quinta-feira, abril 26, 2007

Um animal sentimental


Um cigarro, por favor!!!!!!!!!!!
Esse é um daqueles momentos que necessitam de baforadas de nicotina.
Mas como a estratégia da força do pensamento (acho que) não vai funcionar, vai sem a fumacinha cancerígena mesmo...
Cabeça cheia, de novo. Tá sempre cheia, aliás. E, na maioria das vezes, de bobagens.
Ultimamente, a escrita não tem sido muito prazerosa. Sofro horrores até achar a palavra que julgo adequada, a expressão mais precisa, a declaração mais impactante. E isso tem me levado a ter medo, uma espécie de pânico até. Auto-crítica de mais passa do salutar ao doentio num pulo. Uma notinha banal demanda tempo. E não dá pra abusar do dito! Ele tá sempre soprando na nuca.
Às vezes me pergunto por que não escolhi ser bancária! Vidinha pacata, boa remuneração, final de semana, feriado.
Mas não, tinha que ir pelo mais complicado! Cada dia uma surpresa, um abacaxi pra descascar. Tudo porque achava que tinha talento pra escrever! Que fosse escritora, então! Cursasse Letras! Mas tá aí, sete anos no batente. E volta e meia, as mesmas perguntas. É que não dá pra ser feliz todos os dias. Não dá pra ter entusiasmo todos os dias. Não dá pra produzir feito máquina todos os dias.
Em tempos tão competitivos, em todos os âmbitos, a gente perde um pouco a humanidade. No jornalismo sinto isso de forma mais latente. Temos que demonstrar felicidade e disposição sempre! Agradar a fonte, tratar bem... mesmo que a TPM esteja a mil, a vida amorosa uma merda, a em família um caos e nenhuma prespectiva de melhora à frente.
E a gente tem o desafio de tirar um coelho da cartola todo dia. A tal da criatividade é exigida à exaustão. E quando não funciona, o que a gente faz?
Sei lá! Às vezes sinto que extrapolei meu limite. Vivo uma paranóia. Um Hamlet constante. Afinal, ser ou não ser? Porque a gente tem que ser. Sempre! 24hrs por dia! Senão a máquina nos atropela. Sem dó nem piedade. E já tem gente na fila só esperando pela oportunidade que vc teve e não soube aproveitar. Urubus! E vc, incompetente!
E será que dá pra ser competente em tudo? Até agora, não consegui chegar a esse cúmulo da perfeição... nem perto! Se sou feliz profissionalmente, muito me falta pra ser feliz no amor. E quando sou feliz no que faço, ainda arranjo sarna pra me coçar. Como agora, que sinto calafrios de pensar no dia de amanhã, na pauta que pode exigir muito de mim e eu não ter condições de dar conta.
Não me conheço mais. Não me reconheço. Chego em casa e tenho vontade de chorar. Mas por quê? Por qualquer coisa. Pelo mosquito que zumbe próximo do meu ouvido, por minha baixa produção, pela violência no Rio, pelo pedinte sentado no cordão da calçada, pelo café prometido pelo amigo que nunca acontece... motivos não faltam pra um animal sentimental feito essa que vos escreve. Preciso de paz.