sexta-feira, dezembro 22, 2006

Primaveras

Aniversários nunca me entusiasmaram.
Mudar de idade próximo de outras festas tão mais importantes torna a data pouco empolgante.
Mas, de qualquer forma, é um ano a mais a se somar. E confesso que não me sinto com 26 anos. Uns 20, talvez. Aos 26, minha mãe já era minha mãe, casadíssima, dava aulas, era rainha do lar.
Eu? Ah, eu só não tenho marido nem filhos. E não estou nem próximo de atingir esse ideal feminino estereotipado. É piegas mas vejo como o cumprimento de um ciclo, o preenchimento de necessidades em comum, a propagação da espécie. Se bem que não sei se, diante dos prognósticos atuais, é negócio deixar legados. O efeito estufa está a mil, a corrupção virou status quo, a água anda cada dia mais escassa, o sol, a cada estação mais inclemente. Sem falar na violência.
Mas o fato é que são 26 primaveras no próximo dia 2. Será que vai ter algum aniversário que vou conseguir estar na companhia de todas as pessoas que gosto? Muito otimismo e presunção. É que não há perspectivas de que eu esteja se quer com uma pessoa da minha íntima relação. Mas não posso me deixar abater por convenções sociais. Até porque, vivo dizendo que faço aniversário na melhor festa do ano, a da virada! O negócio é passar o dia 31, 1.º e 2 bêbada... ah, mas aí tem o trabalho... e cedo da manhã!
Foda-se o aniversário!
Tenho 20 anos, me sinto assim e assim quero que seja!
Parabéns pra mim!