A complicada existência
Queria entender porque a gente complica tanto as coisas. Ok, há aspectos de nossa existência que demandam reflexão, aquele momento "será que devo?", mas, pra maioria das situações, basta aplicar o princípio da praticidade e utilidade. "Vai fazer bem pra mim? Sim? Ok, vamos adiante. Não? Paro por aqui."
Eu sou daquelas criaturas que têm grande dificuldade em esconder sentimentos. Seja de felicidade, insatisfação, ansiedade, tristeza. Tudo transparece. E a tendência é cobrar daqueles que me despertam tais sensações uma satisfação, uma explicação. Mas nem todos levam o coração na garupa. Nem todos têm a noção do que fazem aflorar na gente e do quão angustiante é a incerteza, a indecisão. Se gosto, quero conhecer mais, até encontrar o que não me agrada tanto e descobrir que nem gostava tanto assim. Ou não. Diante da descoberta de que se é ainda melhor, aí, irremediavelmente me deixar apaixonar. Caso nem seja lá essas coisas, volto a procurar alguém de quem gosto de algo ao qual possa me agarrar. A gente funciona assim. Gosta-se um pouquinho, daquela pontinha que nos mostraram. Aí vamos à cata de novos aspectos do ser pra saber se ele é assim, tão "gostável". Mas me frustra imensamente não poder conhecer mais pra chegar às minhas conclusões. Porque teve alguém, em determinado momento da história, que inventou que mulher tem que ficar esperando o movimento masculino, senão eles se assustam e ela passa por oferecida, promíscua, vagabunda. Na boa, se essas convenções sociais não fossem ainda tão fortes, virava cabra macha agora e minha vida seria muito mais prática. Vou pelo meio termo, mas nem sempre o raio do olhar funciona, a dança insinante, a jogada de cabelo, o perfume... É uma safra de homens muito tapados, inseguros, bobos. E nós, mulheres, cada vez mais independentes, poderosas, seguras de si. E eles, coitados, acuados, medrosos... mas a gente precisa desses demônios. É que a vida não é completa sem troca, sem o outro pra contarmos como foi o dia, servir o bolo que não deu certo, a pizza do final de semana que queimou. Conclusão: preciso provar o lesbianismo.
Eu sou daquelas criaturas que têm grande dificuldade em esconder sentimentos. Seja de felicidade, insatisfação, ansiedade, tristeza. Tudo transparece. E a tendência é cobrar daqueles que me despertam tais sensações uma satisfação, uma explicação. Mas nem todos levam o coração na garupa. Nem todos têm a noção do que fazem aflorar na gente e do quão angustiante é a incerteza, a indecisão. Se gosto, quero conhecer mais, até encontrar o que não me agrada tanto e descobrir que nem gostava tanto assim. Ou não. Diante da descoberta de que se é ainda melhor, aí, irremediavelmente me deixar apaixonar. Caso nem seja lá essas coisas, volto a procurar alguém de quem gosto de algo ao qual possa me agarrar. A gente funciona assim. Gosta-se um pouquinho, daquela pontinha que nos mostraram. Aí vamos à cata de novos aspectos do ser pra saber se ele é assim, tão "gostável". Mas me frustra imensamente não poder conhecer mais pra chegar às minhas conclusões. Porque teve alguém, em determinado momento da história, que inventou que mulher tem que ficar esperando o movimento masculino, senão eles se assustam e ela passa por oferecida, promíscua, vagabunda. Na boa, se essas convenções sociais não fossem ainda tão fortes, virava cabra macha agora e minha vida seria muito mais prática. Vou pelo meio termo, mas nem sempre o raio do olhar funciona, a dança insinante, a jogada de cabelo, o perfume... É uma safra de homens muito tapados, inseguros, bobos. E nós, mulheres, cada vez mais independentes, poderosas, seguras de si. E eles, coitados, acuados, medrosos... mas a gente precisa desses demônios. É que a vida não é completa sem troca, sem o outro pra contarmos como foi o dia, servir o bolo que não deu certo, a pizza do final de semana que queimou. Conclusão: preciso provar o lesbianismo.


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