domingo, outubro 25, 2009

Sobre noivas e recomeços

Casamentos me deprimem. Chega um determinado ponto da festa, aquele em que todos estão na pista, dançando YMCA ou It´s rainning man, usando aqueles adereços ridículos do tipo pulseiras fluorescentes, óculos de guitarra, penduricalhos piscantes... esse momento que transborda felicidade, bem, nesse momento eu paro e observo essa euforia contagiante e o quanto ela está distante de mim. Ir a casamentos quando se está desacreditada do amor é pedir para achar tudo desperdício de dinheiro, uma grande besteira, um faz de conta caro de mais.
Pois eu e a noiva vivemos momentos de nossas vidas que vão nos acompanhar para sempre. Dividir a adolescência com alguém é cheio de significados. É uma fase tosca, em que a gente não sabe direito a que veio, para onde vai, qual o sentido da vida, entre outros grilos. Pois a noiva dividiu esses momentos comigo. Dormi na casa dela, no quarto da mãe dela, para aproveitar o ar condicionado nos dias quentes do verão. Um dia à tarde, fomos na casa da tia dela tomar banho de piscina e gravar fitinhas K7. Lembro até hoje o repertório: George Michel, Caetano e outras preciosidades. Isso quando a gente não ouvia Fernanda Abreu e Paralamas no rádio da sala do apê dela, na Pinto Bandeira.
Aí não sei porque cargas d´água, deixamos de ser grandes amigas. Quer dizer, paramos de fazer programinhas juntas. Talvez por algo estúpido que eu tenha dito ou feito (eu era meio rude nessa época, meio meninona acho), ou simplesmente porque resolvemos experimentar a cumplicidade de outra pessoa.
Passaram-se uns 11, 12 anos desde essa época. Deixamos de ser amigas? Bem capaz! Volta e meia nos falamos para saber o rumo que cada uma tomou, fofocar sobre as outras colegas, dividir planos de vida, tentar marcar reencontros.
Ontem rolou o reencontro. E como a gente se emocionou! Como a gente chorou relembrando uma fase da vida pra qual a gente nem deu a devida importância, mas que foi, sem sombra de dúvida, a mais importante de nossas vidas.
Eu me senti importante. Não tanto quanto a noiva, que tinha um time de fotógrafos e um garçon pra encher a taça de espumante só pra ela. Mas eu vi que, para aquela noivinha faceira da vida, era importante que eu pudesse presenciar aquele momento mágico.
Minha mente voou longe.
Misto de orgulho da amiga com desesperança.
Mas o espumante ajudou a segurar a onda, dar risadas, dançar e viajar na perspectiva de que um dia vai ser a minha vez de dividir minha felicidade conjugal com elas.
Por ora, é voltar a frequentar os churrascos em famílias, dar atenção aos amigos, curtir a solidão. Mas não por muito tempo. Esse negócio de solidão me deprime e eu não nasci pra isso.

quarta-feira, outubro 21, 2009

Ogros e gatos

Acredite, de certa forma, o ogro faz falta.
O cheiro de lama, no fundinho, tem cheiro de aconchego. A estupidez, de carinho enrustido.
Gatos de botas são traiçoeiros... te procuram com aquela carinha preparada só quando precisam, quando convém. Quando querem pouso, banhinho, leitinho, colinho. Não rola carinho expontâneo, surpresa, romance. É tudo como você esperava e às vezes menos.
Não curto gato. Esse negócio de ir e vir quando quer, sem compromisso, é muito desapego. Eu tô na fase do apego, oras.
E ogros..., putz, ogros querem ogras.
Não, eu não sou uma.

terça-feira, outubro 13, 2009

O ogro

O silêncio me incomoda, a ausência me consome, a mentira me atormenta.
O ogro, verde, grandão, desengonçado e totalmente bruto, abriu os olhos da princesa Fiona. No mundo tão, tão, tão distante, até poderia funcionar, mas princesas e ogros não dão certo.
É outubro e, até agora, nada de animador.
Cartomante, cartomante...