Fantástico mundo a ser descoberto

Ontem dei um grande passo em minha vida. Assinei os papéis e dei entrada na minha grande viagem. Outubro do ano que vem passo um mês no Canadá, em Vancouver. Queria poder arrumar as malas e sair correndo agora. Tão gostosa a expectativa de viver sozinha em um país de língua diferente, costumes diferentes, longe de qualquer pessoa conhecida. E também tão assustadora a idéia de estar distante de tudo e de todos. São desafios que empolgam, tornam a vida mais viva, pulsante. Assim deveria ser nossa vida, aliás. Repleta de novas sensações, diferentes descobertas, prazeres inexplorados. Sinto que será um momento de descobertas. Serei eu capaz de me vivar em território estrangeiro? Dada a minha disposição para o novo, sim! E vou além. Penso em uma reviravolta. Mas, ao mesmo tempo, as mãos da prudência me seguram. Não dependo de ninguém e ninguém depende de mim, mas tenho planos, contas a pagar... e não sou dada a decisões impulsivas. Quero muito mudar. De emprego. Sinto que onde estou não progrido, não ando pra frente, não cresço. Sou, hoje, uma planta em estufa. Se não me derem mais espaço pra crescer, ampliarem o tamanho do meu vaso, aumentarem minha terra e me adubarem, fico assim como estou por anos a fio. No entanto, minhas raízes estão loucas pra se expandirem... ah, que angústia.
Antes de vir trabalhar, hoje, assistia a um programa no People & Arts. Noivas Neuróticas. A poucas semanas do casamento, elas entram em um programa power de exercícios pra perder peso e entrar no vestido. Também mostram as futuras senhoras perdendo a paciência com detalhes da cerimônia, discutindo com os noivos... um estresse. E aí me surgiu o questionamento. Será que alguém já desistiu do casório às vésperas da data? Porque é exatamento nesse momento de nervos à flor da pele que surgem as desavenças, as diferenças e afloram as verdadeiras personalidades. Doida eu, hein? Assistindo a programas de preparação de casamentos justo agora que estou anos luz de um possível enlace. Mas é inevitável. Atire a primeira pedra a mulher que nunca se viu dentro de um vestido branco, cabelo preso com coque, diante daquele corredor (cheio de gente que sa viu duas vezes na vida) que a separa do matrimônio. É algo cultural, análogo à mulher. Mas também é assustador. O medo de errar e ter que esconder as fotos, se desfazer do vestido, dividir os presentes... bah, se em fim de namoro há lembranças a enterrar, o que se dirá de um casamento desfeito!
Mas, enfim, agora, tudo é expectativa.


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