terça-feira, setembro 19, 2006

As putas da minha esquina


Será que um dia a gente encontra nossos limites e aprende a não brincar mais com eles? Bah, se for pelo exemplo de alguns, o limite tá sempre à prova. É sempre um pouco além do que se pensava. Sei que o meu é curto, restrito, mas insisto em arrebentá-lo e, conseqüentemente, me arrebentar e me arrepender, e lamentar, e ficar puta comigo mesma, e olhar pra trás e ver quanta merda posso ter feito sem ter a consciência pra me amparar... que ódio! Bem feito pra mim. O psicológico se vingou no físico. Podre. O corpo dói, o estômago não aceita nada, os olhos pesam. Mas é o psicológico que ainda dói mais. Arde.
E como a gente se vinga pelos nossos atos estúpidos? Nos privando de coisas que nos proporcionam prazer como penitência. O desafio é vencer a tentação. Mas são meus princípios que estão em jogo. E meu comprometimento comigo mesma.
Buenas, isso já aconteceu outras vezes e, temo, mas sou sincera, creio que não será a última vez. Contanto que sirva de aprendizado pra vida e fique presente na lembrança, quem sabe a próxima mancada seja em proporções menores...
Mudando de assunto, sexta-feira ouvi um tiro 15 minutos após chegar em casa. Um tiro. Um estalo seco, com eco, e seguido de gritos e correria. Isso na esquina do prédio onde moro. Puta merda! Que susto! Que medo! Sempre me senti protegida contra essas barbaridades. Não sei, acho que porque, graças a Deus, nunca passei por nenhum aperto, sinto como se estivesse imune a isso. Mas foi na esquina da minha casa. Há uns oito anos, foi em frente à minha casa. Tiros, reféns, gritaria. Pacata cidade? Não, faz tempo que perdeu esse título. Toda cidade tem problemas de cidade, por mais cara de interior que tenha. Basta que um bandidão desgraçado resolva entrar nessa cidade e fazer bagunça. Foi-se o sossego. E isso me incomoda. Perturba. Espero que o tiro não tenha atingido ninguém. E que minhas amigas prostitutas tenham saído imunes e que não tenham medo de seguir fazendo ponto na minha esquina. Me sinto protegida com elas por perto. Esses dias me aproximava de casa quando, na esquina do outro lado da rua do meu prédio, vi uma delas se aproximar (melhor, deles. São todos travestis, creio que por preferência da clientela) e, como nenhuma desviou, acabamos levemente trombando. Muito engraçado! Confesso que provoquei o choque, não fiz muita questão de desviar. E ela (e), bem despachada, claro, pediu "desculpa, linda"! Ri muito até abrir a porta do ap. Me senti íntima dela por aquele breve instante. Às vezes queria fazer amizade com elas, saber de suas vidas. Mas aí correria o risco de ter que levá-las pra visitar meu ap...nanananaão.