2010

Vida de casada

Faz tempo que não passo por aqui.
Não sei se por falta de tempo, falta de assunto, perda de interesse.
Acho que um pouco de cada.
Nesse meio tempo, superei a perda da vó, comecei efetivamente a brincar de casinha com meu namorado, demos o pontapé inicial na procura de um cantinho pra chamar de nosso, fiz uma nega maluca espetacular, "acho" que consertamos um vazamento no banheiro, fiquei mais loira, tive uma coluna sobre a visão feminina da Copa do Mundo. Ah, o Brasil não ganhou a Copa... aliás, quem ganhou mesmo? Opa, a Espanha.
Enfim... bastante coisa, até.
Em outros tempos, assunto pra post eram festas, novos affairs, velhas decepções, aquela choradeira da solteirice. Porque por mais que a gente queira se autoenganar que é a pessoa mais feliz do mundo, dona de si, senhora do destino, dona da festa, dormir sozinha no inverno é uma merda!
Meus assuntos agora são outros. Aliás, meus interesses mudaram. Meu horizonte não tem mais a nuvem de fumaça do cigarro da balada. Muito menos o gosto de guarda-chuva molhado depois da esbórnia.
Agora eu quero ter meu canto. Ups, melhor: queremos ter nosso canto.
E como é difícil encontrar algo que agrade aos olhos e ao orçamento!
Estamos engatinhando ainda... é preciso olhar muita coisa pra ter uma opinião formada, tomar a grande decisão de assumir um financiamento que vai te acompanhar pelos próximos 20, 30 anos.
De uma coisa a gente tem certeza: queremos viver esse lance.
Brincar de casinha é tri! Mas só é tri quando é com a pessoa certa. Precisa ser um desejo mútuo, em que ambos estejam dispostos a cooperar.
Esses dias paramos pra pensar e constatamos que, em quase nove meses de "gestação", a gente não brigou uma vez sequer. E olha que, quando emburro, nem eu me aguento.
Mas sabe porque a coisa tá funcionando? Porque a gente fala. Tudo. Se um não tá bem, o outro logo pergunta o que tá rolando. Aí não há espaço para minhocas na cabeça. E por mais que o que seja dito incomode, pelo menos foi dito e pode ser resolvido.
Tá muito legal. De verdade. Se eu armo o beiço, ele vem com palhaçadas pra me fazer rir. Se ele tá de baixo astral, eu vou lá fazer cosquinha.
E quando cozinho – sim, eu encaro as panelas –, me esforço pra agradar. E aí rola todo aquele elogio e tal e coisa.
Engraçado tudo isso.
Meses atrás minha programação era ir almoçar todos os dias com meus pais. Afinal, fazer comida só pra mim era pedir pra desperdiçar, ou então encarar o mesmo rango dias a fio. Meu dia era pautado pela hidro, pela Ana Maria Braga, pelo banho às 11 horas, uma espiada nos e-mails e o almoço com os progenitores.
Agora, preciso de doses extrar de motivação para sair do conforto da cama quentinha, com meu amor do lado, pra encarar as aulas de hidro. Não fosse o aquecedor humano, finalmente me livrei da cama de faquir, criei vergonha na cara e comprei uma baita duma box queen... e que noites de sono bem dormidas! Pior que ainda não tão bem dormidas.... esse negócio de dividir o leito não me pertence... qualquer movimento é o suficiente para que eu desperte, é um saco! Mas acho que uma hora passa... porque dormir acompanhada é beeemmm melhor do que sozinha, vamos combinar.
Estamos nos descobrindo diariamente. Eu, um pouco inquieta com o jeito dele de tocar a vida, ele também desconfiado dessa minha certeza de querer, sim, ter uma vida a dois com tudo que se tem direito.
A gente tem passados diferentes, mas muito afins. A gente pintou e bordou, experimentou (quase) tudo que podia, farreou a valer, beijou, transou, dançou de monte, mas agora quer sossegar o faixo e acertar. Não há mais tempo para errar. Os 10 anos que nos separam, para mim, inexistem. Não entrei nessa pra perder, muito menos pra ficar na brincadeira. Meu negócio é sério, pra vida toda, e não é qualquer um que tem as qualidades necessárias e os defeitos igualmente preponderantes pra que a vida a dois seja tolerável.
Buenas, deu pra ver que a vida vai indo, me levando.
Hora de dar tchau.