domingo, maio 31, 2009

Olhar tristonho

Tem uma menina no meu prédio que sofre calada. Há pelo menos dois meses, escuta as discussões dos pais, audíveis inclusive aos vizinhos. As brigas são embaraçosas. Tenho vergonha pelo casal, tenho vergonha pela menina que precisa engolir o choro todos os dias, pobre vítima do desequilíbrio de seus progenitores. Já nos encontramos na saída do prédio algumas vezes. Vejo nela uma criança adulta. Tem um olhar tristonho e uma postura de menina moça. Também pudera. Lhe roubaram a infância. Agora ela sofre com problemas dos adultos. Queria brincar de boneca sossegada, mas precisa tapar os ouvidos para evitar escutar palavras feias. Mas não adianta. E por isso ela sofre. Tem olheiras profundas de noites passadas em claro. Pobre menina. Quando nos vimos pela última vez, ela aguardava a kombi para levá-la à escola. Ajeitava a mochila de rodinhas e, no instante em que me viu, correu para o portão para me fazer a gentileza de abri-lo. Agradeci com um sorriso no rosto. Ela deu um simpático tchau, mas senti em sua voz uma vergonha pela situação dos pais.
Pobre menina. Rezo para que supere a instabilidade dos pais e se torne uma moça feliz, que não se deixe abater pela amargura da mãe, que xinga o pai pela ausência em casa. Muito embora eu enxergue nela uma melancolia que deve perpetuar.
Pobre menina. Não perca a fé no amor. Não se deixe entristecer pelas brigas dos pais. Seja forte. Encare a vida de frente e não perca a ternura nunca.

quinta-feira, maio 21, 2009

Família (parte 1)



Houve um momento da adolescência no qual eu desejei que meus pais fossem separados. Um absurdo bárbaro mas, sim, eu desejei que isso acontecesse. A motivação pra esse pensamento ridículo não era algum ruído na relação deles. Era justamente o contrário. Eles pareciam funcionar muito bem juntos, em todos os aspectos (é, naquele também). Mas era tempo de separações. Colegas chegavam no colégio contando que, a partir daquele dia, teriam duas casas para visitar, dois destinos pra ir nas férias. E isso alimentava ainda mais meu desejo tosco de querer que se separassem.

Mas isso passou, junto com a fase mais abobalhada da minha vida. Hoje eu quero mais é que envelheçam juntos. Não consigo enxergar um sem o outro e me deprimo em pensar nos dois apartados. Depois do susto que meu pai nos deu, eu passei a projetar nossa vida sem ele. Céus, é inconcebível! Meu pai é o pai da família patriarcal. Ele é o provedor, ele é o cara que decide as coisas, dá a última palavra. Minha mãe, ela diz "sim, senhor". Eu nunca disse "sim senhor" na boa pra ele, e por isso passamos por momentos turbulentos. Brigas e ofensas que ficaram no baú de lembranças da minha adolescência. Antes de qualquer coisa, eu não concordo com a postura da minha mãe. Mas ela precisou ser assim para que eles não vivessem em constante pé de guerra. O fato é que agora minha mãe não tem mais paciência para dizer "sim, senhor". Ela encheu o saco. E também encheu o saco de dizer amém pra um monte de coisas que a incomodam. E eu tenho medo do que pode acontecer a partir disso. Minha mãe é minha essência sentimental à potência 10. Isso significa um poço de sensibilidade. O que eu venha a dizer pra ela meio sem pensar pode ficar martelando na cabeça dela por dias, num remoer quase doentio. Eu não conheço muito minha mãe. Assim como não conheço muito meu pai. Mas sei que ele não chora em velórios, enquanto minha mãe se acaba em lágrimas por dias e, ainda hoje, chora a lembrança dos que já foram. Mas meu pai chorou quando me reviu no aeroporto, depois de passarmos um mês beeem distantes. E meu pai quase chorou quando reviu fotos como essa, do veraneio de 1982 em Bombinhas, Santa Catarina. Éramos nós três começando nossa família. Minha mãe cuidando para que eu não comesse a areia da praia e, ao mesmo tempo, apoiando meus primeiros passos. E meu pai, em seus dias de fotógrafo, registrando a cena. A foto foi feita por um amigo nosso. Tá, agora quem chora sou eu!

quarta-feira, maio 20, 2009

Eu quero meu PC de volta!

É na ausência que a gente percebe o verdadeiro valor das coisas. É no silêncio cortante, na falta dilacerante, no vazio inexplicável.
Tudo isso é pra dizer que sinto muita falta do meu computador e de todas as coisas cibernéticas que vêm com ele. Tô em crise de abstinência do meu MNS, de escrever nesse blog/descarrego... e percebi que esses dias todos (já são quatro!) de distância virtual têm me feito mal.
Minha rotina incluía, ao acorda, ligar meu PC, escutar meus sons e futricar na rede. Como viver sem isso!!!!??? Devia ser proibido que computadores pifassem!
Enfim, o meu pifou e eu tô pifando junto.
Shit!

domingo, maio 10, 2009

Ando meio assim... boba


Não vou escrever tudo. Serei comedida, por mais que os dedos estejam se batendo no teclado de vontade de traduzir o que se passa nessa cabecinha medonha. Nanana... deixa ficar subentendido. Resumidamentemente... ando ouvindo muitas canções fofas e rindo à toa. Quer dizer, não é à toa.
Nei, manda ver!

Pra te lembrar
O quê que eu vou fazer pra te esquecer
sempre que já nem me lembro
lembras pra mim
cada sonho teu me abraça ao acordar, como uma anjo lindo
mais leve que o ar
tão doce de olhar que nem um adeus pode apagar.
O quê que eu vou fazer pra te deixar
sempre que eu apresso o passo passas por mim
e um silêncio teu me pede pra voltar, ao te ver seguindo mais leve que o ar
tão doce de olhar que nem um adeus pode apagar.
O quê que eu vou fazer pra te lembrar
como tantos que eu conheço e esqueço de amar
em que espelho teu
sou eu que vou estar, a te ver sorrindo, mais leve que o ar
tão doce de olhar que nem um adeus pode apagar.

terça-feira, maio 05, 2009

Purple Rain

Merda, perdi o sono.
Fugiu na 15.ª vez que ouvi Purple Rain. E olha que são 8 minutos e 42 segundos de música. Mas eu sou assim... ouvir à exaustão é meu lema.
O dia foi tenso. Minhas costas tão tensas. Meus dentes exercitam um bruxismo que nem tenho.
Quando paro para pensar, deglutir, assimilar, me dá medo.
É um estágio perigoso... é quando afloram as sensações de arrependimento. Mas eu não tomo decisões precipitadas. Eu me escuto intermináveis vezes. Alguns meses atrás, escutaria ainda mais os outros, mas parei com essa bobagem. Quem tem que me aprovar sou eu. Ponto.
Faço muitas coisas ao mesmo tempo, mas sempre acho que poderia fazer mais e melhor. Síndrome do horário de fechamento, do dead line, da vida corrida que sempre me ganha na hora de cruzar a linha de chegada.
Esse tempo que corre tão depressa... me faz lembrar que faz um ano que estive no Canadá. Falar isso parece até falácia... há pouco eu preparava a viagem, juntava cada troco para bancá-la, projetava tudo o que faria. E foi tudo exatamente diferente. Especialmente na parte em que eu me senti a mais solitária das pessoas, num mundo à parte do mundo dos outros. Mas foram algumas horas, só. Passou rápido, na hora em que eu vi que tinha um mundo pra me encontrar e não um mundo onde me perder.
Putz, agora chove forte lá fora.... e eu não fiz menção a isso na manchete de amanhã. Que merda...
Culpa do falcatrua do tempo, que não deixa que a gente dê conta de tudo o que é preciso fazer.
Mas aí lembrei que, além dos 365 dias passados da minha trip transcendental, faz cinco meses que parei com a hidro e a natação. Sedentarismo podre... detesto sentir preguiça e encontrar justificativas pra ela. "É que tenho medo de ficar com otite de novo". Well, academia baby. "Ah, mas não gosto de puxar ferro." Compra uma esteira. "Muito caro." E por aí vão as desculpas.
Hoje também faz nove meses que regressei ao bom, velho, gasto, renovado, desanimador/empolgante jornal que tanto amo. A criança nasceu! Nove meses gestando um monte de expectativas... boa hora pra perguntar pra mim: "E aí, tá feliz?" Hehehe... e eu, muito doidamente respondo, com um sorriso no rosto e de boca cheia: ssssssiiiimmmmm!!!!!!!!!!
Sei lá, talvez eu seja a última romântica... eu sei que posso ir pra onde for, fazer o que for, mas algo mais forte que eu me faz querer, sim, apostar naquele calhamaço de papel que eu ajudo a fazer. "Yes, I can!" Embora eu quisesse contar com o eco dos colegas pra escrever "Yes, we can!". Mas são alguns parcos parceiros que amam o que fazem a ponto de deixar os problemas da grana curta, das milhares de pautas e das incessantes cobranças de lado pra manter a chama acesa.
Muita meeerdaaaa! Chove muito forte!
E Purple Rain já tocou pela 21.ª vez.
Hora de me abraçar no Dog, Dog e rezar pro sono chegar.
E também pra chuva pararrrrr!

O ser capricorniano


Peguei essa definição num site qualquer.

Precisava reafirmar minhas convicções.

Capricórnio:

Os realizadores do zodíaco.
Se em uma roda de conversa, alguém vem lhe falar sobre os limites da realidade de qualquer questão que seja, então tenha certeza: é um capricórnio.
O dom da responsabilidade é o conhecimento exato dos limites do realizável.
Nativos de Capricórnio são ambiciosos e geralmente, chegam aonde querem.
Sem pressa e sem estardalhaço.
Eles são os primeiros a perceber quais são as regras do jogo de uma situação.
Porque a vida - é como um jogo: tem regras, tem os participantes e tem a plateia.
E eles estarão entre os poucos que sabem disto muito bem.
Capricórnio é daqueles que aparenta mais velho quando jovem, e mais jovem quando velho.
São pacientes, comedidos e resistentes.
São sérios no modo de se apresentarem, por vêzes de se vestirem.
Te desnorteam também quando contam piadas com o tom mais sério do mundo.
São assim: lacônicos, espertos, perspicazes e, na maioria das vezes, com acentuado senso de humor.

domingo, maio 03, 2009

A tristeza na felicidade

Parece fora de propósito, mas há um quê de tristeza na felicidade. E esse quê está na ausência.
É uma ruptura muito cruel, a partida. Num segundo há um mundo ao seu lado. Na fração seguinte, o vácuo. Um mundo que pulsa, respira, abraça, acarinha, beija, brinca, sorri. Agora, sou uma sem-mundo.
Sem drama. Sem desespero. A ausência é necessária. É quando aborvemos e refletimos sobre o quê, afinal, acontece. Mas o quê, afinal, acontece? Acontece o inexplicável, o inverbalizável. Porque definir com palavras é muito pobre, muito simplista.
Paz de espírito. Essa expressão já é um bom começo. Estou em paz. Porque re-encontrei a minha paz.

Drummond escreveu sobre ausência. Deixo que ele a explique:

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Valeu, Drummond. A minha ausência, assim como a sua, é cheia de presença.