quarta-feira, agosto 22, 2007

Agora, no céu

Foi rápido, mais rápido do que previmos. É sempre assim. Enquanto nos preparamos para a despedida, eis que somos surpreendidos por um adeus fora de hora, de contexto.
Mas você foi, vô. Foi pra junto das estrelas e anjos, encontrar a paz que já não tinha aqui. E deve ter sido muito bem recepcionado pela sua filha, a tia Milha.
E sobrou para nós cuidarmos da sua serelepe esposa, companheira de 56 anos. Até o padre percebeu o amor jorrar dos olhos de vocês, quando ainda estavas em casa. Porque não tinha um Dia dos Namorados ou Dia das Mães que o senhor não surpreendesse a vó com um ramalhete de rosas vermelhas. As mesmas rosas que, ontem, a vó colocou sobre ti.
Na hora do adeus, o padre perguntou se alguém tinha alguma coisa pra falar sobre o senhor. Não pude ficar quieta. Sempre fui melhor com as palavras escritas, mas tinha que dizer algo, mesmo que entre lágrimas e soluços.
Disse que você foi (e claro que sempre vai ser) um exemplo de vida pra nós. Desde a forma correta como conduziu seus negócios à sensibilidade para injustiças, a pouca tolerância para barbaridades da política, a igualdade no tratamento com todos e, ao mesmo tempo, a sinceridade para falar na seca o que achava sobre determinado assunto, pessoa ou situação.
Vozão, queria ter dito mais, feito mais para homenageá-lo.
Você é um ser humano exemplar. E isso eu vou levar pra vida toda, pros meus filhos e netos.
Tenho certeza de que estás bem, olhando por nós, mexendo seus pauzinhos para que o melhor aconteça com a gente.
Fica bem onde quer que estejas.
Te amamos muito, mesmo que pouco tenhamos demonstrado!

domingo, agosto 19, 2007

Mais perto do céu

Queria poder pedir para que você ficasse.
Mas seria muito sacrifício. Sei que você sofre. Sei que está na sua hora.
Difícil abrir mão da convivência com pessoas tão especiais.
Primeiro foi sua filha, que certamente lhe espera faceira da vida lá no céu. Agora é você que teima em querer nos deixar.
Parece que todos estamos conformados, preparados para a despedida. Mas sei que quando tocar o telefone e a notícia for a sua partida, as lágrimas e a sensação de vazio serão inevitáveis.
Estamos juntos hoje graças a você, vô Cip. Porque sempre, sempre, antes mesmo do anúncio de que eu já existia no ventre da minha mãe, já eram sagrados os churrascos aos domingos. E como eram legais os churrascos no casarão da Joaquim Nabuco. Mas aí vieram os prédios e a inevitável mudança. A casa que vira minha avó nascer, servira de armazém de couros nos primórdios da indústria calçadista hamburguense, calou-se e o terreno virou estacionamento.
Nunca fomos muito dados a carícias, declarações de amor. Coisas da sisudez germânica. Mas bastava um olhar diferente ou a própria ausência nos encontros de família, para o telefone tocar e a dona Myrna reivindicar explicações.
Sofremos com as suas dores, sofremos com o seu sofrimento agoniante. Sabemos que sentes falta das caminhadas para verificar o tempo, dos passeios de carro, da missa de domingo, dos verões em Arambaré.
Mas vô, você vai fazer tudo isso em outro plano. Porque eu acredito que quando a gente deixa essa vida para traz - sem antes fazer das tripas coração para constituir família, criar os filhos, ensinar os netos e tentar fazer nesse mundo um lugar melhor pra se viver -, encontra lá encima um paraíso.
Me sinto conformada, mas também me emociono em saber da sua partida tão próxima.
Quem sabe ela aconteça quando você estiver dormindo, sonhando com o dia em que você conheceu minha vó, durante um footing pela Pedro Adams. Ou talvez sonhando com as tantas vitórias alcançadas no plantel do anilado. Ou ainda vibrando com o nascimento dos netos... tantas boas lembranças. Sinais de uma vida muito bem vivida.
Que o pessoal lá de cima te receba bem. Tem um baita time de ex-craques à sua espera, loucos para que você volte a calçar as chuteiras e ocupe a lateral direita do time.
És motivo de orgulho infinito. Vô, tivestes uma vida exemplar. Criastes uma família feliz e muito certa de seus preceitos. Todos somos corretos, não toleramos injustiças.
Fica com Deus, vozinho.

domingo, agosto 12, 2007

A partida

Meu avô Zip já jogou muitas partidas. Não sei se guarda na memória quantas vezes vestiu a camiseta do anilado.... mas foram dez anos de clube, então, certamente passaram de centenas.
Pois ele se prepara para outra partida. E não é daquelas que empolgam a torcida. Ele quer desistir da vida. Cansou. Sinto isso cada vez que o vejo. Há cerca de um ano, definha aos poucos. Sabe que algo de errado acontece com seu corpo. Resmunga e reclama de sua situação. Não consegue mais andar sem ajuda, não pode dirigir ou ir à missa. Sequer passar as férias em Arambaré.
A cabeça luta com o corpo o tempo inteiro. E ele sente que sua hora se aproxima.
Dia desses me deu tchau com um olhar desesperçoso. Lembro-me da cena agora e choro.
Não queria perder minhas referências. Meus avós são meus exemplos, meus guias, meu coração fora do peito.
Sei que lhe trouxemos alegrias. Aliás, eu fui a primeira. A primogênita. Sei que ele gostaria de me ver bem acompanhada, ao lado de um homem que ele aprovasse... quiçá próximo de lhe dar bisnetos....
Mas você parece não querer esperar, né, vô... bom, até eu às vezes perco as esperanças...
Queria parar o tempo e consertar tudo. Descobrir a cura pro câncer, trazer minha tia de volta, mas são coisas que independem da nossa vontade.
Não sei se digo para você esperar, ter força... ou se me conscientizo de que é chegada a hora de você descansar...
Tem uma foto que resume bem o que você representa pra mim, vô.
Aquela em que estou no seu colo, você admirando o mar de Bombinhas e eu comendo minha mão. Naquela época você já usada Gumex... hahaha... deve ter nascido usando Gumex!
Paro pra pensar e vejo que nossa família só existe graças ao futebol, graças ao Anilado, que te trouxe.
Vô, você é um exemplo de vida. Nos ensinou que só chegamos a algum lugar com dignidade, humildade, princípios. É o legado que deixarás para todos nós. Soube ensiná-lo muito bem e, certamente, irá adiante, carregado nos genes dos seus bisnetos, tataranetos...
E o sobrenome impronunciável que nos passou? Não é pra qualquer um, hein?
Seu sorriso largo, de dentes grandes e separados, o cochilo depois do churrasco de domingo, os xingões aos jogadores de futebol, a indignação com os políticos, o joguinho na loteria... tantas coisas... e Arambaré... nós sempre teremos Arambaré!
Te amo, vô!
Fica bem.

quarta-feira, agosto 08, 2007

A partir desta quinta

estamos de volta à terrinha.

p.s: anônimo, tem e-mail pra vc sobre o assunto...