segunda-feira, junho 25, 2007

Encontros e desencontros (Lost in translation)

Não sei porque, mas saí de casa sábado pressentindo que cruzaria com algum conhecido. Não qualquer conhecido, afinal, a cidade é pequena de mais pra não topar com algum afeto ou desafeto.
A cachaça não foi suficiente para disparar os verbos presos na garganta. Nem me senti em condições de dizer nada além de "tudo bom?", "tudo bem!". Formalidades sociais, nada mais.
Podia escrever muita coisa, mas vou deixar subentendido. Não quero me expor. Já fiz isso de mais e o resultado foram machucados na alma, ainda em processo de cicatrização.
Mas o amor tem dessas coisas. A gente se atira, cai, se machuca e tem que conviver pro resto da vida com a imagem da cicatriz.
Mas amor é algo muito sublime e profundo pra definir o sentimento que houve (ou há, não sei).
Me faltam termos. Ando mal de substantivos.
Também me falta a sua companhia, o cheiro do seu cigarro, sua cruzada de pernas (sim, note que você, volta e meia, cruza as pernas enquanto fala ao telefone), seus olhares fortuitos, sua indignação fundamentada e até seu comodismo conformista.
Talvez tenha sido ele, mais uma vez, o responsável pelo fim.
Talvez tenha sido ele o responsável pela sua felicidade covarde.
Talvez tenha sido ele o responsável pela minha solidão.
E talvez tenha sido ele o responsável pela minha saudade de você.
E espero mais um encontro, ou quem sabe só mais um desencontro.