Na direção da minha vida
Assumo que desde sempre tentei ter meu rumo em minhas mãos. Assumir o volante e guiar com racionalidade, precisão, sem esbarrar nas curvas das paixões ou deixar o medo provocar desistência de planos.
Mas não foi assim, claro. Impossível. Por algum tempo a gente até consegue. Tempo suficiente pra se apaixonar, desapaixonar e voltar a se apaixonar. E quando estou em estado apaixonado, cego, perco o volante, viro caroneira. E observo a vida sob a ótica de um ser meio cego, meio inabriado, perdido em sentimento.
Não nego que é ótimo estar apaixonada. Como dizer que isso faz mal? É o tempero da vida. Por mais que seja em alguns momentos picante, ardente de mais, termine com nosso paladar, é sempre gostoso... na medida certa das especiarias.
Mas falava de conselhos. Quantas vezes nos damos conta de que a vida que vivemos não é um terço do que idealizamos? Não falo do ideal inatingível, mas daquele possível, palpável. Mas deixamos pra tomar medidas mais definitivas lá adiante, depois do final de semana que sempre vem, amorna a sensação de infelicidade, e nos faz mudar de idéia.
Da última vez que percebi que o volante estava sendo mal conduzido, andei no acostamento por uns dois dias depois do acidente. Não tomei o volante a tempo. Definiram o rumo por mim. Claro que não é agradável ao primeiro momento, afinal, o status quo foi drasticamente transformado. Mas hoje vejo que há toda uma estrada a percorrer, curvas a experimentar, caronas a dar, isso tudo sempre com o volante seguro pelas minhas mãos, sem perder o juizo!







