quinta-feira, dezembro 28, 2006

Um brinde à felicidade!

As portas traseiras do Fenac que peguei hoje à tarde pra voltar para casa rangiam. Um barulho ensurdecedor, estridente, xarope. Estava sentada bem próxima da saída, então, o barulho fazia eco em meus ouvidos.
Experimento o que vivi diariamente há exatos três anos, durante dois anos. Andar de ônibus. Não perder a hora para não perder o ônibus. Esperar na parada, contar as moedas do valor da passagem, aguardar a senhora mais velha cumprir a proeza de subir as escadas da entrada do bus, cumprimentar com um menear de cabeça o motorista, torcer para que aquele banco mais alto, próximo da saída, esteva vago, puxar a cordinha metros antes da parada de destino.
É, estou desmotorizada. Vergonha de contar o que aconteceu. Muita imprudência!
O fato é que foi um aviso. Uma combinação do que minha mãe vivia dizendo quando anunciava a saída do final de semana com o que o cara lá de cima pensa dessas idas a Poa desacompanhada (salvo meu time de anjos da guarda, que estão sempre no aquecimento para entrar em campo quando necessário).
Termino o ano como muitos outros de anos atrás, de três anos atrás. Sem carro, de bus, a pé. Mas tranqüila. Feliz. Sem carro, sem namorado, mas com ap e na companhia inigualável da minha família querida. Não falo isso com tom de consolo, não! Com minha família posso ser quem sou, acordar de cara amassada, com bafo, cabelo desajeitado, sem vontade de fazer muita coisa. Mas quando estamos juntos, tudo funciona numa sincronia típica de relacionamentos consangüíneos. Somos família! Temos a mesma bagagem genética!
Quero dormir no meu quarto de praia, acordar com os pardais saindo dos ninhos debaixo do telhado, caminhar de pés descalsos sentindo o frio das lajotas, comer as frutas que meu pai deixou picadinhas pra mim, dar bom dia ao dia, vestir o biquíni, inflar o bote, carregar o jipe e curtir a beira da lagoa, minha Lagoa dos Patos. Onde dei meus primeiros beijos (submersos), tomei meu primeiro porre, fiz minhas melhores festas.
Sinto, mais do que nunca, que estarei no lugar certo para começar um ano que pretendo que seja muito especial.
A gente traça nossos caminhos, claro que sob o olhar atento das forças superiores, mas as decisões saem da nossa cabeça, do nosso livre arbítrio, das nossas escolhas.
Então, que 2007 seja um ano de escolhas certas, muita iniciativa e, conseqüentemente, das decisões acertadas, muitos momentos felizes. E de preferência bastante freqüentes. E que a gente consiga extrair a felicidade das pequenas vitórias diárias, da música boa que toca no rádio, do sol e do céu azul do dia, da sensação de que as pessoas lhe querem bem e você a elas.
UM FELIZ 2007 PARA TODOS NÓS!