A partida
Meu avô Zip já jogou muitas partidas. Não sei se guarda na memória quantas vezes vestiu a camiseta do anilado.... mas foram dez anos de clube, então, certamente passaram de centenas.
Pois ele se prepara para outra partida. E não é daquelas que empolgam a torcida. Ele quer desistir da vida. Cansou. Sinto isso cada vez que o vejo. Há cerca de um ano, definha aos poucos. Sabe que algo de errado acontece com seu corpo. Resmunga e reclama de sua situação. Não consegue mais andar sem ajuda, não pode dirigir ou ir à missa. Sequer passar as férias em Arambaré.
A cabeça luta com o corpo o tempo inteiro. E ele sente que sua hora se aproxima.
Dia desses me deu tchau com um olhar desesperçoso. Lembro-me da cena agora e choro.
Não queria perder minhas referências. Meus avós são meus exemplos, meus guias, meu coração fora do peito.
Sei que lhe trouxemos alegrias. Aliás, eu fui a primeira. A primogênita. Sei que ele gostaria de me ver bem acompanhada, ao lado de um homem que ele aprovasse... quiçá próximo de lhe dar bisnetos....
Mas você parece não querer esperar, né, vô... bom, até eu às vezes perco as esperanças...
Queria parar o tempo e consertar tudo. Descobrir a cura pro câncer, trazer minha tia de volta, mas são coisas que independem da nossa vontade.
Não sei se digo para você esperar, ter força... ou se me conscientizo de que é chegada a hora de você descansar...
Tem uma foto que resume bem o que você representa pra mim, vô.
Aquela em que estou no seu colo, você admirando o mar de Bombinhas e eu comendo minha mão. Naquela época você já usada Gumex... hahaha... deve ter nascido usando Gumex!
Paro pra pensar e vejo que nossa família só existe graças ao futebol, graças ao Anilado, que te trouxe.
Vô, você é um exemplo de vida. Nos ensinou que só chegamos a algum lugar com dignidade, humildade, princípios. É o legado que deixarás para todos nós. Soube ensiná-lo muito bem e, certamente, irá adiante, carregado nos genes dos seus bisnetos, tataranetos...
E o sobrenome impronunciável que nos passou? Não é pra qualquer um, hein?
Seu sorriso largo, de dentes grandes e separados, o cochilo depois do churrasco de domingo, os xingões aos jogadores de futebol, a indignação com os políticos, o joguinho na loteria... tantas coisas... e Arambaré... nós sempre teremos Arambaré!
Te amo, vô!
Fica bem.
Pois ele se prepara para outra partida. E não é daquelas que empolgam a torcida. Ele quer desistir da vida. Cansou. Sinto isso cada vez que o vejo. Há cerca de um ano, definha aos poucos. Sabe que algo de errado acontece com seu corpo. Resmunga e reclama de sua situação. Não consegue mais andar sem ajuda, não pode dirigir ou ir à missa. Sequer passar as férias em Arambaré.
A cabeça luta com o corpo o tempo inteiro. E ele sente que sua hora se aproxima.
Dia desses me deu tchau com um olhar desesperçoso. Lembro-me da cena agora e choro.
Não queria perder minhas referências. Meus avós são meus exemplos, meus guias, meu coração fora do peito.
Sei que lhe trouxemos alegrias. Aliás, eu fui a primeira. A primogênita. Sei que ele gostaria de me ver bem acompanhada, ao lado de um homem que ele aprovasse... quiçá próximo de lhe dar bisnetos....
Mas você parece não querer esperar, né, vô... bom, até eu às vezes perco as esperanças...
Queria parar o tempo e consertar tudo. Descobrir a cura pro câncer, trazer minha tia de volta, mas são coisas que independem da nossa vontade.
Não sei se digo para você esperar, ter força... ou se me conscientizo de que é chegada a hora de você descansar...
Tem uma foto que resume bem o que você representa pra mim, vô.
Aquela em que estou no seu colo, você admirando o mar de Bombinhas e eu comendo minha mão. Naquela época você já usada Gumex... hahaha... deve ter nascido usando Gumex!
Paro pra pensar e vejo que nossa família só existe graças ao futebol, graças ao Anilado, que te trouxe.
Vô, você é um exemplo de vida. Nos ensinou que só chegamos a algum lugar com dignidade, humildade, princípios. É o legado que deixarás para todos nós. Soube ensiná-lo muito bem e, certamente, irá adiante, carregado nos genes dos seus bisnetos, tataranetos...
E o sobrenome impronunciável que nos passou? Não é pra qualquer um, hein?
Seu sorriso largo, de dentes grandes e separados, o cochilo depois do churrasco de domingo, os xingões aos jogadores de futebol, a indignação com os políticos, o joguinho na loteria... tantas coisas... e Arambaré... nós sempre teremos Arambaré!
Te amo, vô!
Fica bem.


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