domingo, julho 12, 2009

Em novo ciclo

Acredito que nossas vidas funcionam em ciclos evolutivos. Acontecimentos nos levam a viver experiências que nos tiram o chão. Aí vem a reação, que pode ser de choque, de frustração, de desespero, mas que sempre resulta em crescimento e aprendizado.
Em se tratando de vida pessoal, eu sempre me senti uma fraca. Confesso ter dificuldade para tomar decisões que possam me sacar fora da zona de conforto. Morro de medo, pra ser mais exata. Se no profissional eu mato no peito, no pessoal eu chuto pra longe.
Mas é preciso encarar o monstro de frente. Se não tá bom, porque disperdiçar o hoje e talvez o amanhã vivendo mais ou menos? Ontem, no meio de uma experiência antropológica intensa e desafiadora, ouvi da boca de um cara uma frase muito verdadeira: "A gente tem que se sentir feliz e completo consigo mesmo. Dá pra não ser sozinho estando sozinho." Tá bem!
Desde sempre eu nutri um naco de solidão considerável dentro do peito. Vem de antes da adolescência. Vem duma maturidade precoce da época em que ainda tinha melenas naturalmente loiras. E essa maturidade juvenil teve seu auge no dia em que eu fitei uma tesoura com ímpetos de cravá-la no peito. Mas calma, o instinto suicida passou. Seria muito cruel com aqueles que me consideram. E o motivo torpe era por demais tosco. Há causas muito mais nobres que levam pessoas a dar cabo de suas vidas.
Mas volta e meia eu choro movida por um pensamento egoísta de abandono, de vazio. Eu choro de raiva dos outros e de mim mesma. Eu esbravejo como criança que ficou sem presente no Natal, como adolescente que passou o aniversário sem que ninguém lembrasse da data. É quando eu deixo falar aquela criança que eu calei na infância. É meu lado infantil, de carência de mimo e atenção, se manifestando tardiamente.
Mas já não dá mais pra pedir colo. Passei da idade. A infância ficou pra trás, assim como a adolescência e tantas outras fases que preparam para a idade adulta.
Eu me julgava muito madura, quase passada de mais. Mas vivi sintuações que me mostraram ter ainda muito o que aprender.
Agora tentei puxar na memória alguma coisa que me levasse de volta à infância. Lembrei que estou fazendo exatamente o que fazia quando me sentia confusa e perdida. Eu escrevia. Eu escrevo para clarear ideias, visualizar saídas, encontrar respostas. Pois elas estão bem diante de mim. Melhor, bem dentro de mim.
Se às vezes eu choro feito criança, é porque preciso desabafar, preciso deixar sair. Pra depois lavar o rosto, passar a maquiagem e encarar o mundo com toda a segurança que a carapuça me proporciona.
Experimentei situações de perda fortes nos últimos dias, mas também encontrei algo de muito valioso: me encontrei. Foi como acordar de um sono profundo, como despertar para mim e enxergar uma mulher forte e plena, que pode sim se bastar.
Não há atitude mais egoísta do que procurar no outro alguém para preencher vazios desconhecidos.
Os vazios preencho eu. E quando eles estiverem lotados de serenidade, paz e amor próprio, aí sim eu vou querer dividir.
Um ciclo de vazio se fecha, para dar espaço a outro transbordante de segurança e auto-conhecimento.
Hoje eu sei que vou amar de verdade quando me amar por completo.
Um dia eu chego lá e esse dia não tardará.