quarta-feira, setembro 30, 2009

A gente sempre volta diferente

Voltei faz pouco de uma semana longe da civilização, mas perto – muito perto – dos meus progenitores.
A experiência foi curiosa. Primeiro, porque era o fim do mundo... claro, paradisíaco, mas ainda o fim do mundo. Sabe onde o diabo perdeu as meias? Pois acho que descobri onde Deus perdeu as cuecas... Tipo, dois aviões, um ônibus, uma balsa, uma caminhonete com dois pneus furados e um táxi. Tudo isso pra chegar a Taipu de Fora, nos senfins da Bahia.
Mar espetacular, muitos arrecifes, muito sol, muita comida boa, muitas noites bem dormidas (isso, claro, depois do Baygon e dos roncos do papis), muitas caminhadas. Mas tudo o que é de mais enjoa... e sete dias nessa rotina chegam a ser estressantes de tão parados.
Mas tudo ótimo... eu fui sabendo que poderia ser assim, então, segurei a onda. Ainda mais quando papis banca tudo e faz questão da sua presença. Muito fofo meu pai, aliás. Tá perdoado pelos roncos mega-altos.
Hoje rolou um episódio muito curioso. Meu pai desabafou. Queria entender porque minha mãe desligou do mundo. Porque ela, assim como ele, não liga pra mãe pra contar da viagem, não comunica as irmãs do retorno... Bom, eu não sei bem o que aconteceu com a minha mãe pra ela ficar assim, só sei que o mesmo acontece quando eles viajam. Quem liga pra contar como estão as coisas e saber da gente é meu pai.
Talvez eu tenha essa coisa individualista dela... talvez venha daí minha intolerância à convivência demasiada com muita gente, minha necessidade de silêncio.
Mas tudo bem, pelo menos quanto a mim... já minha mãe, bom, ela vai precisar trabalhar isso.
Mas eu voltei bem descansada, bem vermelha e bem roliça...
No retorno, algumas coisas mudaram, outras estão na mesma, outras estão na iminência de mudar, assim espero!
Vejamos, porque amanhã volto à rotina!
Bons fluidos pra mim!

domingo, setembro 20, 2009

Era pra eu estar feliz

Era para eu estar faceira, ansiosa, feliz. Amanhã, a essa hora, estarei em território desconhecido, na companhia de meus pais, próximo de chegar ao paraíso na terra.
Ontem saí. Me vesti bem bonita, passei batom vermelho, perfume da Madonna, estava realmente nos trinques. Mas era só o visual. Por dentro, estava triste. Tentei. Foram duas horas de gente feliz ao meu redor, mas meu sorriso saía forçado e resolvi ir embora. Me senti sufocada e imensamente sozinha.
Estou de férias! Há tempos isso não acontecia. Não assim, pra descansar, pra curtir. Pergunta se isso me torna a pessoa mais reluzente do mundo? Não.
Pergunta por quê? Porque nada disso faz sentido se não há com quem dividir, não há com quem somar, não há com quem tomar chima no sol, ficar até mais tarde na cama, se embrenhar no mato e curtir o som da natureza. Quem eu quero não me quer. Ou me quer mais ou menos. Ou às vezes me quer mas, na maioria delas, nem lembra que eu existo.
Eu quero sempre, a toda hora, do momento em que acordo ao momento em que durmo. Isso não é doentio, não. É gostar, é carinho. Controlar isso é foda! Deveria fazer um cursinho rápido de budismo, aprender a entoar mantras que me ajudassem a manter o foco, a canalizar a energia pro que vale a pena. Óuuuummmmmmmmmm.... óuuuummmmmmmm.... óuuummmmmm.
Vira e mexe, eu falo. Falo tudo. Solto o verbo. E a sensação, no dia seguinte, é de que coloquei tudo a perder. E aí vem o silêncio. Interminável. Até que me dobro e ligo, escrevo.
Eu não queria que fosse assim. Eu queria ser necessária e que essa vontade movesse dedos para ligar, a voz pra falar. Mas aí quando fala, às vezes saem pérolas como as de que não me encaixo em sua vida. De fato, encaixar uma mulher de 1,75m (arredondados, ok) na vida de qualquer pessoa é um baita desafio. Ainda mais quando ela não é só carne e osso, mas cérebro, vontades, necessidades, desejos.
Meu sentimento é imenso. Mas um dia ele vai esmorecer. Ou vai encontrar alento no sentimento de outro que o queira e faça por merecer. Eu não torço por isso. Eu torço para que meu sentimento tanto bata até que fure o escudo no peito desse cara.

Bom, preciso arrumar as malas.
Eu vou morrer de saudade. Não sei bem do quê, porque se estivesse aqui ou lá, não iria fazer diferença... a ausência é a mesma, afinal. Segunda tô de volta. Espero que morena jambo e cheia de energia.
; )

sábado, setembro 12, 2009

Quando eu ficar grande

Tenho mãos de criança. Bem pequeninhas e gordinhas. Dizem que herdei do meu avô paterno, dono de mãozinhas igualmente fofas.
Lá pelos 15 anos, comecei a invejar os longos dedos e as unhas igualmente compridas das mulheres da família. O que me diziam? "Quando você ficar mais velha, suas mãos vão crescer, fica tranquila".
Também aos 15, via a barriguinha sarada das minhas tias modeletes e sonhava em ter abdômen tanquinho. Eu era magrela, mas a barriga nada de ficar sequinha. O que me diziam? "Quando você ficar mais velha, sua barriga vai ficar definida, fica tranquila".
Igualmente aos 15, e também aos 18, aos 25, agora aos 28, me incomodava profundamente com as famigeradas espinhas que não deixam esse corpo que não as pertence. O que me diziam? "Quando você ficar mais velha, elas vão sumir".
Resumo da ópera: minha mão continua minúscula, minha barriga não ficou tanquinho e as espinhas ainda me atormentam.
Só que agora, mais perto dos "inta", não bastassem esses engodos, tenho de conviver com indigestos fios brancos na peruca e preciso de óculos para enxergar dois metros adiante dos olhos. É mole?
Mas quando eu ficar grande isso tudo passa...

quarta-feira, setembro 09, 2009

Clandestino

Tinha um bar na João Alfredo com esse nome. Acho que já devo ter entrado, mas não marcou, não emplacou, ficou na clandestinidade e fechou.
Será a sina do que é clandestino?
Estou na clandestinidade. Sou uma persona non grata. Por quê? Não sei.
Talvez eu não seja suficientemente legal, boa pessoa, confiavel, amavel, apresentavel, namoravel.
Não sei.
Me chateia profundamente esse estado clandestino.
Até pouco tempo, pouco me importava. Agora, não mais. Agora, a exemplo do repórter que prefere não assinar uma matéria para não "assumir a criança", não se responsabilizar pelo que escreve, eu também me sinto relegada ao anonimato.
Afinal, é mais fácil desapegar. No names, no regrets.
Enfim.
Terminou a Heineken. Tô cansada, preciso tomar banho.
Outra hora continuo a epopéia.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Em resposta ao anônimo, escrevo, então

Olá, anônimo!
Que bom que você gosta de me ler, embora considere meus escritos meio enigmáticos, caóticos, desconexos.
Pois é, anônimo.
Geralmente, eu escrevo quando estou triste, indignada, frustrada.
Escrever sobre a felicidade é chato! É enjoado. É piegas. É ... sei lá, chega até a faltar adjetivo.
Mas como eu nunca estou 100% feliz, há, sim, tristeza na felicidade.
1) Porque a gente sabe que um dia ela vai acabar
2) Porque ela nunca depende só de você, mas de atitudes alheias que colaborem pra esse estado
3) Porque eu sou uma pessoa melancólica. Logo, estar feliz, nem sempre me mantém feliz
4) Porque... ah, que seja!
Anônimo, as ideias pra escrita são muitas, mas não posso me dar ao luxo de jogá-las assim, na rede. Guardá-las pra mim dói, mas faz parte da vida. Assim a gente amadurece e aprende a lidar com nossos demônios e anjinhos internos.
Só posso dizer que estou, sim, de bem com a vida.
Amém.