domingo, abril 19, 2009

Antes do pôr-do-sol


"Você vai perder o avião", diz Celine.
"Eu sei", responde Jesse, enquanto escutam Nina Simone no apartamento de Celine, em Paris.
Assim termina Antes do pôr-do-sol. Jesse e Celine reencontram-se, nove anos depois de Antes do amanhecer.
Vi, revi e re-revi ontem. Diálogo, muito diálogo. E nenhum beijo, nenhum carinho, nada. Apenas palavras nervosas. Houve momentos em que Celine chegou a erguer a mão e desejar repousá-la nos cabelos (agora muito mais ralos do que em Antes do amanhecer) do amado. Mas Jesse é casado e, até que mencionasse viver com a mulher só por conveniência, Celine supunha que ele fosse feliz.
O final aberto para mim é bastante óbvio. Jesse perdeu o voo de volta à vida monótona vivida em Nova Iorque, para, enfim, entregar-se à romântica Paris de Celine. Quisera que houvesse um terceiro filme, em que ambos estivessem, enfim, juntos. Mas seria muito lugar-comum. O que encanta em Antes do pôr-do-sol e também em seu antecessor é justamente a incerteza e, ao mesmo tempo, a convicção de que os dois se amam e vão, sim, acabar juntos em algum momento de suas vidas.
Outro ingrediente apaixonante é o curto espaço de tempo que os protagonistas têm para se descobrir. Ao invés do silêncio aberto optado pela grande maioria dos apaixonados, ali tudo é dito. Não há sentimento não verbalizado, insegurança não compartilhada, dúvida não exposta. Tudo é dito e tudo sufoca. Em Antes do amanhecer há beijos, abraços, uma transa inesquecível regada a vinho e céu estrelado em um parque em Paris. E a gente espera por isso no segundo, mas são obviedades desnecessárias. A paixão brota dos olhos dos protagonistas. E o tempo sempre correndo contra eles.
Mas agora não mais. Jesse quis perder o voo de volta à vida seca e de aparências.
E nós, agora, temos todo o tempo do mundo.