Projetos de vida diferentes

Projetos de vida diferentes. Esse foi o motivo central da nossa separação. Inácio queria curtir a vida, eu, constituir família.
Pergunto: quem não pensa em constituir família?
Os tempos atuais são muito diferentes do tempo de nossos pais. Aos 25, se você não estava ao menos noiva, ia ficar pra titia, e suas tias e as amigas de sua mãe já passam a comentar, a voz baixa, pelos cantos da casa, que é uma pena que "essa menina tão bonita, inteligente e bem-sucedida esteja solteira, sozinha na vida!"
Antes de começar esse namoro hoje terminado, conversava com uma amigo sobre as dificuldades de se dar bem no âmbito das relações. Nossa! Como me estrepei nessa vida! E ele disse que mulher bonita, inteligente e com a vida encaminhada assusta. Homens se assustam com esse bicho! Certamente é mais fácil, em se tratando de relacionamentos fulgazes, que a moça em questão seja meio bobinha, boa de bunda, sorriso bonito, perfume doce e grudento e - essa em especial - saiba dar como ninguém. Problema é que mulher que dá bem também vicia... mas aí o cara pensa: "putz, ela não sabe nem quem é o presidente dos Estados Unidos e muito menos o que toca John Coltrane! Bah, não dá... ok, na cama é um furacão, mas como vou apresentar ela pros meus amigos?" E a idéia de dar seqüência ao relacionamento com a boa de bunda cai por terra.
Mas falava de casamento.
Hoje, qual o período ideal pra casar? Qual a idade usual pra casar?
Se for analisar o que tenho visto por aí, tem cara perto dos 40 que ainda acha que a vida se resume a uma boa transa casual... casar e perder essa barbada? Nem pensar!
Putz, isso é desanimador.
Posso dizer com propriedade, pois já vivi os dois lados, que, de fato, é muita curtição ser solteiro, ainda mais quando se está bem financeiramente, satisfeito com o que se vê no espelho e abatendo qualquer tipo de caça que cruzar seu caminho, afinal, você está podendo.
Mas aí, eu, como mulher, digo que é uma neura...
Siga meu exemplo: você conhece um cara na festa. Conversam, o papo flui legal, ele parece ser bastante interessante, tem um trabalho legal, tá fazendo pós, mora sozinho... é bonito, bem vestido, cheiroso. Partimos do papo pra ação. Beija gostoso... mas quer levar pra casa. "Putz, se eu for, fodeu. Nunca mais no vemos." Não dou. Trocamos telefones, nos despedimos em frente à boate, e era isso. Dia seguinte, a espera. Nada do telefone tocar. Em pleno sábado, e nada dele! Passa uma semana, duas, três... e lá se vai um relacionamento promissor pro espaço. Buenas, ele só tava a fim de curtir... e eu ainda não aprendi a fazer isso!
É, amigo. Vida difícil! Por isso que terminar um relacionamento é tão dolorido. A gente tem a esperança de que, mesmo ruim, um dia vai melhorar. Mas esse dia nunca chega. E começa a fase dos xingamentos, das ofenças, do total desinteresse sexual. E de início a gente disfarça saíndo à noite, dando beijinho em bocas diferentes... mas o relacionamento tá lá ainda, só esperando pela certidão de óbito, tal qual um presunto no IML. O resultado da necropsia a gente nem quer falar muito. Difícil discutir os motivos da morte. São tantos...


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