domingo, agosto 09, 2009

Chuva

Choveu aqui em casa. Choveu nos meus olhos, no meu coração.
O tempo está afinado aos meus sentimentos, afinal.
Saí da casa dos meus pais há pouco. Precisava chorar.
No caminho para casa, lamentei mal ter dado tchau aos meus pais, companhias fiéis de fim de semana.
Aliás, a chuva batendo na minha sombrinha elucidou pensamentos.
Cheguei à conclusão de que sou uma péssima filha, irmã terrível, neta ausente, amiga oportunista, enfim, não sou companhia para ninguém. Quiçá uma editora mediana, talvez? Que o trabalho salve essa sucessão de negligências.
Também nunca fui exímia namorada, aliás.
Jaz nesse breve relato os motivos que me levam à reclusão.
Eu não me basto e tampouco seria companhia agradável de qualquer espécie.
Eureka, afinal! Sim, eis os motivos, razões e circunstâncias para a solidão me acompanhar como nuvem de chuva que teima em cair.
Sou uma péssiam filha porque sou feito líquen. Me grudo quando preciso de alimento, de companhia. Vivo uma relação de parasitismo com eles. Nada mais.
Sou péssima amiga porque estou ausente a maior parte do tempo e porque me faço presente quando preciso de parceria para festas. E nada mais.
Sou péssima neta porque não trago boas notícias às minhas avós. Permaneço calada ao lado delas, sem poder ser a portadora dos assuntos que tanto as agradariam. "Não, vó. Estou sozinha".
Sou péssima namorada porque não me contento com quantidades módicas de afeto. Sou uma exagerada e espero dos outros exagero. Big mistake!
Enfim. Estou onde e como mereço: sozinha, longe de tudo e de todos, para que não possa mais fazer mal a ninguém e ninguém possa retribuir o mal que eu represento.