Quinta-feira, Maio 31, 2007

No limiar da melancolia

Estou ouvindo Angela Ro Ro.
Pra ativar a melancolia, me fazer sentir pior, aguçar meu destempero, encaminhar a depressão.
Fazia tempo que não sentia isso.
Há exatos 11 anos, aliás.
O que muda hoje daquela situação em que me coloquei aos 15 anos é que não foi só um homem que me deixou assim.
Seria ridículo, convenhamos!
Tantos já passaram, e outros tantos hão de passar pela minha vida, que seria muito fatalista e simplório - aliás até um disparate - creditar tudo isso às já batidas decepções amorosas.
O que também difere essa onda de amargura da que atravessei anos atrás é o ímpeto suicida. Ele ainda não despertou. E espero que assim permaneça.
Se morresse, deixaria meus pais atônitos. Acredito ter sido uma filha muito boa, que talvez tenha superado suas expectativas acerca do rumo que dei para minha vida.
E meus avós, pobrezinhos... não dá.
Mas é só por eles, mesmo.
Não há outros motivos que me levam a pensar a permanecer aqui, no plano terreno.
E como acredito em vida após a morte, não quero experimentar o purgatório.
Alguém aí quer me matar meio assim, sem querer? Alguém aí tem um vírus mortal, que pode ser comprado baratinho, aplicado facilzinho e de ação rapidinha?
Não sei o que me bastaria pra sair dessa.
Fazer festa e beber todas, dançar todas?
Supérfluo.
Tenho que encontrar em mim aquela guria otimista, que não se deixa abater pelas derrotas, porque elas servem de aprendizado e ajudam nas vitórias.
Lindo isso, praticamente uma Martha Medeiros...
Bobagem! Demagogia! Balela. Papinho de otimista que, nem tão no fundo assim, é desgostoso com a vida.
Enchi o saco de viajar no meu inconsciente e achar motivos que sustentem uma alegria de viver falsa.
Batalhei pra chegar onde estou e me sinto com nada. Porque o que tenho não me traz felicidade. Pelo contrário, é motivo de insônia, sensação de impotência, incompetência.
Pior é quando achava que tinha e, na verdade, não tinha nada.
Um nada comprovado por um torpedo.
Porra, um torpedo!
Será que também demitem por torpedo?
Seria legal... uma nova modalidade de demissão, nessa era da impessoalidade.
Quero ficar só e encontrar em mim uma companhia agradável.
Afinal, se não posso contar com o parceiro ideal, que seja a parceira que aparece no espelho!
Isso se não brigarmos. Se bem que não sou de briga. Sou de paz. Sou quieta, instrospectiva. Agüento na carne.
Veja o que minha mais nova amiga Angela tem a oferecer aos depressivos de plantão... engraçado, acho que nos identificamos em vários aspectos. Ela curte uma biritinha, eu tb. No meu caso não a ponto de ser alcoolista, claro. Mas é um escapismo fenomenal! A gente fala bobagem, deixa a alma abrir a boca. E é nessas horas que me ferro... hahaha! Ah, e eu ainda não parti pra experiências com parcerias de mesmo sexo...
Vai Angelinha...
Camisa de força
Quero ouvir você dizer que eu estou doente
Que não sei mais o que faço
Que me perdi completamente
Quero ouvir a sua voz gritar que enlouqueci
Que meu riso é feito pranto e que meu pranto ri
Pois não faz mal, ninguém corre mais que a corça
No natal me dê uma camisa de força
Quero ver no jornal que eu bato berro e brigo
Mas quem sonhou dormiu comigo e ganhou mais um amigo
Seu conselho é que a bebida é minha inimiga,
Mas me protege e do seu frio e ao menos me abriga
Não faz mal o que brilha é a loucura
Passa aqui a garrafa que eu devolvo a cura
Quero ver a grande fila no final do mundo
Toda a gente se empurrando desse jeito imundo
Quero ver a sua cara olhar o viramundo
E Deus me atender primeiro porque sou vagabundo
Mas não faz mal é dos loucos todo o céu
Sou criança bem doce mais gostosa que o mel.

Quarta-feira, Maio 30, 2007

...

Pode ficar pior?

Quarta-feira, Maio 23, 2007

Tristeza


Caí da nuvem.
De novo.
Queda abrandada pela correria do dia-a-dia, pela gripe que fecha minhas narinhas, me faz expirrar, deixa minha voz anasalada.
Queria não ter que cair tanto.
Por que a nuvem sempre passa? Porque é nuvem, oras!
Porque não é céu limpo, firme, de azul ofuscado pela forte luz do sol.
Mais uma vez, um pedaço de mim morre.
E os dias voltam a ser mais cinzas, livres da alegria e da euforia do compartilhamento de emoções.
Culpa minha, claro. Sempre. A história da carroça na frente dos bois.
Mas é isso mesmo!
Nem tenho mais 15 anos pra viver de oba-oba.
Cada homem com que cruzo é o pai dos meus filhos em potencial.
Não é só rosetar, não!
Não é só comparecer, não!
Quero mais, muito mais!
Quero parceria.
Quero estabilidade.
Quero compartilhar.
Você não quer?
Então vá passear!

Segunda-feira, Maio 21, 2007

Morte


Quando eu morrer quero flores, muitas flores. De referência gérberas. Também aceito margaridas. Mas não me venham com crisântemos e cravos. Nada de flores funestas.
Queria morrer no front. Fazendo alguma pauta de risco. Num beco escuro falando com bandido. Pulando de asa-delta. Mergulhando em Santa Catarina. Voando num 474 da TAM. Não quero morte boba, fácil. Quero morrer por merecimento. Nada de doenças, também. Quero morrer sem aviso prévio. Uma fatalidade. Riscos da profissão.
E queria combinar com Deus de deixar que veja toda função do enterro. Família consternada, colegas de profissão chocados, ex-casos aos prantos. Atuais, atônitos, sem saber se choram, porque ainda seria cedo para as lágrimas verterem.
Ou melhor nem ver. Meu espírito sofreria muito ao ver o sofrimento daqueles que gosto. Deixa assim.
Dia desses fui a um enterro. Prazeres da profissão...
Menino de 8 anos atropelado por um foragido em fuga.
Chorei. Vi aquela comoção, os pais agarrados ao casaco xadrez do filho... não consegui segurar.
A morte choca quando soa injusta. Mas acredito que sempre venha na hora certa.
Mesmo quando se trata de uma criança inocente, indefesa, com a vida inteira pela frente.
E como explicar o bebê encontrado sob chuva e frio vivo em Estância Velha?
A Vitória Valentine tinha que viver. Por quê? Ah, o tempo dirá. E a mãe vai se arrepender do que fez pelos longos anos de sofrimento que a vida há de reservá-la.
Pensei nisso hoje, depois de assistir a uma série no Sony.
E meu ap, e meu carro, e minhas roupas, perfumes, bijuterias, sapatos?
Acho que a lembrança é ainda mais cruel. Aquele momento em que fazemos algo e aquela pessoa simplesmente vem à mente, sem aviso prévio e sem consolo imediato. E a gente chora como ato-reflexo.
Muito triste isso!
Mas basta estarmos vivos para vislumbrarmos a morte.
Escrevo sobre morte quase todos os dias. E a banalisei. Mortes não me chocam mais.
São um controle populacional necessário, fazem parte da teoria darwiniana.
Em princípio, o cara que morre na vila nem falta fará. Talvez fará para o traficante que usa ele de mula, para o presidente da torcida organizada que manda que bata em membros da torcida adversária, para o colega de gangue de roubo de carros.
A família já sabia que ia dar nisso. E a lei da vida se cumpre. Claro que a mãe vai fazer fiasco no enterro, chorar, espernear, querer ser enterrada junto. Mas ela já sabia, mãe que é, que isso um dia ia acontecer. Que o filho iria interromper o curso natural das coisas e deixar o plano terreno antes que ela. E isso sempre dói.
Cansei de escrever sobre morte. Cansei de consultar cada uma das dezenas de polícias militares da região para saber se tem morte. E ouvir "hoje não tem nada pra ti", como se fosse uma papa-defunto, carniceira, alguém totalmente desprovido de sentimento. E tem quem goste dessa porra de editoria.
Mas há de chegar o dia em que não terei mais que cumprir essa rotina. Só terei matérias agradáveis pra fazer.
Há de chegar o dia. E aí a idéia de morte vai ter outro sentido. Vai ser algo muito mais indesejável.

Terça-feira, Maio 15, 2007

Ao leitor fiel

Caro senhor (a) fiel ao meu blog.
Lhe escrevo para mandar uma mensagem bastante direta, uma vez que as entrelinhas não têm sido muito efetivas.
Onde andas?
Sem tempo para me dirigir a palavra, escrever um e-mail, mandar um torpedo, combinar um café?
Que descaso!
Para ler essas besteiras adolescentes você tem tempo, né?
Quem sabe, ao invés de acessar a internet, você não disca aqueles numerozinhos que o levam a ouvir minha voz? Hum, talvez o tempo tenha nos feito perder essa intimidade. Talvez ela não seja mais interessante. Talvez.
O fato é que, caro leitor compulsivo, sinto sua falta.
Acesse seu e-mail. Lá deve constar um apelo mais direto à retomada de contato...
Ou quem sabe você cria um blog. Poderemos escrever mais diretamente um ao outro.
bjs
Florbetta

Domingo, Maio 13, 2007

Será que ele é?

Ai, ai...
Tão bom suspirar depois de tantas frustrações!
Não sei o que está rolando ao certo. Só sei que é bom, dá vontade de ter mais e mais e mais.
Definitivamente, não é o cara que mentalizei. Se vai durar, se amanhã nos falaremos, não sei. Mas quando isso acontece, sou tomada por uma bobeira adolescente. Seguida, é claro, da chatice típica de jovens adultos metidos a controladores e responsáveis. Será que é ele? Sei lá! O que importa! Pode ser ele agora. E é o que basta.
Tão fofo... tem um jeito moleque, desligado, encantador. Nada de roupas sociais, poses de homem responsável. É um gurizão de 29 anos. Do tipo light, blasé, sem grandes encanações. Está lendo On the road e Niestch. Mas não falamos de livros. Apenas nos curtimos. Quis saber como sou, se do tipo família ou sozinha na vida. Do tipo frágil ou durona. Do dia ou da noite. E, partindo do pressuposto que estamos "juntos" há uma semana, nos conhecemos muito. Talvez mais do que durante quase dois anos de um namoro à distância.
Agora é controlar a vontade de catar o nome dele no celular e ligar pra vir pra perto.
E esperar pra ver no que e até onde vai...

Segunda-feira, Maio 07, 2007

Sem segredos para ser feliz

Durante as 24 horas passadas na companhia do seresteiro, refletimos sobre o conceito de felicidade. Afinal, quando somos felizes? Pra algumas pessoas, felicidade é um projeto. Daqueles improváveis e distantes. "Só vou ser feliz quando ganhar meu primeiro milhão, tiver dinheiro pra comprar um ap duplex, carro importado, puder vestir os estilistas mais caros."
Bobagem, pura bobagem. Se o consumismo fosse o foco da felicidade, todos os ricos seriam felizes. Mas acho mais fácil conhecer ricos depressivos do que de bem com a vida. Porque tem tudo o que querem, mas o tudo nunca é suficiente.
Eu vivo de momentos de felicidade. Não projeto minha plenitude em algum propósito inatingível.
Busco a felicidade nas pequenas coisas. Numa música perfeita pro momento perfeito. No melhor beijo do melhor parceiro da melhor das noites do último final de semana.
Se vai durar essa felicidade toda? Não sei. Fico triste só de pensar. Mas aí aquele momento de felicidade arrebatador volta à lembrança, e a felicidade instala-se novamente.
Algumas pílulas de felicidade. Daquelas bem simples, mundanas, banais. Comer um xis com maionese verde naquele momento de fome absurda. Beber a Coca-Cola gelada sobre o xis. Tomar um banho quente e relaxado, escutando um som. Deitar na cama e pegar no sono numa pestanejada. Acordar sem a pressão do horário. E voltar a dormir sem compromisso. Transar gostoso, devagar, e dormir de conchinha. Acordar com bafo e rosto amassado, olhar pro lado e transar de novo, bem gostoso. Tomar banho juntinho, lavando as partes com as mãos do parceiro. Almoçar uma comidinha leve e se divertir com os cantos da boca sujos. Dormir de tarde. Ter toda a noite pela frente pra dançar. Acender um cigarro depois de um dia cheio. Escolher a roupa pra festa. Fazer a maquiagem perfeita, pra roupa perfeita, pra festa perfeita. E, na festa perfeita, dançar muitas músicas perfeitas.
São coisas simples, acessíveis a todos. Ricos ou pobres.
O segredo é a total falta de segredo pra ter momentos felizes. É descobrir o que se gosta e fazê-lo de vez em quando. Se puder ser um pouquinho todos os dias, melhor ainda.

Musical

A vida é fantástica. Emblemática. Surpreendente.
Quando é que eu iria me imaginar sentada no sofá de casa ouvindo um cara que conheci há menos de 24 horas cantar pra mim? Detalhe: com violão é tudo.
Coisas que só a vida nos proporciona. Ô, existência maravilhosa!
Não posso negar que fiquei impressionada... tô boba até agora. Se ele se sentiu encabulado, imagina eu, sentada na frente dele, sem saber o que fazer com as mãos, se sorria ou ficava séria, se cantava ou escutava com atenção.
Surreal! Sempre morri de inveja de pessoas com talento artístico. O meu máximo é atacar de backing vocal... ou cantar no carro, no chuveiro...
Mas foi muito fofo, lindo, especial.
Se ele ataca de cantor sempre que pretende conquistar uma nova presa, não sei, não me interessa. Mas pude ver, nitidamente, que ele estava extremamente envergonhado, tímido diante da situação que ele mesmo provocou. Imagina eu, abrindo a porta da minha casa pra um cara com um violão em baixo do braço entrar...
Não bastasse um acústico exclusivo com direito a Neil Young, ele ainda me deu de presente um CD que gravou com os clássicos do rock - isso em menos de duas horas que nos demos de tempo para tomar banho e trocar de roupa.
E agora estou em crise de abstinência!
Muito intenso tudo... o encontro, a conversa, os beijos, o passeio de mãos dadas no shopping, a noite de cantoria.
Não imaginei que pudesse ser surpreendida. Não assim... e ainda trouxe vodka pra quebrar o gelo! Mal sabe ele a bebum com que está se metendo... hahaha!
Tudo muito bom, muito legal, perfeito.
Agora fica a expectativa cruel!
Se sobreviver a ela, tranqüilo!
De qualquer forma, ganhei um CD show de bola, uma apresentação vip e uma noite gloriosa!
À espera de cenas dos próximos capítulos...