segunda-feira, junho 25, 2007

Lembrança

Acordei com a língua solta, ferina (ou seriam os dedos inquietos?).
Nada muito revelador, nada muito empolgante, nada novo.
O desamor permanece, o inconformismo, mais abrandado.
Ainda bem que mantenho o espírito distante da busca de nova sarna pra me coçar.
Zero a zero total. E dessa vez o mando de campo é meu, portanto, estou na vantagem. Posso administrar o tempo a meu bel prazer.
E isso é bom, é menos angustiante, é mais pacífico.
Nesse exato instante, lembrei da boca dele. Dos lábios finos e macios tocando os meus. E depois, percorrendo meu corpo, brincando com meus seios, me levando à loucura enquanto beijava minha barriga.
Beijo gostoso o dele. E tudo mais que vem depois.
Não sei bem explicar o que aconteceu.
Foi quase um ano. Quase um ano inteiro de desenganos.
Falo de desengano porque não era pra ser. Simplesmente não podia ser.
O que aconteceu foi mais forte que a consciência, que o juízo, que a certeza de que não duraria.
E, aos poucos, foi sendo sufocado pelas convenções, as mesmas que não conseguiram conter a vontade de estarmos juntos.
Irônico, mas foi assim. Acabou assim, muito embora a vontade de conversar, abraçar, estar junto, beijar, ainda permaneça. Mas não pode ser.
Simplesmente não pode ser.
Não pode ser.
Pode ser.
Ser.