Eu dancei lambada
Você, que está na casa dos 30 anos, deve sentir uma nostalgia (ou seria vergonha?) quando passa na tevê a propaganda de certa cerveja que resolveu ressucitar Beto Barbosa e sua indefectível Adocica. Talvez eu pague um mico danado, mas vou abrir meu coração pra contar que sim, eu tinha fitinha (s) cassete do Beto Barbosa. Eu também tinha uma saia especial para dançar o ritmo que marcou minha infância: a lambada. Sim, eu dancei lambada ao som de Beto Barbosa, e também do Grupo Kaoma. Minha parceira de dança era a Luciana, vizinha da minha avó, lá no bairro Ouro Branco. E como a gente se divertia! Além de treinar horrores na frente do espelho para acertar os passos ao ritmo da música, à tarde, depois de terminar os temas, eu pegava o micro system da sala, levava pro quarto, fechava a porta e sintonizava na rádio que costumava tocar lambadas. Preparava a fita virgem e ficava naquela tensão, esperando o refrão "Chorando se foi quem um dia só me fez chorar..." Pior era quando a gente acertava o tempo da música e o radialista largava no meio do som o nome da rádio. Mas não dava nada, o importante era poder reproduzir o sucesso do Kaoma à exaustão e bailar até gastar o carpete.
Depois da lambada veio New Kids on The Block (quem não lembra de Step by Step uhhh baby). E bem depois teve Spice Girls e Back Street Boys. Nessa fase era barbada. Já existia o CD, e não era preciso acertar o tempo da fitinha para garantir a gravação.
Pensando melhor, seja qual for a geração, o mico é garantido. Acho que a última leva a se salvar foi a dos anos 70, quando o lixo fonográfico era mínimo. Certamente, meus pais não têm do que se envergonhar. Curtiram a adolescência ouvindo James Taylor e Joe Cocker.
Mas convenhamos que venerar Calypso, Fiuk, Luan Santana e dançar Rebolation, daqui a uns anos, vai ser vexatório para o currículo de qualquer um. Ah, se eu tivesse sido apresentada ao bom e velho rock and roll antes disso... certamente, me salvaria da lambada.
Depois da lambada veio New Kids on The Block (quem não lembra de Step by Step uhhh baby). E bem depois teve Spice Girls e Back Street Boys. Nessa fase era barbada. Já existia o CD, e não era preciso acertar o tempo da fitinha para garantir a gravação.
Pensando melhor, seja qual for a geração, o mico é garantido. Acho que a última leva a se salvar foi a dos anos 70, quando o lixo fonográfico era mínimo. Certamente, meus pais não têm do que se envergonhar. Curtiram a adolescência ouvindo James Taylor e Joe Cocker.
Mas convenhamos que venerar Calypso, Fiuk, Luan Santana e dançar Rebolation, daqui a uns anos, vai ser vexatório para o currículo de qualquer um. Ah, se eu tivesse sido apresentada ao bom e velho rock and roll antes disso... certamente, me salvaria da lambada.

