domingo, janeiro 20, 2008

2008 (????)

Aos 20 dias de um novo ano que começa, a moça resolve se manifestar...
Desculpem-me, caros leitores!
É um período muito tumultuado.
Começo 2008 com poucas certezas.
No coração, permanece o vazio. Na mente, muitas vontades e inquietações.
É o ônus de iniciar o ano de idade nova... são muitas mudanças numéricas para um período tão exíguo.
Mas do alto da montanha, a cabra observa a vida, afiando os cascos, balançando os chifres ao vento, arejando as idéias.
E quantas idéias!
2008 desponta como mais um ano que promete muitas mudanças! Não me aquieto, não adianta.
Talvez sejam mudanças consequentes das atitudes de 2007. Não me sinto confortável com as decisões e os rumos que a vida tomou. Conforto, aliás, é uma idéia muito distante do ideal de qualquer bom jornalista que se preze... mas eu cansei de fingir ser feliz no meio do caos.
Finjo ser boazinha com minhas fontes, finjo ser boazinha com meus colegas, finjo ser boazinha até com eventuais candidatos a namorados...
Chega de fingir! Quero ser autêntica, estar num ambiente que me faça bem, onde me sinta querida, reconhecida, seja uma referência.
Joguei pro alto uma rotina que considerava pouco satisfatória. Deixei de conviver com colegas queridos, ouvir suas piadas, sentir o fervo de uma redanção próxima do fechamento. Tudo porque queria ir além. Expandir meus domínios, me sentir desafiada.
Hoje, sou o operário do chão da fábrica. Sabia que o seria, mas pensei que me sentiria feliz com isso. Mas não mais. Sou um número. Uma repórter de nome difícil que cobre uma região igualmente complexa. Grande coisa! Talvez para meus pais e colegas seja grande coisa. Tenho meu nome estampado num dos melhores jornais do país. Mas isso às custas do quê? De um celular ligado 24h, de uma vida solitária, de rotinas estressantes, desgastantes.
Mas a Florbetta 2008 tem objetivos mais ambiciosos e revigorantes ... viaja em abril, vai desbravar um país desconhecido na companhia de ninguém. Porque ela não precisa de ninguém, oras (até parece...)!
Estou muito tempo sozinha. Vai fazer dois anos que somos eu e meu apartamento. Meus pais passam o verão na lagoa. Eventualmente, ligam pra saber como estou. Mas ainda querem saber de mim... ufa!

Esses dias senti inveja das minhas avós. Foram criadas para serem mães e esposas exemplares. E só. Ah, e também para cuidar do lar.
Hoje, mal somos sementinha nas barrigas de nossas mães e já temos um mundo de desafios pela frente. Porque temos de ser os melhores entre tantos ótimos competidores. Melhores na escola, melhores na aulinha de desenho, na escolinha de natação, no cursinho de espanhol. E no vestibular, entrar na melhor faculdade, tirar as melhores notas, conseguir o melhor estágio e depois o melhor emprego.
Eu sempre me cobrei gratuitamente. Consegui entrar nesse mundo cão do jornalismo. Batalhei para entrar na melhor empresa. E sempre soube que não era a melhor. Sempre reconheci minhas limitações e invejei os grandes profissionais. Tenho meus méritos, mas sou frágil. E no meio desse turbilhão competitivo, ainda quero a tal felicidade. Que não vem só com a realização profissional, vem com o desejo latente de compartilhar com alguém o que conquistei e o que ainda quero alcançar. Vem com a cama quente preenchida por um corpo que ronca ao meu lado, com um cafuné desajeitado no cabelo, com a mesa posta pro café de domingo, com a toalha molhada sobre a cama, com o tênis sujo do lado do sofá e o maldito futebol com os amigos no sábado à tarde.
E quando a gente não tem nada disso, o que fazer para manter o otimismo em 2008? Chorar num cantinho!!!!
Salve 2008, o ano das ótimas mudanças!