Lembrança
Acordei com a língua solta, ferina (ou seriam os dedos inquietos?).
Nada muito revelador, nada muito empolgante, nada novo.
O desamor permanece, o inconformismo, mais abrandado.
Ainda bem que mantenho o espírito distante da busca de nova sarna pra me coçar.
Zero a zero total. E dessa vez o mando de campo é meu, portanto, estou na vantagem. Posso administrar o tempo a meu bel prazer.
E isso é bom, é menos angustiante, é mais pacífico.
Nesse exato instante, lembrei da boca dele. Dos lábios finos e macios tocando os meus. E depois, percorrendo meu corpo, brincando com meus seios, me levando à loucura enquanto beijava minha barriga.
Beijo gostoso o dele. E tudo mais que vem depois.
Não sei bem explicar o que aconteceu.
Foi quase um ano. Quase um ano inteiro de desenganos.
Falo de desengano porque não era pra ser. Simplesmente não podia ser.
O que aconteceu foi mais forte que a consciência, que o juízo, que a certeza de que não duraria.
E, aos poucos, foi sendo sufocado pelas convenções, as mesmas que não conseguiram conter a vontade de estarmos juntos.
Irônico, mas foi assim. Acabou assim, muito embora a vontade de conversar, abraçar, estar junto, beijar, ainda permaneça. Mas não pode ser.
Simplesmente não pode ser.
Não pode ser.
Pode ser.
Ser.
Nada muito revelador, nada muito empolgante, nada novo.
O desamor permanece, o inconformismo, mais abrandado.
Ainda bem que mantenho o espírito distante da busca de nova sarna pra me coçar.
Zero a zero total. E dessa vez o mando de campo é meu, portanto, estou na vantagem. Posso administrar o tempo a meu bel prazer.
E isso é bom, é menos angustiante, é mais pacífico.
Nesse exato instante, lembrei da boca dele. Dos lábios finos e macios tocando os meus. E depois, percorrendo meu corpo, brincando com meus seios, me levando à loucura enquanto beijava minha barriga.
Beijo gostoso o dele. E tudo mais que vem depois.
Não sei bem explicar o que aconteceu.
Foi quase um ano. Quase um ano inteiro de desenganos.
Falo de desengano porque não era pra ser. Simplesmente não podia ser.
O que aconteceu foi mais forte que a consciência, que o juízo, que a certeza de que não duraria.
E, aos poucos, foi sendo sufocado pelas convenções, as mesmas que não conseguiram conter a vontade de estarmos juntos.
Irônico, mas foi assim. Acabou assim, muito embora a vontade de conversar, abraçar, estar junto, beijar, ainda permaneça. Mas não pode ser.
Simplesmente não pode ser.
Não pode ser.
Pode ser.
Ser.


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