quarta-feira, abril 01, 2009

Piece of meat


Todos me usam. Usam meu corpo, usam minha mente, usam meu coração.
Todos, sem exceções. É impressionante a sensação de abuso, de aproveitamento. Como se eu fosse um pedaço de carne suculento, exposto no açougue, a preço bem baratinho, só um pouco de carinho e atenção.
Eu também quero usar, tirar proveito, abusar, molestar, abduzir, carnear. Quero sair do gancho do açougue, da câmara fria que me protege, e andar por aí a perturbar pessoas, tirar de seu sossego, transformar suas vidas num parque de diversões. Montanha russa, roda gigante, carro choque, passar por todos os brinquedos. E depois largar num canto do parque, afinal, pedaço de carne nem tem cérebro, muito menos sentimentos.
Tão fácil brincar com o pedaço de carne. Ele não reclama, não tem vontade própria, só espera acontecer. E o que prevê sempre acontece. A velha lógica do usar, abusar, comer tudo e jogar fora. Como se fosse possível se auto-regenerar em 30 segundos.
O pedaço de carne tá ficando gasto, sem gosto, sem suco, sem graça.
Porra, eu não sou um pedaço de carne qualquer. Nem uma picanha, um filé mignon, uma costela. Sou gente, bicho-homem, mulher. Sofro quando me fazem sentir pedaço de carne.
Mas sempre me fazem sentir assim. Seja o cara one night only, seja o bom moço. Todos vocês me usar.
Mas há de chegar o dia, como George Orwell previu, que os bichos vão se revoltar contra os homens. E eu, a vaca lider do bando, vou avançar sobre os homens com a fúria de manadas de búfalos, e não vai sobrar costela pra contar a história.
"Who will save your souls", canta Jewel no meu toca-CD.
I won´t.