Quarta-feira, Junho 27, 2007

Carpinejar

Ler Carpinejar é sempre uma injeção de oxigênio na minha visão de mundo. Se esse homem, além de exímio pedreiro das palavras, ainda fosse bonito... aí seria o supra-sumo do sonho de consumo. Se bem que tem mulher que se encanta por ele mesmo sendo narigudo, desmilingüido, olhar caído, baixinho, dentes tortos, cabeça em formato estranho... e ainda deve ser barrigudo! Enfim, nada que palavras bem colocadas não superem a beleza plástica. Ou não...
Bah, tantas idéias que rendem reflexão... mas ele escrevia sobre a troca de textos via e-mail. Ou, enfim, no âmbito geral, a impessoalidade das relações.
A palavra falada perdeu lugar para a escrita. Não sei se por vergonha, por dificuldade, para se poupar da expressão do rosto do alvo da escrita.
Eu, particularmente, prefiro organizar minhas idéias no papel (ou na tela do computador). Sou péssima pra falar na lata. Raras são as vezes em que me orgulho do que disse de bate-pronto. É comum gaguejar, usar termos errados, falsear... um inferno! Por isso escolhi a profissão que escolhi, oras!
Já volto... trabalhar um pouco... ou enganar um pouco, como queiram...

Terça-feira, Junho 26, 2007

Essa tal felicidade

Afinal, quando é que a gente atinge a plena satisfação na vida?
Bah, perguntinha difícil...
Mas ela tá sempre no ar, subentendida. Principalmente quando a gente abre mão de uma coisa em detrimento de outra.
Por exemplo: os namoros que tive. Quando terminaram, a sensação inicial foi de carência, mas não demorou muito pra bater uma certa desilusão. Do tipo "será que eu amei?"
O mesmo acontece em outros setores.... atualmente, com mais força, no profissional.
"Será que tomei a decisão certa?"
Um saco isso!
Mas acho que é do ser humano estar sempre com uma pontinha de insatisfação.
Até pra não ser pego pelo comodismo.
Por outro lado, sempre falta alguma coisa.
E a gente passa parte da vida tentando se convencer de que o que se conseguiu foi bom, era pra ser, nos fez feliz.
Vai saber, né?

Segunda-feira, Junho 25, 2007

Lembrança

Acordei com a língua solta, ferina (ou seriam os dedos inquietos?).
Nada muito revelador, nada muito empolgante, nada novo.
O desamor permanece, o inconformismo, mais abrandado.
Ainda bem que mantenho o espírito distante da busca de nova sarna pra me coçar.
Zero a zero total. E dessa vez o mando de campo é meu, portanto, estou na vantagem. Posso administrar o tempo a meu bel prazer.
E isso é bom, é menos angustiante, é mais pacífico.
Nesse exato instante, lembrei da boca dele. Dos lábios finos e macios tocando os meus. E depois, percorrendo meu corpo, brincando com meus seios, me levando à loucura enquanto beijava minha barriga.
Beijo gostoso o dele. E tudo mais que vem depois.
Não sei bem explicar o que aconteceu.
Foi quase um ano. Quase um ano inteiro de desenganos.
Falo de desengano porque não era pra ser. Simplesmente não podia ser.
O que aconteceu foi mais forte que a consciência, que o juízo, que a certeza de que não duraria.
E, aos poucos, foi sendo sufocado pelas convenções, as mesmas que não conseguiram conter a vontade de estarmos juntos.
Irônico, mas foi assim. Acabou assim, muito embora a vontade de conversar, abraçar, estar junto, beijar, ainda permaneça. Mas não pode ser.
Simplesmente não pode ser.
Não pode ser.
Pode ser.
Ser.

Encontros e desencontros (Lost in translation)

Não sei porque, mas saí de casa sábado pressentindo que cruzaria com algum conhecido. Não qualquer conhecido, afinal, a cidade é pequena de mais pra não topar com algum afeto ou desafeto.
A cachaça não foi suficiente para disparar os verbos presos na garganta. Nem me senti em condições de dizer nada além de "tudo bom?", "tudo bem!". Formalidades sociais, nada mais.
Podia escrever muita coisa, mas vou deixar subentendido. Não quero me expor. Já fiz isso de mais e o resultado foram machucados na alma, ainda em processo de cicatrização.
Mas o amor tem dessas coisas. A gente se atira, cai, se machuca e tem que conviver pro resto da vida com a imagem da cicatriz.
Mas amor é algo muito sublime e profundo pra definir o sentimento que houve (ou há, não sei).
Me faltam termos. Ando mal de substantivos.
Também me falta a sua companhia, o cheiro do seu cigarro, sua cruzada de pernas (sim, note que você, volta e meia, cruza as pernas enquanto fala ao telefone), seus olhares fortuitos, sua indignação fundamentada e até seu comodismo conformista.
Talvez tenha sido ele, mais uma vez, o responsável pelo fim.
Talvez tenha sido ele o responsável pela sua felicidade covarde.
Talvez tenha sido ele o responsável pela minha solidão.
E talvez tenha sido ele o responsável pela minha saudade de você.
E espero mais um encontro, ou quem sabe só mais um desencontro.

Terça-feira, Junho 12, 2007

Mais um típico Dia dos Namorados...


Descrição de cena típica de Dia dos Namorados. Acompanhe:
16h30, esquina da Avenida Nações Unidas com a Rua Marcílio Dias, Centro da decandente metrópole calçadista Novo Hamburgo.
Uma acanhada jovem de uns 17 anos segura com um desconforto absurdo um buquê de rosas vermelhas (umas duas dúzias, calculo) envoltas naquele papel crepom bagaceiro típico de floricultura baratinha.
Talvez estivesse saíndo do trabalho, para onde o querido amado mandou entregar o óbvio presente de Dia dos Abobados.
Ela distanciava o embrulho do corpo de tal maneira que, se pudesse, jogáva-o no Arroio Luiz Rau, tamanha vergonha que a infeliz demonstrava. Parecia segurar um pacote com uma bomba prestes a explodir, ou peixe podre, sei lá. A ânsia era tanta para atravessar a rua e chegar em casa que ela não suportava esperar a sinaleira fechar. Disputava espaço entre os carros, a passos apressados e desengonçados. A calça jeans apertada e as botas plataforma dificultavam ainda mais seu deslocamento. Olhava para os lados em rápidos movimentos de virada de rosto, jogando os cabelos de maneira que escondessem seu rosto.
- Que merda! Pq esse infeliz não mandou esse buquê fuleiro lá pra casa, pra me poupar desse papelão! Bah, mas aí meus pais iam ver. Não sei o que ia ser pior! - devia estar matutando a jovem namoradinha.
As orelhas do rapaz satisfeito com a atitude que julgava ser das mais românticas deviam estar fervendo a essa altura... podre guri! Gastou uma nota tentando agradar a moça morta de vergonha...
Mas é isso aí!
Mais um Dia dos Namorados que chega e, passada a meia-noite, se despede. E com ele se vai a obrigação de agradar o companheiro, gastar neurônios tentando surpreendê-lo e sempre cair no lugar comum, no óbvio, no piegas.
Não são observações de uma solteira amargurada, não!
Já tive Dias dos Namorados gloriosos!
Lembro-me do primeiro, aos 18.
Meu presente (um pijama da Hering - um shortinho branco com diversos escritos "love" em vermelho e uma regata com a frase borbada no centro) foi entregue por um ex-colega de aula no shopping. É, o tal namorado quis me "surpreender". Na real, é que ainda não sabíamos definir o que rolava. Faltava que alguém estabelecesse que estávamos, enfim, namorando. Adivinha quem bateu o martelo? Eu, claro. Ah, ele apareceu na esquina do corredor do dito centro de compras segundos depois que eu recebi o pacote do pombo correio. Época hilária! Namorávamos nos bancos do shoping. Até que um segurança cutucasse o ombro dele e mandasse parar com a pouca vergonha. No caso, beijinhos singelos. Será que ainda expulsam jovens pombinhos dos cantos dos shoppings?
Enfim, reflexões acerca da data.
Se é um mero instrumento do comércio pra aquecer as vendas, definição muito capitalista.
Nos faltam, hoje em dia, motivos pra comemorar.
Que sejam criados artificialmente, então.

Segunda-feira, Junho 11, 2007

Bola pra frente




Chega de tristeza! Xô, melancolia!
Essa não sou eu! Isso não me pertence!
A bruxa ficou no meu encalço, gostou do calor da minha nuca, mas tratei de mandá-la pra longe. Otimismo injetado na veia pra afastar a véia!
Boba alegre sempre fui. Nunca dei muito espaço pro desânimo, não como fiz há uma semana. Por mais que estivesse descontente com alguma coisa, tratava de escondê-la com um sorriso amarelo. Mesmo que provocado à base de substâncias alcoólicas, confesso. Uma ajudinha dessa natureza se faz necessária, vez que outra. Mas também é pura enganação.
Salve os amigos! Acho que vou mandar fazer camiseta com essa estampa. Poupo meus confidentes das fotos... deixo subentendido... amigos reconhecem o valor das amizades que mantêm. Não é preciso tanto marketing!
E o timming é impressionante!
Bastou escrever um e-mail pra minha "gurua" aparecer do nada, no momento mais perfeito, a poucos quilômetros de distância! Bah, Deus, essa aí pode anotar no caderdinho.... muito providencial!
Mas o que eu tenho pra escrever é que acho que cheguei à crise dos 20 e poucos. Muita coisa na cabeça, medo de agir pra colocá-las em dia. Pânico do que vem pela frente. Arrependimento de atitudes tomadas. Pior que me sentia muito mais dona da situação e certa das minhas escolhas meses atrás! Onde anda aquela guria decidida, com o mapa do projeto de vida nítido na veneta?
Mas, aos poucos, volto a visualizar o que quero e ter a sensação de que o que fiz foi acertado.
Tropecei nos meus planos. Pensei que não fosse suportar o tirão do resultado das minhas decisões.
Mas voltei! Temo aí! Fênix, saca?
Me reinvento. Com novas bases, mais sólidas. Nada de deixar à mercê de vontades alheias!
Sou o que quero ser, a famosa frase do resultado das minhas escolhas... e fora escolhas sábias, na hora que precisavam ser feitas... basta degluti-las com mais prazer.
Um copo d´água, por favor!


Segunda-feira, Junho 04, 2007

: (

Pensei que fosse passar.
Mas a sensação ruim não vai embora. Só piora.
É como se a alimentasse a cada pensamento.
Como se quisesse ficar assim e nunca mais sair dessa melancolia doentia.
E ainda tenho a descabida idéia de que preciso ser ajudada.
Ninguém tem a obrigação de me ajudar!
Se estou assim é porque quero e pra sair só querendo.
Mas não sinto que tenho forças pra isso.
Cada dia que passa sinto mais vontade e menos razões pra estar aqui.
Quero ir embora. Pra lugar qualquer, lugar nenhum.
Esse mundo não me merece. Não é digno de mim!
Quero minha vida de volta. Quero sentir o prazer da existência que impusiona os homens a contruir castelos, mesmo que de areia, de cartas que caem ao sabor do vento.
Não tenho o que construir.
Não tenho com quem construir. Ninguém quer construir comigo. Só querem me destruir. E eu a mim.
Quero beber para sumir. Quero fumar para sentir o gosto seco e infinito da morte.
Quero chorar, mas as lágrimas não vêm quando peço que apareçam. Elas vêm quando não as quero, quando o motivo é ridículo e o momento inapropriado.
Mas vai passar.
Se não passar, faço passar.
E que Deus me proteja.