Dia de celebridade
Queria entender porque lembro tão pouco da minha infância. Já perguntei pra minha dinda se passei por alguma situação traumática que pudesse ter bloqueado as lembranças do tempo em que ainda falava Obeita porque não conseguia pronunciar o R. Ou um pouco mais adiante, quando minha mãe foi correndo pro hospital dar à luz meu irmão. Desse episódio eu tenho uma vaga lembrança. A imagem é da minha mãe saindo pela porta do apartamento meio magra, quase sem barriga, e voltando pra casa com um ser muito parecido com minha boneca nos braços. Depois disso, só me lembro das duas dedeira de Nescau que eu tomava antes de dormir (porque ele não gostava muito e me cedia cordialmente a sua), das brigas homéricas, da luz do corredor acesa à noite pro guri não morrer de medo do escuro.
Buenas, tudo isso pra dizer que eu voltei no tempo ontem. Estudei no mesmo colégio a vida toda. Sempre fui uma aluna mais ou menos, tirando as matérias humanas. Nessas, volta e meia eu me puxava e tirava uns 10. Pois nessa segunda eu percorri os mesmos corredores onde eu parava para fazer fila pra entrar na sala de aula (no fim da fila, aliás, porque o jerivá aqui sempre foi mastodonte). Retornei ao colégio para ser metralhada por perguntas de 90 doces alunos de 3.ª série. Foi muito louco. Nunca fiz isso na vida, embora sempre tenha sonhado com essa experiência. Afinal, eu era a timidez em pessoa na escola. E agora, depois de muito levar na cabeça, acho que superei a vergonha de falar em público. Pelo menos para um público menor do que eu (hehehe).
Posso dizer que foi muito legal. Passei duas horas explicando como é ser jornalista. Duas horas falando sobre algo que julgo saber de cor e salteado. Jurava saber, né. Porque criança sempre consegue desarmar a gente.
Foi muito legal encontrar no meio daqueles rostinhos curiosos, pequenos com pinta de jornalistas. Adultos mirins comentando notícias com senso crítico, cobrando informações que não leram no jornal, mas que ouviram no rádio, viram na rua. E a tia aqui ficou meio sem jeito, claro.
No fim da coisa toda, ficou o carinho dos alunos mais fofos que vieram me dar beijos, abraços e fazer perguntas em particular.
E ficou a sensação de que eu sou alguém, afinal de contas.
Por duas horas, eu fui celebridade para aqueles pequenos fãs.
Buenas, tudo isso pra dizer que eu voltei no tempo ontem. Estudei no mesmo colégio a vida toda. Sempre fui uma aluna mais ou menos, tirando as matérias humanas. Nessas, volta e meia eu me puxava e tirava uns 10. Pois nessa segunda eu percorri os mesmos corredores onde eu parava para fazer fila pra entrar na sala de aula (no fim da fila, aliás, porque o jerivá aqui sempre foi mastodonte). Retornei ao colégio para ser metralhada por perguntas de 90 doces alunos de 3.ª série. Foi muito louco. Nunca fiz isso na vida, embora sempre tenha sonhado com essa experiência. Afinal, eu era a timidez em pessoa na escola. E agora, depois de muito levar na cabeça, acho que superei a vergonha de falar em público. Pelo menos para um público menor do que eu (hehehe).
Posso dizer que foi muito legal. Passei duas horas explicando como é ser jornalista. Duas horas falando sobre algo que julgo saber de cor e salteado. Jurava saber, né. Porque criança sempre consegue desarmar a gente.
Foi muito legal encontrar no meio daqueles rostinhos curiosos, pequenos com pinta de jornalistas. Adultos mirins comentando notícias com senso crítico, cobrando informações que não leram no jornal, mas que ouviram no rádio, viram na rua. E a tia aqui ficou meio sem jeito, claro.
No fim da coisa toda, ficou o carinho dos alunos mais fofos que vieram me dar beijos, abraços e fazer perguntas em particular.
E ficou a sensação de que eu sou alguém, afinal de contas.
Por duas horas, eu fui celebridade para aqueles pequenos fãs.


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