quarta-feira, julho 26, 2006

Poesia é métrica, sexo é métrica


Terminei Jabor, finalmente.
Confesso que achei meio massante... ele é muito prepotente em certos momentos... chato!
Que é um grande ícone, não dá pra discordar, mas podia ser menos bola cheia.
Enfim, li Amor é Prosa, Sexo é Poesia.
E, como se espera de toda leitura, refleti sobre o assunto. De fato, sexo é poesia. Depende da métrica, das rimas... como dois corpos depende de uma certa harmonia pra que a coisa flua e resulte em prazer. Se é grande de mais, ui! Se é pequeno, putz! Se é de um tamanho satisfatório, beleza! O ritmo, a cadência, a finalização conjunta, que culmine em uma repetição que soe gostoso aos ouvidos, ao corpo. Parei pra pensar e cheguei à conclusão de que, sim, sexo bom é sexo poético, tão rígido quanto a poesia, pasme. Nosso corpo tem pré-requisitos a serem preenchidos. Se a parceria não corresponde, a gente tenta ensinar, mas depois de um tempo desiste se os ritmos não se assemelham. E vão-se os versos, as terminações próximas da sonoridade agradável. Perdem-se no ar, morrem pra dar lugar a novas palavras. E nada impede que voltem a ser escritas, afinal, é na prática que se alcança o orgasmo!
Amor é outra história... sem dúvida prosa... desregrada, fluida, perdida, estilo livre. Não respeita padrões. Apenas acontece, está ali, goste ou não. Como uma conversa que surge no interesse de um homem por uma mulher. É tão inexplicável que a gente recorre ao sexo pra achar lógica. Porque esse, sim, a tem! Está nos feromônios, na simetria dos traços, no ritmo cadente do beijo, no calor que brota dos corpos. Até que se chega à conclusão de que o sexo nem é dos melhores... e que os efeitos da prosa são muito mais prazerosos, menos carnais, mais intelectuais, menos dependentes.
Ouço My Cherie Amour, Stevie Wonder. Tão meiga a canção. Há músicas que são poesia xarope, bagaceira. Estrofes que terminam em rima perfeita colam no cérebro (Falei pro DJ, pra fazer diferente, botar chapa quente pra gente dançar). Outras dispensam esses recursos. Não totalmente, senão ficam sem rumo. Mas são menos óbvias... Bate macio no ouvido. Ai, ai... fazem suspirar... (My cherie amour, pretty litle one that I adore).
Hoje não estou pra prosa ou poesia. Estou pra qualquer palavra, qualquer som que desperte meu sorriso e me faça ganhar um amigo. Chega de amor e sexo. Estão over... out of fashion...
Que tal um conto de Edgar Alan Poe? Mórbido, mas muito sexy! Estimula os sentidos sem precisar de contato corporal. Prosa? Sei lá, só literatura! Viva a literatura! Viva a escrita livre! Chega de Parnasianismo!

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Nice idea with this site its better than most of the rubbish I come across.
»

8:26 AM  
Anonymous Anônimo said...

Your website has a useful information for beginners like me.
»

6:30 PM  

Postar um comentário

<< Home