segunda-feira, julho 31, 2006

Na direção da minha vida

Fácil dar conselhos. Analisar a vida alheia e tecer comentários construtivos, do tipo pré-fabricado, dito e reprisado por centenas de livros de auto-ajuda é típico de quem pensa ter a própria existência sob controle.
Assumo que desde sempre tentei ter meu rumo em minhas mãos. Assumir o volante e guiar com racionalidade, precisão, sem esbarrar nas curvas das paixões ou deixar o medo provocar desistência de planos.
Mas não foi assim, claro. Impossível. Por algum tempo a gente até consegue. Tempo suficiente pra se apaixonar, desapaixonar e voltar a se apaixonar. E quando estou em estado apaixonado, cego, perco o volante, viro caroneira. E observo a vida sob a ótica de um ser meio cego, meio inabriado, perdido em sentimento.
Não nego que é ótimo estar apaixonada. Como dizer que isso faz mal? É o tempero da vida. Por mais que seja em alguns momentos picante, ardente de mais, termine com nosso paladar, é sempre gostoso... na medida certa das especiarias.
Mas falava de conselhos. Quantas vezes nos damos conta de que a vida que vivemos não é um terço do que idealizamos? Não falo do ideal inatingível, mas daquele possível, palpável. Mas deixamos pra tomar medidas mais definitivas lá adiante, depois do final de semana que sempre vem, amorna a sensação de infelicidade, e nos faz mudar de idéia.
Da última vez que percebi que o volante estava sendo mal conduzido, andei no acostamento por uns dois dias depois do acidente. Não tomei o volante a tempo. Definiram o rumo por mim. Claro que não é agradável ao primeiro momento, afinal, o status quo foi drasticamente transformado. Mas hoje vejo que há toda uma estrada a percorrer, curvas a experimentar, caronas a dar, isso tudo sempre com o volante seguro pelas minhas mãos, sem perder o juizo!

Muito a escrever, pouco tempo pra tal

Um monte de assuntos povoam meu cérebro desde sexta-feira passada. Prometo me organizar e colocá-los em ordem, na forma de textos, como sempre, auto-biográficos...
Mas, por enquanto, fica a sessão Pétalas de Gérbera...
Experimente o novo, por mais tenebroso e pouco proveitoso que possa lhe parecer.
O pior que pode acontecer é a indiada entrar pro currículo....

quinta-feira, julho 27, 2006

Tricô, crochê e similares


Próximo de onde moro, há negócios que vão mal. Na loja de luminárias e ventiladores de teto, tudo está em promoção, porque depois de décadas de lucro, o dono do estabelecimento vem amargando meses de prejuízo. No armarinho onde comprei a linha para o tapete que minha avó costurou, a situação é ainda mais deprimente. Passei em frente e quase trombei com prateleiras, manequins e outros apetrechos de mostruário à venda. A dona, sentada em uma cadeira de praia no fundo da sala e, como sempre, fazendo crochê. Acho que isso é um sinal de mudança. Tempos atrás, era vergonhoso pra uma moça não saber pregar um botão, costurar o furo em uma meia, fazer ponto de cruz.O crochê, então, de extrema necessidade no preparo do enxoval... hahahaha! Enxoval! Ganhei minha primeira peça de enxoval (que deve ter sido da minha bisavó Tony - é, Tony, que nomezinho, hein?) aos 15 anos. Uma toalha de mesa bordada. Uma enorme de uma toalha! Pra uma mesa de quermesse! E eu, do alto dos meus 15 anos, entre Barbies e primeiros selinhos, aceitei o presente, com um sorriso amarelo e um abraço forçado. Mesmo agora que tenho minha casa, me recuso a ficar com a toalha.
Retomando as habilidades manuais, de fato, é uma tradição que vem se perdendo. Culpa da vida moderna, da revolução sexual, da independência feminina, do anticoncepcional. Quem fica em casa fazendo pulover em tricô pro marido hoje em dia? E quem tem saco pra enfiar linha na agulha, naquele buraquinho minúsculo, e escrever suas iniciais numa toalha de rosto! Dá um tempo! Ok, por uns dias, fiz uns fuxicos. Aquelas florzinhas de tecido bem simpáticas que servem pra fazer um bando de coisas. A sacola com os ditos tá na casa dos meus pais. Ainda não decidi o que fazer com aquele monte de fuxicos.
Já tentei tricô. Na escola, gostava de desenho livre e esculturas em argila. Até pouco tempo, uma carranca que fiz nas aulas de artes estava pendurada na escada da casa da praia. Uma feição triste... de uma época em que era adolescente problemática, depressiva, que achava que a vida se resumia a apaixonar-se e ser, impreterivelmente, correspondida. Pobrezinha!
Acho que vou aproveitar a promoção de luminárias e comprar algumas lá pra casa. Lamento não poder ajudar a moça do armarinho... não costuro, não bordo, não tricoto... o máximo que faço é dar idéias pra minha avó que, em questão de dias, faz tapetes, blusas, trilhos, de um tudo! Minha mãe, tadinha, que passa anos fazendo um blusão. Quando adolescente, em plena fase de ebulição hormonal e crescimento repentino, ela começou um blusão pra mim. Verde. Levou dois invernos. Claro que quando vesti, a cômica constatação: as mangas estavam um palmo antes dos meus punhos! Tive que sugerir que desistisse! E passei a lhe presentear com livros. E hoje, além de uma mãe que tenta fazer seus blusõezinhos de vez em quando, ela é muito mais antenada, interessada em assuntos que antes lhe passavam batidos.
Talvez quando chegar perto dos 50 e estiver meio desligada do mundo, queira aprender a fazer algo pra ocupar as mãos e a cabeça... por enquanto, fico com os presentes sugestivos da minha avó.... louca pra ver a neta mais velha se ajeitar na vida...

quarta-feira, julho 26, 2006

Poesia é métrica, sexo é métrica


Terminei Jabor, finalmente.
Confesso que achei meio massante... ele é muito prepotente em certos momentos... chato!
Que é um grande ícone, não dá pra discordar, mas podia ser menos bola cheia.
Enfim, li Amor é Prosa, Sexo é Poesia.
E, como se espera de toda leitura, refleti sobre o assunto. De fato, sexo é poesia. Depende da métrica, das rimas... como dois corpos depende de uma certa harmonia pra que a coisa flua e resulte em prazer. Se é grande de mais, ui! Se é pequeno, putz! Se é de um tamanho satisfatório, beleza! O ritmo, a cadência, a finalização conjunta, que culmine em uma repetição que soe gostoso aos ouvidos, ao corpo. Parei pra pensar e cheguei à conclusão de que, sim, sexo bom é sexo poético, tão rígido quanto a poesia, pasme. Nosso corpo tem pré-requisitos a serem preenchidos. Se a parceria não corresponde, a gente tenta ensinar, mas depois de um tempo desiste se os ritmos não se assemelham. E vão-se os versos, as terminações próximas da sonoridade agradável. Perdem-se no ar, morrem pra dar lugar a novas palavras. E nada impede que voltem a ser escritas, afinal, é na prática que se alcança o orgasmo!
Amor é outra história... sem dúvida prosa... desregrada, fluida, perdida, estilo livre. Não respeita padrões. Apenas acontece, está ali, goste ou não. Como uma conversa que surge no interesse de um homem por uma mulher. É tão inexplicável que a gente recorre ao sexo pra achar lógica. Porque esse, sim, a tem! Está nos feromônios, na simetria dos traços, no ritmo cadente do beijo, no calor que brota dos corpos. Até que se chega à conclusão de que o sexo nem é dos melhores... e que os efeitos da prosa são muito mais prazerosos, menos carnais, mais intelectuais, menos dependentes.
Ouço My Cherie Amour, Stevie Wonder. Tão meiga a canção. Há músicas que são poesia xarope, bagaceira. Estrofes que terminam em rima perfeita colam no cérebro (Falei pro DJ, pra fazer diferente, botar chapa quente pra gente dançar). Outras dispensam esses recursos. Não totalmente, senão ficam sem rumo. Mas são menos óbvias... Bate macio no ouvido. Ai, ai... fazem suspirar... (My cherie amour, pretty litle one that I adore).
Hoje não estou pra prosa ou poesia. Estou pra qualquer palavra, qualquer som que desperte meu sorriso e me faça ganhar um amigo. Chega de amor e sexo. Estão over... out of fashion...
Que tal um conto de Edgar Alan Poe? Mórbido, mas muito sexy! Estimula os sentidos sem precisar de contato corporal. Prosa? Sei lá, só literatura! Viva a literatura! Viva a escrita livre! Chega de Parnasianismo!

terça-feira, julho 25, 2006

Cheeegggaaaa!!!!!!

Já deu pra perceber que ando com os cornos virados... não gosto de estar assim, mas há situações na vida da gente (mais especificamente no trabalho da gente) que temos que deixar no plano das idéias a irresistível vontade de mandar tudo a puta que pariu. Já mentalizo a cena: em um extremo momento de estresse, levanto da minha cadeira e começo a sessão descarrego. O primeiro que gostaria de ver bem longe de meu convívio é o cara do molho de chaves barulhento. Cruzes, como esse homem é irritante! Está a metros de distância, mas aquele bando de chaves grudadas à cintura podem ser ouvidos de longe. E nos remetem àquela sua cara de bom moço, de homem que cumpre com seu deve, a quem lhe deram um puta poder e com o qual ele hoje se lambuza. Essa é uma das minhas maiores frustrações: ter um chefe maior tão despreparado, tão inocente, tão estupidamente tonto.
Depois de dizer tudo o que a cabeça, de pronto, mandar, ia em direção ao segundo cacique. Se bem que tá mais pra índio baba-ovo. É só o que faz... garante o seu e fodam-se os pobres indiozinhos... tenho a minha oca, minha família pra sustentar, porque me arriscaria por vocês, seus merdas!
E assim a gente vai levando.
Mas como disse, não gosto de me sentir assim. Aliás, não sou assim, mas vendo o barco afundar, impossível não ficar irritado e querer mudar. Se bem que a frustração é tanta que a opção mais acertada é abandonar o barco e partir pra um transatlântico mesmo, mais imponente, certo de seu rumo, com muitos botes pra salvar a tripulação.
O estresse passa... aliás, escrever sobre ele já ajuda muito.
Ok, prometo amanhã ser uma pessoa melhor. Parece frase de Alcoólicos Anônimos, mas é mais ou menos assim que funciona. Senão a gente passa a vida inteira resmungando e afastando as pessoas de quem gostamos. Eis o meu mantra: ser uma pessoa melhor.

Pétalas de gérbera

Leitores (Hahaha! Além dessa que escreve, até onde sei, somente mais uma criatura acessa essas palavras soltas no espaço cibernético). A partir de hoje, terça-feira chuvosa, úmida, preguiçosa, arrastada, começo uma sessão que se presta a fazer da nossa vivência algo mais proveitoso, significativo, valoroso. É a sessão Pétalas de Gérbera (eu sei, peguei na raiz dessa planta!)
Pra hoje, uma dica envolvendo flores e pão-durismo. Um colega de profissão lançou recentemente um livro semelhante a um guia para pão-duros. E dentre as preciosas orientações para aqueles que não têm muito a gastar, uma bem útil:
Se você não gosta muito de gastar com flores e acha que quantidade é qualidade, adote a seguinte estratégia para impressionar sua amada: ao invés de dar um buquê de rosas ao ano (no aniversário dela, no Dia dos Namorados, no aniversário de namoro de vocês), afinal, uma dúzia dessa florzinha é bem salgada, surpreenda-a com uma flor em situações em que ela jamais imaginaria ser presenteada. Enfim, a dúzia do buquê você distribui a conta-gotas, que tal? Eu adoraria... hahaha!!!

Gérberas

Hoje comprei uma gérbera.
Pergutei ao vendedor as cores que tinha: "vermelha, laranja, amarela e pink."
Pink, escolhi. Minha alma anda pink. Depois de estar num amarelo queimado, esmorecido. E passar a um azul marinho. Para hoje, numa junção entre o que fui de bom e o que espero ser, ficar pink. Cor de menina, moça levada, ousada, despudorada na medida certa, audaciosa.
Tão bom olhar pras flores. Gérberas. As gérberas me encantam. As flores como um todo me fascinam, mas as gérberas... Florbela que me perdoe (ela gosta de crisântemos. Pra mim, crisântemos são flores de cemitério, mórbidas, funestas, lúgubres. E também baratas, convenhamos! Não me venha com crisântemos!), mas há um ar de imponências nas gérberas. Tem um caule longo, vasta cabeleira (como descreveu Florbela quando escreveu sobre os crisântemos... ok, gérberas e crisântemos são primos... primo rico, mais ajeitadinho, mais empertigado, e o primo pobre, beleza primária, simplória... tá, mas não menos pura, inspiradora!), cores vivas, vibrantes.
Não sai da minha cabeça a argumentação estúpida de certo ser que hoje jaz pra mim. Disse que não gosta de presentear com flores pq as flores morrem.... assim como as borboletas, meu caro, no curto tempo de vida em que estão entre nós, nos emprestam sua beleza e tornam nossas vidas mais coloridas, mais esperançosas.
Não consigo traduzir em palavras a sensação transformadora de admirar uma flor. Que espetáculo de vida. As gérberas que já enfeitaram minha sala viveram incríveis quatro semanas ao meu lado. Vida longa a delas. E desde o primeiro dia até o último, mudavam de posição, buscavam o sol, imploravam por água limpa.
Dêem flores. Não se acanhem. Elas morrem, nós morremos, os pássaros morrem, nossos pais, avós, tios, tias... mas antes do dia chegar, até lá, cada um desses seres espetaculares emprestará o que têm de mais belo às nossas vidas. Ensinamentos, palavras de alento, de estímulo, de carinho, de xingamento...
Me transporto agora para um campo de flores. Nossa, como seria feliz entre as flores. Ficaria extasiada. Me perderia em meus pensamentos. E me encontraria nas pétalas dessas delicadas flores, porque sou flor também. Das que se cheira, se rega, se abrança, se beija, se ama.

quarta-feira, julho 19, 2006

Amizade


Quando se termina um relacionamento sem maiores brigas, discussões, engraçado é que a gente sempre tende a dizer pro cara (que no final das contas, estragou pelo menos as próximas 48 horas da nossa vida, que a partir daquele momento se resumiria a lágrimas, revolta, decepção) que a gente ainda pode ser amigos...
Hahaha!!! Coisa mais mecânica e impulsiva de se dizer!
Ironia da grossa! Afinal, a gente vai chegar em casa, se trancar no quarto e chamar ele de tudo que há de mais despresível na face da terra. "Esse crápula f.d.p!!!"
Amigos, quem são e onde estão?
Pena que quando se namora, ainda mais quando o cara é de fora do núcleo de amizade que costumamos freqüentar, a gente se afasta dos amigos... de alguns, a gente perde totalmente o contato! Dia desses, um grande parceiro meu (aí que tá, tão somente parceiro... pra festas, bebedeiras, conversas de bar, até pra pegar uma praia) sumiu e descobri que ele estava namorando... o mesmo devo ter feito quando eu comecei a namorar...
Mas tem amigo que mesmo longe está presente... manda e-mail, foto, liga, quer saber como vai a vida, morre de saudades da gente... e a gente tb, claro! Ainda mais quando as manifestações de afeto são tão maiores do que a do próprio namorado! Pena que amizade entre homem e mulher é raro!
Enfim, é chegada a hora de descobrir onde andam meus amigos que outrora abandonei... alguns devem ficar putos comingo, agora que quero saber deles, e de uma forma bem interesseira... outros vão ficar felizes, porque a vida noturna fica mais legal quando se tem mais amigos...
Veremos no que dá.
Só sei que amigos são necessários... muito mais que namorados!

terça-feira, julho 18, 2006

Amor que morre


Amor que morre

O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!

Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...

Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos para partir.

E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há-de vir!


Florbela Espanca

Projetos de vida diferentes


Projetos de vida diferentes. Esse foi o motivo central da nossa separação. Inácio queria curtir a vida, eu, constituir família.
Pergunto: quem não pensa em constituir família?
Os tempos atuais são muito diferentes do tempo de nossos pais. Aos 25, se você não estava ao menos noiva, ia ficar pra titia, e suas tias e as amigas de sua mãe já passam a comentar, a voz baixa, pelos cantos da casa, que é uma pena que "essa menina tão bonita, inteligente e bem-sucedida esteja solteira, sozinha na vida!"
Antes de começar esse namoro hoje terminado, conversava com uma amigo sobre as dificuldades de se dar bem no âmbito das relações. Nossa! Como me estrepei nessa vida! E ele disse que mulher bonita, inteligente e com a vida encaminhada assusta. Homens se assustam com esse bicho! Certamente é mais fácil, em se tratando de relacionamentos fulgazes, que a moça em questão seja meio bobinha, boa de bunda, sorriso bonito, perfume doce e grudento e - essa em especial - saiba dar como ninguém. Problema é que mulher que dá bem também vicia... mas aí o cara pensa: "putz, ela não sabe nem quem é o presidente dos Estados Unidos e muito menos o que toca John Coltrane! Bah, não dá... ok, na cama é um furacão, mas como vou apresentar ela pros meus amigos?" E a idéia de dar seqüência ao relacionamento com a boa de bunda cai por terra.
Mas falava de casamento.
Hoje, qual o período ideal pra casar? Qual a idade usual pra casar?
Se for analisar o que tenho visto por aí, tem cara perto dos 40 que ainda acha que a vida se resume a uma boa transa casual... casar e perder essa barbada? Nem pensar!
Putz, isso é desanimador.
Posso dizer com propriedade, pois já vivi os dois lados, que, de fato, é muita curtição ser solteiro, ainda mais quando se está bem financeiramente, satisfeito com o que se vê no espelho e abatendo qualquer tipo de caça que cruzar seu caminho, afinal, você está podendo.
Mas aí, eu, como mulher, digo que é uma neura...
Siga meu exemplo: você conhece um cara na festa. Conversam, o papo flui legal, ele parece ser bastante interessante, tem um trabalho legal, tá fazendo pós, mora sozinho... é bonito, bem vestido, cheiroso. Partimos do papo pra ação. Beija gostoso... mas quer levar pra casa. "Putz, se eu for, fodeu. Nunca mais no vemos." Não dou. Trocamos telefones, nos despedimos em frente à boate, e era isso. Dia seguinte, a espera. Nada do telefone tocar. Em pleno sábado, e nada dele! Passa uma semana, duas, três... e lá se vai um relacionamento promissor pro espaço. Buenas, ele só tava a fim de curtir... e eu ainda não aprendi a fazer isso!
É, amigo. Vida difícil! Por isso que terminar um relacionamento é tão dolorido. A gente tem a esperança de que, mesmo ruim, um dia vai melhorar. Mas esse dia nunca chega. E começa a fase dos xingamentos, das ofenças, do total desinteresse sexual. E de início a gente disfarça saíndo à noite, dando beijinho em bocas diferentes... mas o relacionamento tá lá ainda, só esperando pela certidão de óbito, tal qual um presunto no IML. O resultado da necropsia a gente nem quer falar muito. Difícil discutir os motivos da morte. São tantos...

segunda-feira, julho 17, 2006

O tênis no canto do quarto


15 de julho de 2006, 21 horas.


O final de semana tinha cenário melancólico. O sol não deu o ar da graça um instante sequer. Chorou copiosamente, como alguém que não consegue superar uma perda. E vive a lembrar, remoendo o sentimento ruim. Uma forma de auto-punição, talvez.
Eis que entro em meu quarto e vejo meus tênis jogados num canto, envoltos por uma sacola branca. Outra sacola com absorventes está pendurada no banheiro. Uma camisola e um pijama voltaram a fazer companhia aos meus pertences, no armário. Há ainda uma escova de dentes, um creme, dois champús, uma toalha.
São objetos que até então compunham o cenário da casa de Inácio, no litoral norte.
São objetos meus que não mais me pertenciam. Hoje eles estão aqui, e é difícil voltar à convivência.

Somos nós, florbela e florbetta

Começo esse blog em um momento de recomeço em minha vida. Junto os cacos que restaram de mim após uma desilusão amorosa. E não poderia deixar de citar minha inspiração para os escritos de amor, Florbela Espanca.
Ontem à noite, enquanto procurava o sono e tentava fugir das lágrimas (ou provocá-las ainda mais), encontrei uma definição de sua personalidade que muito se assemelha à minha. É o texto que segue, retirado do volume 2 da coletânea lançada pela L&PM.
O meu talento! De que me tem servido? Não trouxe nunca às minhas mãos vazias a mais pequena esmola do destino. Até hoje não há ninguém que de mim se tenha aproximado que não me tenha feito mal. Talvez culpa minha, talvez... O meu mundo não é como o dos outros; quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infitino, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudades, sei lá de quê!