Mais perto do céu
Queria poder pedir para que você ficasse.
Mas seria muito sacrifício. Sei que você sofre. Sei que está na sua hora.
Difícil abrir mão da convivência com pessoas tão especiais.
Primeiro foi sua filha, que certamente lhe espera faceira da vida lá no céu. Agora é você que teima em querer nos deixar.
Parece que todos estamos conformados, preparados para a despedida. Mas sei que quando tocar o telefone e a notícia for a sua partida, as lágrimas e a sensação de vazio serão inevitáveis.
Estamos juntos hoje graças a você, vô Cip. Porque sempre, sempre, antes mesmo do anúncio de que eu já existia no ventre da minha mãe, já eram sagrados os churrascos aos domingos. E como eram legais os churrascos no casarão da Joaquim Nabuco. Mas aí vieram os prédios e a inevitável mudança. A casa que vira minha avó nascer, servira de armazém de couros nos primórdios da indústria calçadista hamburguense, calou-se e o terreno virou estacionamento.
Nunca fomos muito dados a carícias, declarações de amor. Coisas da sisudez germânica. Mas bastava um olhar diferente ou a própria ausência nos encontros de família, para o telefone tocar e a dona Myrna reivindicar explicações.
Sofremos com as suas dores, sofremos com o seu sofrimento agoniante. Sabemos que sentes falta das caminhadas para verificar o tempo, dos passeios de carro, da missa de domingo, dos verões em Arambaré.
Mas vô, você vai fazer tudo isso em outro plano. Porque eu acredito que quando a gente deixa essa vida para traz - sem antes fazer das tripas coração para constituir família, criar os filhos, ensinar os netos e tentar fazer nesse mundo um lugar melhor pra se viver -, encontra lá encima um paraíso.
Me sinto conformada, mas também me emociono em saber da sua partida tão próxima.
Quem sabe ela aconteça quando você estiver dormindo, sonhando com o dia em que você conheceu minha vó, durante um footing pela Pedro Adams. Ou talvez sonhando com as tantas vitórias alcançadas no plantel do anilado. Ou ainda vibrando com o nascimento dos netos... tantas boas lembranças. Sinais de uma vida muito bem vivida.
Que o pessoal lá de cima te receba bem. Tem um baita time de ex-craques à sua espera, loucos para que você volte a calçar as chuteiras e ocupe a lateral direita do time.
És motivo de orgulho infinito. Vô, tivestes uma vida exemplar. Criastes uma família feliz e muito certa de seus preceitos. Todos somos corretos, não toleramos injustiças.
Fica com Deus, vozinho.
Mas seria muito sacrifício. Sei que você sofre. Sei que está na sua hora.
Difícil abrir mão da convivência com pessoas tão especiais.
Primeiro foi sua filha, que certamente lhe espera faceira da vida lá no céu. Agora é você que teima em querer nos deixar.
Parece que todos estamos conformados, preparados para a despedida. Mas sei que quando tocar o telefone e a notícia for a sua partida, as lágrimas e a sensação de vazio serão inevitáveis.
Estamos juntos hoje graças a você, vô Cip. Porque sempre, sempre, antes mesmo do anúncio de que eu já existia no ventre da minha mãe, já eram sagrados os churrascos aos domingos. E como eram legais os churrascos no casarão da Joaquim Nabuco. Mas aí vieram os prédios e a inevitável mudança. A casa que vira minha avó nascer, servira de armazém de couros nos primórdios da indústria calçadista hamburguense, calou-se e o terreno virou estacionamento.
Nunca fomos muito dados a carícias, declarações de amor. Coisas da sisudez germânica. Mas bastava um olhar diferente ou a própria ausência nos encontros de família, para o telefone tocar e a dona Myrna reivindicar explicações.
Sofremos com as suas dores, sofremos com o seu sofrimento agoniante. Sabemos que sentes falta das caminhadas para verificar o tempo, dos passeios de carro, da missa de domingo, dos verões em Arambaré.
Mas vô, você vai fazer tudo isso em outro plano. Porque eu acredito que quando a gente deixa essa vida para traz - sem antes fazer das tripas coração para constituir família, criar os filhos, ensinar os netos e tentar fazer nesse mundo um lugar melhor pra se viver -, encontra lá encima um paraíso.
Me sinto conformada, mas também me emociono em saber da sua partida tão próxima.
Quem sabe ela aconteça quando você estiver dormindo, sonhando com o dia em que você conheceu minha vó, durante um footing pela Pedro Adams. Ou talvez sonhando com as tantas vitórias alcançadas no plantel do anilado. Ou ainda vibrando com o nascimento dos netos... tantas boas lembranças. Sinais de uma vida muito bem vivida.
Que o pessoal lá de cima te receba bem. Tem um baita time de ex-craques à sua espera, loucos para que você volte a calçar as chuteiras e ocupe a lateral direita do time.
És motivo de orgulho infinito. Vô, tivestes uma vida exemplar. Criastes uma família feliz e muito certa de seus preceitos. Todos somos corretos, não toleramos injustiças.
Fica com Deus, vozinho.


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