Tempo
Não aprendi a lidar muito bem com esse negócio. Sei que passa rápido quando a gente não quer que passe. E que leva um infinito quando a gente quer que voe.
Me falta paciência para esperar que ele aja e, confesso, às vezes eu perco as estribeiras com o dito.
Pôxa, quando é pra acelerar a proliferação de cabelos brancos na minha peruca, é rapidinho. E também pra me deixar cegueta. Putz, tempo inglório. Assim é sacanagem.
Agora, quando é pra ajudar a esquecer, dar uma mão pra agilizar a chegada dos fins de semana e tornar as noites de sexta e sábado mais compridas, nem pensar!
Acho que eu vendo uma imagem fake por demais de mim.
Eu amadureci rapidinho (talvez tenha nascido velha, até). Mulheres amadurecem mais rápido, isso é fato.
Mas pra muita coisa eu ainda sou principiante.
Emoções, por exemplo. Me ensinaram a contê-las, mas eu nunca soube muito bem. Eu tento, me esforço bastante, mas sempre explodo em choro, tristeza, riso, alegria. Sou de extremos. Não sei ser mais ou menos. O meia-boca me entristece, decepciona.
Tá vendo, me falta a serenidade da maturidade.
Tempo!
Vai mais uma do Nei, a quem recorro pra me ajudar a passar o tempo
Romance
Nei Lisboa
Todas as bobagens que eu já disse
Dariam pra encher um caminhão
Mesmo assim encontro no caminho
Milhares mais otários do que eu
Por isso meu amor
Não leve tão a sério
Nem o que eu digo nem o que eu deixo de esconder
Não vai ter graça o dia
Em que bater na porta
E você não abrir pra responder
Todas as pessoas que eu conheço
Cabem bem juntinhas na palma da mão
Pra você guardei um universo
Quando falta espaço eu faço verso e durmo na canção
Por isso meu amor não pense que é brinquedo
Eu tenho medo e morro de paixão
Não vai ter graça o dia
Em que eu abrir a porta
E a tua mão vazia disser não
Por isso meu amor
Não leve tão a sério
Se eu morro de medo
Brinco de paixão
Não vai ter graça o dia
Em que eu te ver na porta
E não souber se entro
Ou faço uma canção...

