Na contramão
Basicamente, o conteúdo se referia à minha incansável jornada na contramão do fluxo, remando no sentido oposto da multidão, correndo contra o vento.
Porque todo mundo quer um emprego melhor, com salário melhor, pra poder comprar carro melhor, moradia melhor, ter tevê a cabo, chuveiro a gás, elevador. Eu não.
Eu fiz tudo errado. Atingi o limiar das péssimas escolhas. Hoje ganho mal, trabalho feito égua que puxa carroça de papeleiro e não ganho nem um muito obrigado.
Tô puta mesmo. Muito. Não é uma frustração com o emprego. A coisa é comigo. Eu ando na contramão porque, até certo ponto, fazer isso era reconfortante. Agora deu, né! Até porque, as figurinhas do jogo mudaram quase todas. Só sobraram os canastrões e os coitados. E aí, olhando sob essa ótica, eu faço parte desse bando de loosers.
Eu sou aquele bicho que cisca pra trás e passa a vida catando minhoquinha no chão pra sobreviver.
Cruzes, como me odeio por isso! É decadente de mais chegar a essa altura do campeonato e ver que sou o resultado das minhas escolhas e que o score é vergonhoso. Queria estar lá do comecinho de tudo, quando cada novo emprego era uma conquista. Agora, cada velho emprego é uma derrota!
Sair da cama pra quê? Voltar pra casa pra quê? Pra dar de cara com a janela da sala podre e cheia de vazamentos, com a janela do quarto prestes a alçar voo, com o parquet se auto-destruindo, os móveis sendo consumidos por cupins. Sem falar na geladeira vazia, no leite que terminou, no gás do fogão quase no fim e no tanque do carro (financiado) na reserva.
É uma vida maravilhosa ou não? Sonho de consumo do jornalista fracassado!
Por isso, crianças, façam uma faculdade que ao menos exija diploma pro exercício da profissão.


