Quero ser Mulher Maravilha

Quando pequeninha, tinha uma fantasia de Mulher Maravilha. Era um shortinho azul com estrelas bancas, uma blusa tomara-que-caia vermelha com o símbolo da Mulher Maravilha colado no peito, uma faixa de plástico amarela pra colocar na testa, pedaços de plástico amarelo imitando botas pra colocar sobre os tênis e o principal: a capa azul, com estrelas brancas. Amarrava ela ao pescoço e saracoteava enlouquecida pelo apartamento, me sentindo muito poderosa. Por mim, passava o dia vestida de Mulher Maravilha! Tudo era motivo pra usá-la. Sábados, quando meu pai ia jogar futebol na casa da minha tia-avó, ia correndo pro armário me paramentar. Festinha de escola, o mesmo.
Uns dois anos e pouco atrás rolou um convite pra uma festa à fantasia. Fui direto à loja de aluguel de fantasias. Eis que vejo a dita pendurada em uma arara no canto da loja. Era inverno, mas não poderia deixar de prová-la, sentir de novo aquele gostinho de brincar de super-heroína! E foi muito engraçado. Estava com um amigo que se vestira de macaco. Saímos da cabine e olhamos um pro outro. Risos, muitos risos. Mas em mim bateu uma nostalgia incrível! A fantasia que provara era mais elaborada... parecia mais real. Só faltava poder, de fato, voar. Mas nada que a imaginação não proporcionasse. Ah, como queria ser de novo a Mulher Maravilha! Ter de volta meus superpoderes.... combater o mal, derrotar monstros, chegar em casa, tirar a roupa e tomar um martini ao som de Sade. Bem tranqüila e com a sensação de dever cumprido.
Tá aí, acho q vou comprar uma fanstasia de Mulher Maravilha. Quando a peteca estiver quase caindo, vou lá e visto a roupa superpoderosa, me olho diante do espelho e volto a levantar a peteca. E à noite, faria diligências pra conferir se a ordem estaria sendo mantida... coisas de menina que sonha em ser heroína...


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