Terça-feira, Junho 23, 2009

Na contramão

Que meeerddaaa! Escrevo esse texto pela segunda vez. Vai ver é pra fazer uma auto-análise mais profunda.
Basicamente, o conteúdo se referia à minha incansável jornada na contramão do fluxo, remando no sentido oposto da multidão, correndo contra o vento.
Porque todo mundo quer um emprego melhor, com salário melhor, pra poder comprar carro melhor, moradia melhor, ter tevê a cabo, chuveiro a gás, elevador. Eu não.
Eu fiz tudo errado. Atingi o limiar das péssimas escolhas. Hoje ganho mal, trabalho feito égua que puxa carroça de papeleiro e não ganho nem um muito obrigado.
Tô puta mesmo. Muito. Não é uma frustração com o emprego. A coisa é comigo. Eu ando na contramão porque, até certo ponto, fazer isso era reconfortante. Agora deu, né! Até porque, as figurinhas do jogo mudaram quase todas. Só sobraram os canastrões e os coitados. E aí, olhando sob essa ótica, eu faço parte desse bando de loosers.
Eu sou aquele bicho que cisca pra trás e passa a vida catando minhoquinha no chão pra sobreviver.
Cruzes, como me odeio por isso! É decadente de mais chegar a essa altura do campeonato e ver que sou o resultado das minhas escolhas e que o score é vergonhoso. Queria estar lá do comecinho de tudo, quando cada novo emprego era uma conquista. Agora, cada velho emprego é uma derrota!
Sair da cama pra quê? Voltar pra casa pra quê? Pra dar de cara com a janela da sala podre e cheia de vazamentos, com a janela do quarto prestes a alçar voo, com o parquet se auto-destruindo, os móveis sendo consumidos por cupins. Sem falar na geladeira vazia, no leite que terminou, no gás do fogão quase no fim e no tanque do carro (financiado) na reserva.
É uma vida maravilhosa ou não? Sonho de consumo do jornalista fracassado!
Por isso, crianças, façam uma faculdade que ao menos exija diploma pro exercício da profissão.

Quinta-feira, Junho 18, 2009

Show must go on

Não sei mais de onde tirar motivação pra sair da cama todo dia de manhã. De repente, da esperança de um dia as coisas melhorarem. Ou talvez do otimisto que me é nato. Não, não sou mais uma otimista nata. Me transformei numa pessimista ocasional.
Ontem, meu time foi desclassificado da Libertadores e meu diploma passou a não valer nada.
Em que mundo vivemos? Que democracia é essa? Tenho medo do que vem pela frente. Tenho medo de ser subtituída por auto-didatas ditos jornalistas por vocação, que aprenderam a fazer jornalismo na lida. Ok, eu confesso que aprendi assim também. Mas descobri minha vocação e fui atrás de formação, como faz o cara que quer ser médico, engenheiro, psicólogo etc.
Que geração de jornalista teremos nos próximos anos? Do tipo que tá pouco se lixando pra vida do cara que vai expôr no jornal? Do tipo que tem preguiça ou nem sabe que precisa ouvir as 20 versões do fato?
Enfim, perdi o tesão pela coisa. Não quero mais ganhar pouco e ver minha profissão poder ser exercida por qualquer babaca. Ok, sei que não vai perder emprego o cara que continuar se qualificando, seja nos bancos universitários, seja na vivência diária. Mas que dá nojo de ver um bando de ministros irresponsáveis decidir o futuro do jornalismo dá!

The Show must go on! (Queen)
Inside my heart is breaking,
My make-up may be flaking,
But my smile, still, stays on!
Whatever happens, I'll leave it all to chance.
Another heartache - another failed romance.
On and on!
Does anybody know what we are living for?
I guess i'm learning
I must be warmer now..
I'll soon be turning round the corner now.
Outside the dawn is breaking,
But inside in the dark I'm aching to be free!

Quarta-feira, Junho 17, 2009

The show must go on

Empty spaces - what are we living for Abandoned places - I guess we know the score On and on, does anybody know what we are looking for... Another hero, another mindless crime Behind the curtain, in the pantomime Hold the line, does anybody want to take it anymore The show must go on, The show must go on Inside my heart is breaking My make-up may be flaking But my smile still stays on. Whatever happens, I'll leave it all to chance Another heartache, another failed romance On and on, does anybody know what we are living for? I guess I'm learning, I must be warmer now I'll soon be turning, round the corner now Outside the dawn is breaking But inside in the dark I'm aching to be free The show must go on The show must go on Inside my heart is breaking My make-up may be flaking But my smile still stays on My soul is painted like the wings of butterflies Fairytales of yesterday will grow but never die I can fly - my friends The show must go on The show must go on I'll face it with a grin I'm never giving in On - with the show - I'll top the bill, I'll overkill I have to find the will to carry on On with the - On with the show - The show must go on...

Terça-feira, Junho 16, 2009

Benjamin

Assisti ao filme do cara que nasce velho e morre jovem.
Estou com os olhos inchados, mal enchergo a tela, que ja e pequena, alias.
Que vida essa, de nascer velho e morrer jovem!
Eu me sinto a Daisy. Por muitos motivos. Por ter querido ser bailarina (mas, no meu caso, nao sofri nenhum acidente, nasci sem muito talento mesmo). Por ter sentimentos por um cara que parece rejuvenescer a cada momento em que nos encontramos. E por me sentir velha de mais para poder "cria-lo".
Fiquei arrasada depois de assistir ao filme. Outro filme, em paralelo, passou na minha cabeca. Me vi velha e amargurada, trabalhando numa redacao de dinossauros, entre teias de aranha e morcegos, lutando para manter oito paginas de jornal.
De novo eu tento me convencer de que tomei decisoes acertadas, mas tenho medo de ter optado pelo caminho errado. Crises, crises, crises. Sejam elas financeiras ou de consciencia... elas me desestruturam, me atormentam.
Queira Deus que tudo isso passe e volte ao seu estado normal. Nao sei mais administrar crises. Me perdi nas crises.
Mas eu vou me encontrar, juro!
Talvez eu devesse voltar a dancar. E deixar de ser velha. Ou achar um velho pra esquentar meus pes a noite.
Ou ainda melhor, inverter a ordem das coisas: voltar a ser jovem, embora nao me recordo de um dia efetivamente ter sido.

Sábado, Junho 13, 2009

Bette Davis Eyes

Um dia eu subo no palco e canto essa música. Juro!

Bette Davis Eyes

Her hair is harlow gold
her lips sweet surprise
Her hands are never cold
she's got Bette Davis eyes
She'll turn the music on you
you won't have to think twice
She's pure as New York snow
she got Bette Davis eyes
And she'll tease you
she'll unease you
All the better just to please you
She's precocious, and she knows just
What it takes to make a pro blush
She got Greta Garbo's standoff sighs
she's got Bette Davis eyes
She'll let you take her home
it works her appetite
She'll lay you on the throne
she got Bette Davis eyes
She'll take a tumble on you
roll you like you were dice
Until you come out blue
she's got Bette Davis eyes
She'll expose you
when she snows you
Hope you're pleased
with the crumbs she throws you
She's ferocious and she knows just
What it takes to make a pro blush
All the boys think she's a spy
she's got Bette Davis eyes
And she'll tease you
she'll unease you
All the better just to please you
She's precocious, and she knows just
What it takes to make a pro blush
All the boys think she's a spy
she's got Bette Davis eyes

Sexta-feira, Junho 12, 2009

Como é bom dançar



Pra espairecer, escuto no meu Ipod I've had the time of my life, trilha do Dirty Dancing, e lembro do pouco que dançamos e de como era bom dançar a dois. Rock, claro.


Passo agora, então, a dançar sozinha de novo.
Outra música querida que já usei no blog, mas que agora serve pra embalar o adeus.

Pra te lembrar
O quê que eu vou fazer pra te esquecer
sempre que já nem me lembro lembras pra mim cada sonho teu me abraça ao acordar,
como uma anjo lindo
mais leve que o ar
tão doce de olhar
que nem um adeus pode apagar
O quê que eu vou fazer pra te deixar
sempre que eu apresso o passo passas por mim
e um silêncio teu me pede pra voltar,
ao te ver seguindo mais leve que o ar
tão doce de olhar que nem um adeus pode apagar
O quê que eu vou fazer pra te lembrar
como tantos que eu conheço e esqueço de amar
em que espelho teu sou eu que vou estar,
a te ver sorrindo, mais leve que o ar
tão doce de olhar que nem um adeus pode apagar

Flores

Desde sempre fui apaixonada por flores. Quando mal caminhava, fugi da minha mãe e me embrenhei no jardim de uma vizinha, atrás de florezinhas. Até acidente já provoquei por causa delas. De novo minha mãe, capotou o carro depois que eu apontei para um campo coberto por margaridas silvestres.
Mas flores são pra marcar bons momentos, nada de tragédia.
Seja pelo aroma, pelas formas inusitadas, pela alegria que emanam. Há muito o que dizer de flores.
Poucas ganhei. Talvez porque as pessoas que poderiam me presentear com elas fossem pouco sensíveis aos meus gostos. De fato, não me conheciam. E também eram pão-duras, há que se dizer. Uma das poucas surpresas floridas foi um tanto cômica. Recebi de um quase amor. Havíamos saído e no dia seguinte ele mandou um arranjo para o jornal onde trabalho. Tive de ouvir muitas piadinhas, me recordo. E ele jurou nunca mais mandar flores, depois que contei da vergonha que passei. Mas que nada, eu adorei entrar na redação com o arranjo em mãos!
Outra vez ganhei um buquê enoorme de rosas vermelhas do meu último namorado. E junto das flores um cartãozinho bem pequenininho escrito eu te amo. Ele foi obrigado a comprar dez dos cartõezinho, porque não eram vendidos em separado. Aí, todo fim de semana em que nos encontrávamos, ele me surpreendia com um cartão, no qual ele descrevia um motivo pra me amar. Ainda não amava ele, mas quase me convenceu depois daquele monte de flores. Esse mesmo namorado (que percebeu que as flores mexiam comigo pra valer) me presenteou com um arranjo lindo depois que defendi minha banca na faculdade. Flores de vitória. Lembro de sair da banca e um dos professores comentar para ele. "Você é um cara de sorte, essa guria é fera." Inflou nossos egos. Mas não foi o suficiente pra nos manter unidos, pena.
Ontem comprei flores para alegrar a vida. Gérberas amarelas e laranjas. Muito bom olhar pra elas e perceber o quanto a natureza nos é generosa. E como é bom poder estar vivo para admirar tamanha beleza e vislumbrar esperança de dias melhores.
Há de chegar o dia em que não mais precisarei comprar flores. E que esse dia não seja meu velório.
A propósito, cada gérbera sai por 2 reais. Bem baratinho pelo impacto que proporciona, não?

Quinta-feira, Junho 11, 2009

Stain 2

If you just walked away
What could I really say?
Would it matter anyways?
Would it change how you feel?
I am the mess you chose
The closet you can not close
The devil in you I suppose
Cause the wounds never heal
But everything changes if I could
turn back the years, if you could
learn to forgive me then I could
learn to feel
Sometimes the things I sayin moments of disarray
succumbing to the games we play
to make sure that it's real
But everything changes if I could
turn back the years, if you could
learn to forgive me then I could
learn to feel
When it's just me and you who knows
what we could do
if we can just make it through
the toughest part of the day
Everything changes if I could
turn back the years if you could
learn to forgive me then I could
learn how to feel, then we could
stay here together and we could
conquer the world if we could
say that forever is more then just a word
If you just walked away
What could I really say?
Would it matter anyway?
It wouldn't change how you feel?

Stain

This is my life, it's not what it was before
All these feelings I've shared
And these are my dreams
That I'd never lived before
Somebody shake me'Cause I,
I must be sleepin'
Now that we're here, it's so far away
All the struggle we thought was in vain
An' all the mistakes one life contained
They all finally start to go away
An' now that we're here, it's so far away
An' I feel like I can face the day
An' I can't forget that I'm not ashamed
To be the person that I am today
These are my words
That I've never said before
I think I'm doin' okay
And this is the smile
I've never shown before
Somebody shake me'Cause I,
I must be sleeping
An' now that we're here, it's so far away
All the struggle we thought was in vain
An' all the mistakes one life contained
They all finally start to go away
An' now that we're here, it's so far away
An' I feel like I can face the day
An' I can't forget that I'm not ashamed
To be the person that I am today
I'm so afraid of waking
Please don't shake me
Afraid of waking
Please don't shake me
Now that we're here, it's so far away
All the struggle we thought was in vain
An' all the mistakes one life contained
They all finally start to go away
An' now that we're here, it's so far away
An' I feel like I can face the day
An' I can't forget that I'm not ashamed
To be the person that I am today

Quarta-feira, Junho 03, 2009

Frio

Faz frio aqui. No meu apartamento, na rua, e talvez aqui no meu coração, um ventinho suspeito esteja soprando, tirando o aconchego de outros dias.
Pode ser coisa da minha cabeça, eu sei. É aquele constante estado de nunca estar suficientemente satisfeita com o que se tem. Até certo ponto e em alguns aspectos, isso é bom. Não me deixa acomodar. Mas há outras situações em que isso me tira do sério, me faz perder o prumo e me torna a mais insegura das criaturas.
Minha mãe, assim, do nada, como acontece na maioria das vezes em que fala coisas importantes, largou uma hoje muito boa: "Sabe, tava falando com teu pai. Comentava que tu é uma guria muito exigente. E isso deve te incomodar. Quer que a pessoa que esteja contigo tenha iniciativa, adivinhe o que você gostaria que ela fizesse. Não seja assim. Até hoje eu e teu pai estamos nos conhecendo. Por mais que ele seja a pessoa que me empurre pra fazer as coisas, é a mim que ele consulta antes de tomar uma decisão. Porque ele sabe que, se eu estou quieta, é porque estou avaliando a coisa."
Então tá, mãe. Espero que estejas certas na tua sabedoria. Afinal, amanhã fazes 55! Então, parabéns! E vida longa às mães!